Morre Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados no impeachment de Collor

Ibsen tinha 84 anos e sofreu uma parada cardiorrespiratória

Deu no O Globo

O ex-deputado federal Ibsen Pinheiro (MDB-RS) morreu nesta sexta-feira, aos 84 anos. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto passava por tratamento de saúde no Hospital Dom Vicente Scherer, em Porto Alegre, segundo a assessoria do MDB.

Deputado federal por quatro legislaturas, Ibsen foi presidente da Câmara durante o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Também integrou a Assembleia Constituinte, que redigiu a Constituição de 1988. Ao receber o pedido de impeachment, Ibsen disse a frase que acabou ficando famosa no mundo da política: “O que o povo quer, esta Casa acaba querendo”.

CPI DOS ANÕES – Depois do impeachment, Ibsen foi investigado pela CPI dos Anões do Orçamento, que descobriu em sua conta movimentação incompatível com seu patrimônio. Ele não conseguiu contestar as provas e, em 1994, perdeu o mandato. Em dezembro de 1999, o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu o processo, apontando inconsistência das denúncias.

O ex-deputado foi autor da proposta para alterar a distribuição dos royalties de petróleo, prejudicando estados produtores, principalmente o Rio de Janeiro. A proposta ficou conhecida como Emenda Ibsen. Aprovada pelo Congresso em 2010, a Emenda de Ibsen, elaborada em parceria com os deputados Marcelo Castro (PMDB-PI) e Humberto Souto (PPS-MG), previa a distribuição igualitária dos royalties do petróleo entre todos os estados e municípios.

ALVO DE PROTESTOS – A lei não chegou a entrar em vigor porque foi vetada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. À época, Ibsen acabou se tornando alvo de protestos no Rio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, decretou luto oficial de três dias no estado. O velório ocorrerá das 9h às 16h deste sábado na Assembleia Legislativa. A cerimônia de cremação será restrita à família.

Em uma rede social, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lamentou a morte e disse que Ibsen presidiu num dos momentos mais importantes da democracia brasileira. “Ibsen foi um exemplo para mim, tive a oportunidade de conviver e aprender muito com ele. Perdemos um homem público diferenciado”, escreveu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Apesar de Ibsen ter sido diagnosticado com uma espécie de câncer que atinge a medula óssea, planejava se casar em março com a jornalista Jussara Oliveira da Silva, 69 anos. De acordo com a companheira, a decisão foi tomada após a primeira internação para combater a doença, em dezembro. (Marcelo Copelli)

8 thoughts on “Morre Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados no impeachment de Collor

  1. “Ibsen foi um exemplo para mim, tive a oportunidade de conviver e aprender muito com ele. Perdemos um homem público diferenciado.— Rodrigo Maia ”

    “CPI DOS ANÕES – Depois do impeachment, Ibsen foi investigado pela CPI dos Anões do Orçamento, que descobriu em sua conta movimentação incompatível com seu patrimônio.”

  2. São Borja-RS,perde um filho ilustre,grande tribuno e um frasista di primeira.

    Como “Mandarim” cartola do Internacional,um belo dia apareceu no Beira Rio, um pai santo oferecendo serviços di batuque..

    Pai Santo,pediu vela,bixo de quatro pé etc…

    Ibsen,”olha seu Pai Santo,tem duas pessoas que não acredita nisso,uma sou Eu”.

    Pai do Santo pergunta ao Ibsen,quem é a outra pessoa.

    Ibsen ” é VC”.

    kkkkkkkkkk

    Pai Santo,foi embora furioso.

    O Inter foi campeão invicto do Campeonato Nacional.

    Ibsen,se perdeu na companhia dos anões,`a meu ver,foi cáustico com Fernando Collor.

    Pai Celestial receba sua alma e descanse em paz.

  3. Espectro realmente, não faz diferença alguma o que ele vai responder agora; não tem nada com ninguém, e sim com a própria consciência.
    Quando fazemos retrospectiva, qualquer um, vemos claramente que a piores dores não foram as físicas e sim as morais.
    Agora ele despojado da matéria, vai responder moralmente diante da própria consciência.
    É aí que o Darcy Ribeiro declarou que “ainda bem que eu perdi; não queria estar no lugar de quem venceu”.

    • Um comentário francamente dispensável, para dizer o mínimo do mínimo. Opor-se a Collor é pecado mortal? Nunca imaginei. Não votei nele e também protestei pelo impeachment. Minha ida pro inferno também deve estar garantida, junto a de metade da população deste país.
      Collor fez um governo corrupto e desastroso. Não lamento de jeito nenhum sua queda.
      Cada vez me sinto tentado a evitar qualquer coisa relacionada à política. Além de francamente contraproducente, é repugnante. Devia deixar os apologistas presunçosos de Collor, Renan e do lulismo falarem sozinhos. Mas também acho repulsivos que as opiniões destes sejam as únicas ouvidas.

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