Mourão defende correção sobre dados de queimadas para que “a informação seja a expressão da verdade”

Mourão disse que “alguém” do Inpe que faz “oposição” ao governo

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, defendeu neste sábado, dia 19, em artigo publicado em uma rede social, que os dados de queimadas passem por análise qualitativa que levem a “ajustes e correções” para que “a informação produzida seja a expressão da verdade”.

Na terça-feira, dia 15, sem citar nome ou provas, Mourão disse que “alguém” no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que faz “oposição” ao governo do presidente Jair Bolsonaro prioriza a divulgação de dados negativos sobre queimadas. Na quarta-feira, dia 16, afirmou que desconhecia que dados de queimadas são públicos e pede análise qualitativa ao Inpe.

TRANSPARÊNCIA – “É importante que os dados sejam transparentes, contudo submetidos a uma análise qualitativa por meio de processo inteligente, levando a ajustes e correções, necessários para o combate às ilegalidades e para que a informação produzida seja a expressão da verdade”, escreveu Mourão.

No artigo, ele afirma que, para compreendermos a realidade das queimadas amazônicas e termos capacidade de interpretar os números divulgados, é preciso entender o que significam os focos identificados pelos satélites de referência utilizados pelo Inpe. “As imagens acusam todos os focos de calor, o que não significa incêndio, pois qualquer área com temperatura acima de 47º – uma fogueira por exemplo – é assim identificada”, disse no artigo.

Na quarta-feira, dia 16, o vice-presidente se reuniu com o diretor do Inpe, Darcton Policarpo Damião, no gabinete da Vice-Presidência, em Brasília. Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, pediu ao diretor do Inpe que faça uma análise qualitativa dos dados para identificar áreas onde ocorrem mais queimadas.

EFEITOS NOCIVOS – No artigo, Mourão diz que as queimadas que estão ocorrendo na Amazônia não são “padrão Califórnia ou Austrália” e que as ações do governo federal buscam reduzi-las e também atenuar seus efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

“Sim, as queimadas acometem a floresta amazônica e outros biomas do País – e também do mundo, não somos a única nação a enfrentar esse problema -, especialmente no período da seca, quando os índices historicamente se elevam. Mas não na proporção trágica e com o descaso dos governantes como querem crer os donos das cartolas e dos coelhos” afirmou.

O vice-presidente diz, sem apresentar as fontes dos dados, que o Brasil é o país que menos desmatou “na história da humanidade”. Segundo ele, o país tem a matriz energética mais limpa e a maior cobertura vegetal com 84% de área nativa preservada na Amazônia — 60% se considerarmos todo o território nacional.

“OPOSITOR” NO INPE –  Hamilton Mourão afirmou na terça-feira, dia 15, sem citar nome ou provas, que “alguém” no Inpe que faz “oposição” ao governo do presidente Jair Bolsonaro prioriza a divulgação de dados negativos sobre queimadas. Ele deu a declaração ao comentar dados sobre queimadas na Amazônia registrados pelo sistema do Inpe, cujos número são abertos para consulta pública.

Questionado sobre uma divergência nos dados sobre queimadas citados por ele na semana anterior, Mourão reclamou da divulgação de dados negativos e afirmou que um opositor do governo Bolsonaro dentro do Inpe está agindo para tornar essas informações públicas.

FOCOS – “Eu recebo o relatório toda semana. Até dia 31 de agosto, nós tínhamos 5 mil focos de calor a menos do que 31 de agosto do ano passado, entre janeiro a agosto. Agora, o Inpe não divulga isso. Por quê? ”, indagou o vice-presidente.

Mourão acrescentou: “Não é o Inpe que está divulgando. É o doutor Darcton [Policarpo Damião] lá, que é o diretor do Inpe, que falou isso? Não. É alguém lá de dentro que faz oposição ao governo. Eu estou deixando muito claro isso aqui. Aí, quando o dado é negativo, o cara vai lá e divulga. Quando é positivo, não divulga”.

Questionado sobre quem seria o responsável por divulgar os dados negativos, Mourão disse não saber. Ele declarou não ter suspeitas do nome do suposto opositor do governo dentro do Inpe. O Inpe informou não vai comentou as declarações do vice-presidente.

