Mourão amplia conversas para viabilizar candidatura: Senado ou governo estadual

Mourão também cogita disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, mas lá concorrência bolsonarista é maior Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo/03-11-2020

Mourão tomou gosto e quer fazer carreira política

Bernardo Mello e Camila Zarur
O Globo

De olho no eleitorado bolsonarista e também com acenos à terceira via, o vice-presidente Hamilton Mourão se movimenta por uma possível participação na corrida eleitoral no Rio. O general, que também cogita concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul, vem estabelecendo pontes com aliados e possíveis adversários do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que ainda tenta atrair para si o apoio de eleitores do presidente Jair Bolsonaro.

O enfoque na eleição do Rio vem sendo estimulado por interlocutores de Mourão e políticos fluminenses, em meio à percepção de que Castro não consolidou até agora o voto bolsonarista no estado. Pesa ainda contra a opção gaúcha a concorrência local no campo bolsonarista, com nomes como o senador Luis Carlos Heinze (PP) e o ministro Onyx Lorenzoni (DEM) pleiteando cabeças de chapa.

HÁ ESPAÇO – No Rio, parlamentares e prefeitos veem espaço para Mourão disputar o Senado, mas mantêm no horizonte a hipótese de uma candidatura ao governo. Em entrevista à colunista Bela Megale, do GLOBO, Mourão disse, no entanto, não ter “qualquer pretensão” de concorrer ao Executivo.

O prefeito de Belford Roxo, Waguinho (PSL), que deve assumir a presidência estadual do União Brasil, formado pela fusão de DEM e PSL, diz que foi convidado para conversar com Mourão em Brasília sobre a situação do estado. Waguinho tem mostrado insatisfação com Castro, a quem acusa de não abrir espaço para o União Brasil no governo. Ele tenta articular com outros prefeitos da Baixada Fluminense a indicação do vice ou do candidato ao Senado na chapa de Castro — esta última vaga, porém, é ocupada pelo senador Romário (PL).

Reeleito na prefeitura de Belford Roxo em 2020 numa campanha que teve apoio do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Waguinho busca manter boa relação com o governo federal e não descarta uma candidatura própria do União Brasil no Rio, desvinculada de Castro.

LIVRE PARA DIALOGAR – “A partir do momento em que o governo (do Rio) não fechou aliança com o União Brasil, o partido está livre para dialogar com todo mundo” — diz Waguinho.

Além de abrir pontes com o comando do União Brasil, Mourão autorizou interlocutores a conversarem com lideranças políticas de áreas com grande presença de eleitores, como a Zona Oeste da capital, e também com parlamentares alinhados a Bolsonaro. Emissários do vice-presidente dialogam ainda com setores do empresariado, como noticiou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, para testar a adesão a uma possível candidatura.

Mourão é filiado desde 2018 ao PRTB, cujo fundador e presidente, Levy Fidelix, morreu em abril. No Rio, a sigla passou a ser dirigida no início do ano pelo policial federal aposentado Antonio Carlos dos Santos, atual secretário de Ordem Pública em Itaguaí, na Baixada Fluminense. Antonio Carlos afirma ter recebido do vice-presidente a tarefa de organizar a sigla no estado. “É natural que Mourão converse com todos, sejam deputados ou presidentes de partidos, até pela falta de nomes hoje no Rio para as eleições de 2022” — afirma.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mourão poderia ser um bom candidato, mas seria melhor sair para deputado federal, com eleição garantida, do que tentar o Senado contra Romário e outros.  (C.N.)

6 thoughts on “Mourão amplia conversas para viabilizar candidatura: Senado ou governo estadual

  1. Renato. Não fui chamado. Mas pedindo licença e também ao Roberto desde já. Veja o caso do fluminense, do estado, com os últimos quatro governadores presos. Veja os representantes do estado no Senado. Entre um ou outro pastor, jogador de futebol, rachadista miliciano. Já no caso do Município temos novamente pastor indo ao segundo turno mesmo fazendo um desastre de governo. No legislativo estadual temos parlamentares presos e nem cassados foram. Tiverem mandado devolvido. Aqueles governadores e estes deputados indicaram conselheiros de contas do TCE. Dos oito conselheiros, sete presos. No município do Rio não está muito disso, e chamá-la de cidade maravilhosa está mais para o passado. As ruas estão um retrato do desespero agravado nos últimos anos.

    • Concordo com você Leão. É isso mesmo, a cidade é linda, mas seus políticos não merecem essa dádiva da natureza.
      Os cariocas não conseguem acertar na dose. Muito ruins na hora de votar. O que Crivela e Romário fizeram pelo Rio de Janeiro?
      Hoje, o carioca e o fluminense são os cidadãos que mais votam mal do Brasil e o único que tem um ex governador atrás das grades.
      Pelo andar da carruagem, pelo que tenho ouvido pelos cantos, nada vai mudar.
      Uma pena.

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