Morumbi e críticas da FIFA foram fatos ótimos para Lula

Pedro do Coutto

Muitos não perceberam – isso é natural -, mas o veto da CBF ao Morumbi para abertura da Copa de 2014 e as críticas de Jérôme Valcke, gerente geral da Fifa à capacidade de realização brasileira, forma o que de melhor, sob o ponto de vista político-eleitoral, poderia ter acontecido ao presidente Lula.

Ele aproveitou bem o lance e respondeu frontalmente em sentido contrário, ainda por cima condenado a eternização de Ricardo Teixeira e Joseph Blatter no comando das duas entidades. Lá estão, os dois, há mais de vinte anos. Tempo excessivo, acentuou o presidente da República. E, recorrendo ao próprio exemplo, afirmou que o prazo de oito anos é suficiente. Tem que haver renovação. Se o Ibope, Datafolha ou Vox Populi fizerem uma pesquisa sobre o fato certamente vão revelar que as palavras de Luis Inácio da Silva repercutiram favoravelmente junto à população e, portanto, junto ao eleitorado. Somou para ele.

Inclusive aproveitou também o episódio do Morumbi para defender a abertura da Copa de 2014 em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. E não é apenas isso. Mostrou-se favorável a uma reivindicação regional bastante procedente. Pois, no fundo, a rejeição do estádio do São Paulo Futebol Clube significa exatamente a perspectiva de não haver jogos realizados no Estado.

Para fechar um círculo lógico de raciocínio, Lula condenou a idéia da construção de um estádio novo em Pirituba. Ele disse justamente o que o povo paulista queria dizer e ouvir. Foi bastante hábil. Tomara a ele – há de estar pedindo a Deus – que episódios como esses venham a se repetir. Eles dão margem a que assuma uma posição extremamente popular. Teixeira, Blatter e Valcke tornaram- se aliados de Lula e, por via de consequência, da candidatura Dilma Roussef, a quem, no lançamento do edital para licitação do Trem-bala, atribuiu até a iniciativa da obra. Lula mergulhou de corpo inteiro na campanha. A CBF e a Fifa o ajudaram enormemente no lance. A bola veio cruzada na área e Lula cabeceou para gol. Marcou pontos eleitorais preciosos.

Talvez até decisivos, dado o equilíbrio hoje apontado pelas pesquisas. Política é assim. Muitas vezes quando opositores de determinado governo pensam que, atacando-o, somam votos para si, estão agindo exatamente em sentido contrário. No caso dos três mosqueteiros do futebol citados, tentando atingir o presidente e até o país, ressaltando o que seria uma incapacidade executiva, acabaram abrindo as cortinas do palco para o presidente da República, ao mesmo tempo descortinando no panorama visto da ponte a ótima oportunidade dele defender o país, os brasileiros, enfim nossa capacidade de concretizar projetos.

Podem estar atrasados, não discuto e as restrições serem precedentes, embora feitas em tom deseducado. Sem dúvida. Foram, no fundo da questão um sinal de alerta. Mas isso de um lado. De outro , o alerta serviu para que Lula se aproximasse sobre um tema extremamente popular, que é o futebol. No caso até o futebol de 14 é a véspera da Olimpíada de 16, dois anos apenas depois. Nada melhor, principalmente neste período que sucede nossa derrota para a Holanda, do que atingir os brios – espontâneos ou fabricados de momento, não importa – do Brasil e dos brasileiros. Lula respondeu por todos. E, sem dúvida, construir um gigante em Piritibua soa mais para o delírio. E em matéria de futebol, delírio só com o gol e a vitória. Que se ouve no rumor e no clamor das multidões.

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