Morre o jornalista Fritz Utzeri, aos 68 anos

Após lutar três anos contra um linfoma raro (câncer nos gânglios), o jornalista Fritz Utzeri morreu na manhã de segunda-feira, aos 68 anos, no Hospital Quinta D’Or. O velório do jornalista está sendo feito na Capela 6 do Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio, até o meio-dia de terça-feira, quando ele será levado para o crematório do Memorial do Carmo, no Caju.

Médico, formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) com especialização em Psiquiatria, profissão que não chegou a exercer e que abandonou para ser jornalista. Ele nasceu Fritz Carl, nome herdado do pai alemão que não chegou a conhecer porque morreu em sua motocicleta na explosão de uma bomba, durante a guerra na Polônia. Sua mãe Elza, italiana, já tinha fugido para o Norte da Alemanha, como fizeram todas as mulheres grávidas naquela época de guerra.

Com dois anos de idade veio para a América Latina com a mãe, direto para Assunção, no Paraguai. Ao Brasil, chegou com sete anos (1952) indo morar no bairro paulista de Higienópolis. Mas não parou ali: veio para o Rio de Janeiro, foi para Lima (Peru), La Paz (Bolívia), Santiago (Chile) e Buenos Aires (Argentina), acompanhando a mãe e o padrasto italiano Otello, que o criou. De volta ao Rio, foi morar na Tijuca, entre as décadas de 1960/1970. Casou-se com Liège, com quem viveu mais de 50 anos e teve dois filhos, Ana e Pedro (de quem teve um casal de netos, Gabriela e André).

Como jornalista, começou como repórter estagiário do Correio da Manhã, época em que viveu uma de suas ótimas histórias. Um dia entrou no elevador da Revista Manchete, na Glória, junto com o dono Adolpho Bloch que, pensando falar com um dos seus jornalistas gritou: “- o senhor está demitido por não usar gravata”. Fritz, com seu ar debochado, retrucou: “- ora, isso é impossível, eu não sou seu funcionário!” E saiu gargalhando.

Ao naturalizar-se brasileiro, em 1970, Fritz Carl, registrado na rebuscada certidão de nascimento alemã, passou a chamar-se Federico Carlo Utzeri. Mas ele já era mesmo o Fritz Utzeri, nome com o qual se firmou nas funções de repórter especial do Jornal do Brasil e de seu correspondente nas cidades de Nova Iorque e Paris.

De Paris voltou para o JB, mas foi logo convocado para ser o editor de Ciência e Tecnologia da TV Globo, onde mesmo depois de sair participou da edição especial do programa Globo Repórter sobre o Caso Riocentro. Com Heraldo Dias, com quem cobriu o caso Riocentro, ainda ajudou a desvendar o desaparecimento e assassinato do deputado Rubens Paiva.

Trabalhou, também, como diretor de Comunicação da Fundação Roberto Marinho e foi editor de opinião de O Globo. Fritz Utzeri também foi diretor de redação do Jornal do Brasil na fase semifinal da edição impressa. Escreveu os livros “Aurora” (ficção) e “Dancing Brasil” (crônicas) e editou o seu blog “Montbläat”.

(Transcrito do jornal O Globo)

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