Moro é criticado na Câmara e chama deputado de ”desqualificado”, gerando bate-boca

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Sérgio Moro foi ataca por deputado do PSol e deu logo o troco

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

A audiência pública da comissão especial da proposta de Emenda à Constituição (PEC) 199/2019, da Prisão em Segunda Instância, chegou ao fim com bate-boca entre os parlamentares Glauber Braga (PSol-RJ), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o delegado governista Delegado Éder Mauro (PSD-PA).

O presidente da comissão, Marcelo Ramos, (PL-AM) fez diversas investidas para apaziguar os ânimos, mas suspendeu os trabalhos quando Éder partiu para cima de Glauber, que foi amparado por outros colegas.

LOBO E CORDEIRO – O debate em torno da PEC começou às 10h e já durava quatro horas. A oposição aproveitou o tempo para inquirir Moro sobre diversos temas e desgastar o ministro, mas se mostrava, indiretamente, afável ao mérito da matéria, que promete reformar tanto a Justiça Criminal, quanto a Cível.

O ministro se saiu bem em boa parte das respostas, mas, mais de uma vez, se recusou a responder os questionamentos sobre reformas no sistema prisional para suportar mais presos.

Um dos últimos inscritos para falar, Glauber Braga tomou a palavra e disparou contra Moro. “É lobo em pele de cordeiro. O senhor Sérgio foi muito bem treinado. Nas relações com o Projeto Ponte, nas vistas aos Estados unidos. Nas visitas que fez ao departamento de Estado. Mas o senhor é um capanga da milícia, do bolsonaro”, disse.

SEM CENSURA – No mesmo momento, alguns parlamentares começaram a protestar e Ramos interveio. O presidente da comissão disse que não controlou os elogios fora do tema que governistas fizeram aos ministro e que também não censuraria as críticas. Ainda assim, pediu a Glauber que tomasse mais cuidado e evitasse os “adjetivos”.  “Todas as críticas tem sido aceitas. Mas peço que evitemos um acirramentos ao fim da audiência. Não reprovo suas críticas. Mas peço que não use adjetivos como ‘capanga’”, disse o presidente.

Os ânimos não se acalmaram quando Glauber voltou a falar. “O senhor Sérgio se apresenta de maneira polida, mas mente descaradamente. Toda vez que questionado sobre o caso do Flávio (Bolsonaro), ele diz que é responsabilidade da polícia, da Justiça, do Ministério público do Rio de Janeiro. Mas saiu um relatório da PF isentando Flávio de crimes no Rio. Me desculpe se não posso usar de polidez. Ele diz que a PF não tem nada a ver com o que ocorre no Rio, mas a primeira coisa que fez foi mandar a polícia para pressionar o porteiro em seu depoimento no condomínio do presidente da República. Essa atuação, de quem finge ser uma coisa, mas é outra, é atuação de lobo em pele de cordeiro. Está no exercício do MJ, blindando corruptos”, voltou a atacar.

MUITA CONFUSÃO – Parlamentares voltaram a pressionar e Ramos, para colocar ordem, disse que passaria a palavra para o ministro em seguida. Glauber, no entanto, concluiu atiçando os parlamentares governistas. “Minha fala faz com que alguns representantes do governo fiquem inquietos. Pois querem que a milícia no Brasil, não seja apontada como crime organizado, pois faz parte da estruturação do projeto de poder dos senhores. Não tenho como deixar de dizer que uma pessoa que blinda essas pessoas é um capanga da milícia”, voltou a afirmar.

Conforme acordado, Moro falou em seguida. “O senhor não tem fatos, argumentos. É um desqualificado”, atacou. Governistas aplaudiram. E Ramos voltou a intervir. Destacou que o ministro era polido e educado com todos, mesmo com quem o ofendesse e isso estava comprovado, mas pediu cuidado com os adjetivos, da mesma forma que fez com Glauber, e afirmou que não aceitaria que um ministro de estado chamasse um parlamentar de “desqualificado”.

MORO SE DESCULPA – Os parlamentares do governo protestaram. Moro pediu desculpas e continuou. “Peço desculpas. Sigo sua orientação. Vim para essa casa falar sobre a PEC. Sempre tratei a todos com extremo respeito e gentileza, mesmo quando fui ofendido”, disse. Nesse momento, porém, os próprios governistas já não permitiam mais a continuidade da sessão ou a fala do ministro. Ramos voltou a intervir, dessa vez, chamando a atenção dos colegas.

 “O ministro foi extremamente educado e zeloso. Mas não permito a utilização de um adjetivo como ‘desqualificado’ a um deputado. Isso não vai ocorrer nem com Glauber e nem com nenhum outro parlamentar de qualquer partido”, endureceu.

Moro continuou. “Não existe fato. Eu não interfiro nas investigações da Polícia Federal”, disse. Glauber, não satisfeito com a confusão, voltou a atacar o ministro e o chamou de mentiroso. Ramos foi duro com Glauber. “Minha correção ao ministro não foi em respeito ao senhor, mas ao parlamento”, alertou.

SEM PROTEGIDOS – Moro voltou a falar, mas já não havia clima para a continuidade dos trabalhos. “Não existe nenhum fato que possa dizer que eu tenha protegido ‘X’ ou ‘Y’. Quem protegeu milícia foi o seu partido”, rebateu contra Glauber. O deputado do PSOL retrucou. Parlamentares da direita replicaram. Vários parlamentares se levantaram e Éder Mauro, que já bateu boca com Glauber Braga em outras sessões, inclusive com envolvimento do ministro, teve de ser contido.

Ramos ainda lembrou que haviam parlamentares inscritos, mas, diante da impossibilidade de conter o caos, encerrou os trabalhos. Moro saiu sem falar com a imprensa.

