Morre aos 97 anos o poeta Manoel de Barros

Deu no iG

O poeta Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira (13), aos 97 anos, informou a assessoria de imprensa do hospital Proncor, em Campo Grande (MS). A causa da morte, que aconteceu às 8h05, ainda não foi divulgada.

Barros nasceu em Cuiabá (MT) em 1916, mas viveu por muitos anos em Corumbá (MS), até se transferir para Campo Grande, onde vivia atualmente. Sua vida acadêmica se deu no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito em 1941. Passou, também, temporadas em Nova Iorque, Paris, Itália e Portugal.

Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos e publicou o livro de estreia, “Poemas Concebidos Sem Pecado”, em 1937, em pequena tiragem, apenas para alguns amigos.

Entre seus livros mais conhecidos estão “Livro Sobre Nada” (1996), “O Guardador de Águas” (1989) e “O Fazedor do Amanhecer” (2002), estes dois últimos premiados com o Jabuti.

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Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

3 thoughts on “Morre aos 97 anos o poeta Manoel de Barros

  1. Somos o teor das Leis Divinas pelas quais o poeta, Manoel de Barros, enveredou às mãos de Deus.

    Eis o último poema de Manoel de Barros pulicado na Tribuna da Internet em 26/03/14.

    O FEITIÇO DAS PALAVRAS DE MANOEL DE BARROS
    Posted on março 26, 2014 by Tribuna da Internet One comment

    O advogado e poeta matogrossense Manoel Wenceslau Leite de Barros, no poema “Deus Disse”, menciona os seus desejos depois que recebeu um dom Divino.

    DEUS DISSE
    Manoel de Barros

    Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
    Vou pertencer você para uma árvore.
    E pertenceu-me.
    Escuto o perfume dos rios.
    Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
    Sei botar cílio nos silêncios.
    Para encontrar o azul eu uso pássaros.
    Só não desejo cair em sensatez.
    Não quero a boa razão das coisas.
    Quero o feitiço das palavras.

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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