Moro diz que, sem cooperação da Suíça, o Brasil jamais faria a Operação Lava-Jato

Juiz Sérgio Moro: silêncio Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo/16-06-2018

Moro afirma que Eduardo Cunha foi apanhado com ajuda da Suíça

Jailton de Carvalho
O Globo

O ministro da Justiça, Sergio Moro, reconheceu nesta segunda-feira a importância  da cooperação de autoridades da Suíça no sucesso da Operação Lava-Jato. Segundo ele, se não fosse a ajuda dos suíços, as investigações sobre corrupção na Petrobras não teriam resultados concretos relevantes. “Se não fosse a cooperação da Suíça, seria impossível que tivéssemos a Operação Lava-Jato” — disse o ministro.

Moro fez a declaração numa palestra ao lado do procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, na sede da Procuradoria-Geral da República. 

MAIOR COOPERAÇÃO – No evento, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o procurador-geral da Confederação Suíça, Michael Lauber, assinaram nesta segunda-feira (8) uma declaração conjunta com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os dois países no combate à criminalidade transacional.

O foco é a ampliação do intercâmbio de informações durante investigações penais, especialmente os relacionados aos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção, recorrente nas apurações da operação Lava Jato.

RASTREAMENTO – Como exemplo, o ministro destacou as colaborações do Ministério Público suíço nas investigações sobre o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e sobre o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Foram os suíços que ajudaram a rastrear uma propina de aproximadamente US$ 25 milhões recebidas por Paulo Roberto em contas na Suíça. A equipe de Lauber teve papel fundamental também no rastreamento de uma propina de US$ 1,5 depositada em contas de off-shores controladas por Cunha em um banco suíço.

Moro também mencionou o incremento da cooperação entre Brasil e Suíça. Desde 2014, quando teve início a Lava-Jato, os dois países registraram 647 pedidos de colaboração. Em 2014, os dois países computaram apenas 47 pedidos de cooperação. Segundo o ministro, a fama da Suíça de ser um país “fechado” em cooperação jurídica, não corresponde à verdade, especialmente no caso da Lava-Jato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma pena que no Supremo e no Congresso ainda exista tanta resistência contra a Lava Jato, com insistentes e permanentes manobras para esvaziar e inviabilizar o combate à corrupção, sob o argumento de que não se deve “criminalizar” a política. Na semana passada, tivemos um exemplo dessa situação, com o posicionamento do procurador Diogo Castor de Mattos, que ingressou na composição inicial da força-tarefa da Lava Jato em abril de 2014, na época com 27 anos, sendo o mais jovem procurador do grupo. Decepcionado com o deplorável comportamento do Supremo, Diogo preferiu se afastar. É uma pena. (C.N.)  

8 thoughts on “Moro diz que, sem cooperação da Suíça, o Brasil jamais faria a Operação Lava-Jato

  1. A Suíça sempre foi um dos mais conhecidos e renomados paraísos fiscais do mundo. Não fica nada bem para aquele país do bloco europeu, ser conhecido por proteger riquezas ilicitamente arrancadas de países com problemas sociais gravíssimos como o Brasil. Muito obrigado, mas nada além de sua obrigação moral e dever como civilização avançada. Devem isso se querem ser reconhecidos como seres humanos.

  2. O conluio da grande imprensa contra a Lava Jato é tão intenso que não houve nenhuma divulgação das manifestações contra o STF que correram por todo o país.

    Talvez por isso o nosso Editor Carlos Newton não tenha postado nenhuma reportagem sobre o assunto, pois elas simplesmente não existiram.

  3. 1) Um ótimo livro: “A Suiça lava mais branco”, de Jean Ziegler, recomendo.

    2) O autor é um ex-deputado suiço, social democrata, que hoje trabalha para a ONU.

    3) Interessante também é “Jesus lava mais branco – como a Igreja inventou o marketing”, de Bruno Balladrini.

    4) Boas leituras.

  4. a Suíça entregou apenas dez por cento (max) do que realmente existe escamoteado nos bancos suíços.
    Acreditar em banqueiros é ingenuidade descabida.
    Pode-se enviar dinheiro roubado, como o PCC através de doleiros em operações espúrias.

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