17 thoughts on “Moro é criticado na Câmara e chama deputado de ”desqualificado”, gerando bate-boca

  1. “Moro é criticado na Câmara e chama deputado de ”desqualificado”, gerando bate-boca.”

    -Manchete tendenciosa, que procura jogar no Moro a culpa pela ZONA que se tornou a audiência. Como sempre, a imprensa fica ao lado dos bandidos.

  2. Moro sendo Moro. Já está se moldando aos novos ares. Logo logo vem como candidato. Ele precisa se adaptar a política, e passar a enfrentar os dissabores que permeiam o Congresso Nacional, claro, sempre com ética e compostura, que lhe são peculiares. Parabéns, é digno de minha admiração.Fica o registro.

  3. este glauber boquirroto não vale nada.
    é mero protetor de bandidos e quer transferir esta pecha à outros, como reza o lenin:

    Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

  4. Desqualificado não é xingamento.
    O Moro afirmou que o parlamentar não se preparou (qualificou) para a audiência publica; estudando e formulando perguntas sobre o motivo da audiência; mostrando (comprovando) assim, que não estava qualificado para estar ali representando o povo brasileiro.

  5. Chamar alguém de “lobo em pele de cordeiro” e “capanga” é criticar? Assim sendo, ainda que o ilustre e digníssimo parlamentar não ofendeu o ministro. Imagine-se que termos seriam necessários para isso.

    • Correção: “Assim sendo, ainda bem que o ilustre e digníssimo parlamentar não ofendeu o ministro.”

      Peço desculpas pelo erro. Enquanto escrevia, me deixei levar pela pressa e pela irritação.

  6. A mal intencionada lei da impunidade parlamentar tem sido deturpada há décadas.

    No direito de, no exercício do mandato, poderem dizer o que bem entendem, deputados e senadores têm se caracterizado pela baixeza, desrespeito, má educação, um comportamento deletério e absolutamente incompatível com o poder que dizem representar.

    Não representam o povo que os elegeu, mas se aproveitam do poder e do voto popular para ofender, depreciar, agredir, insultar, até mesmo cuspir na cara do “colega”, e de quem “convidam” para esclarecimentos nas tais comissões existentes.

    Moro tem sido o Judas para o PT e Psol.

    Há um sadismo, um prazer mórbido, uma satisfação doentia, em maltratar o ministro que foi o juiz que desbaratou as quadrilhas petistas, emedebistas, psolistas, comunistas, que vinham dilapidando o patrimônio nacional impunemente.

    O ladrão e corrupto Glauber, Psol, percebe-se que atinge o êxtase quando escudado pela impunidade que goza na sua função, vocifera contra Moro exatamente o que é como parlamentar:
    Capanga, pau mandado do crime, criminoso, desonesto, um legítimo e indiscutível canalha!

    Se, ontem, mais uma vez, as graves ofensas contra um ministro de Estado não eram motivos suficientes para enquadrá-lo como falta de decoro parlamentar, então a sua cassação, constata-se mais uma vez o nível sórdido, a ralé política, os desajustados parlamentares que habitam o antro de venais!

    Um senador do PT, anteontem, quando ouvia o depoimento na CPI – quer dizer, na peça teatral de péssima qualidade e, pior ainda, a atuação de seus canastrões – de um rapaz negro que lhe dirigiam perguntas, mas não o deixavam responder, colérico com as respostas dadas pelo “convocado”, ameaçava-o de prisão, pois estava o depoente insultando “aquela casa”!

    O ex-presidente do PT, Rui Falcão, deputado federal por São Paulo, acusado pelo depoente de racista ou, no mínimo, um preconceituoso social porque denominou o rapaz de favelado ou algo semelhante, torcia a boca e ria nervosamente com o andar das declarações, que não eram aquelas que o ladrão e corrupto petista queria ouvir.
    Notava-se facilmente o desconforto do parlamentar desonesto e pertencente à quadrilha do PT, quando o depoente insistia em responder as perguntas e sendo taxativo que não trabalhou para Bolsonaro nas redes sociais como robô ou emissor de informações falsas para eleger o atual presidente.

    Portanto, eis a vilania do parlamento, a sua venalidade, o seu desacato contumaz, em razão da covarde e torpe impunidade parlamentar, hoje subentendida como permissão para ofender, agredir, insultar e depreciar os “convidados” pelos vagabundos, ladrões, corruptos, incompetentes, perdulários e irresponsáveis parlamentares, a nata da bandidagem, dos criminosos alojados no antro de venais, vulgo congresso nacional, o lixão da moral, respeito, educação e ética do Brasil!

  7. Vamos resumir esse super deputado Glauber, que poderia se juntar ao Ex-BBB com seus 25.000 votos apriximadamente (uma anomalia eleitoreira).
    Mister (tá na modinha) Glauber, em algum momento da história da criação, o Senhor Doutor Excelência já soube ou viu “de Ovo de Serpente pularem coelhinhos”?
    Porra, será que ainda votam nesses trastes? “Putz Grila”.
    Nessa semana foi campeã para os “Vermelhinhos”.
    1 – Convocam uma testemunha e a própria testumunha arromba a porta do PT e da “Rolha de Sum Paulo. Temos mixê no jornalismo? Será?
    Vale lembrar ser um “T-E-S-T-E-M-U-N-H-O”!
    2 – Doutor Senador DPVAT, tentando se passar por Erudito e levando uma sutil esculhambada do ministro;
    3 – Ontem o Ministro, equlibrado, preparado, com serenidade, qualificou essa coisa.
    Cordiwlmente se retratou, mas a mensagem ficou.
    Repetindo: De ovo de serpente não sai coelho.

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