DADOS ABERTOS – Na quarta, após a reunião com o diretor do Inpe, Mourão disse que desconhecia que os dados sobre queimadas e desmatamento divulgados pelo órgão são públicos e acessíveis por qualquer pessoa. “É o seguinte: eu também desconhecia isso — os dados estão em fonte aberta. Isso aí faz parte da transparência. Então, qualquer um de vocês que for no site lá do Inpe vai pegar o dado que está lá”, afirmou o vice após reunião com o diretor do instituto.

O vice-presidente negou que tivesse intenção de esconder os dados registrados pelo Inpe ou modificar a forma de divulgação. “É uma coisa que tem que ter muita certeza: eu não estou aqui para esconder dados, não estamos aqui para esconder dados. Seja bom ou seja ruim, tem que ser mostrado. Eu tenho responsabilidade perante a população brasileira, em particular a população da Amazônia, e, no meio em que trabalhei na minha vida, tem coisas que são muito caras — é honra, lealdade, honestidade. Desse troço não abro mão em hipótese alguma”, disse Mourão.

12 thoughts on “Mourão defende correção sobre dados de queimadas para que “a informação seja a expressão da verdade”

  1. Não precisa, Mourão! O caos pode ser dimensionado pela Sensação Térmica e pelas Miragens que aparecem apenas em desertos, as quais já começam a ser vislumbradas aqui.
    Se Mourão é feito de madeira, com a floresta talada, como será possível gerar um Mourão Neto? Mesmo que possa sobrar pau; mas lembre que Pau é sinônimo de Madeira!

  2. Imagens de satélite também mostram incêndios florestais densos na África tropical, através da savana e pradarias onde, a cada ano, ocorre a maioria dos incêndios florestais do mundo.

    Mesmo que esses incêndios pareçam ser bastante densos, os cientistas dizem que isso não significa necessariamente que terão um impacto ambiental mais severo.

    “A maioria desses incêndios na África é um processo natural que vem acontecendo há milhares de anos”, diz Niels Andela, professor da Escola de Ciências da Terra e do Oceano na Universidade de Cardiff.

    “É assim que a vegetação se regenera na região.”

    Esses incêndios florestais africanos também são vistos como menos prejudiciais porque as savanas e pradarias regeneradas absorvem parte do carbono que é emitido durante a queimada.

    Mentira dessa senhora !!! É um incêndio criminoso, só não vê quem não quer.

    Fonte (para quem pesquisa): https://www.bbc.com/portuguese/geral-54202546

    Título: “Incêndios florestais pelo mundo são os maiores ‘em escala e em emissões de CO2’ em 18 anos”

    • Robô é teu rabo, fdp. E quem rebola é a senhora tua mãe aqui no meu colo !

      Não entende ironia, não , ô viado ?

      Sr Editor: Ou retira o comentário ofensivo deste senhor a quem nunca dirigi a palavra ou vou continuar publicando isso. A matéria é toda da BBC, a única coisa que fiz foi colocar uma ironia: “Mentira dessa senhora !!! É um incêndio criminoso, só não vê quem não quer”. Não vejo razão de o senhor deletar minha réplica e manter a publicação dele, ainda mais me tachando de robô. É a maneira permitida aos seus dizimistas de repudiar coisas de que não gostam !

  3. Entretanto, geralmente não compartilho opiniões de jornalistas estrangeiros sobre o Brasil, porque conheço bem suas intenções: dividir para conquistar, tal como faz e fazia determinada ideologia brasileira.

  4. A verdade, seu Mourão, tá na desgraça que vemos todos os dias: fauna, vegetação, fazendas pobres – tudo pegando fogo!
    Deixe de conversa mole, faça, meta a mão na massa. Se não tiver competência para isso, passe o bastão para alguém do INPE.

  5. Taí uma manchete do Estadão que mostra a incompetência do sinhô Mourão: “Com resposta lenta do governo, voluntários vão à luta pelo Pantanal. Defesa do bioma fica a cargo de guias de turismo, terceiro setor e universidades.”

    • Tenha misericórdia dessa alma humana. E ele ainda tem dúvidas?
      De que adiantou tantos cursos de graça, para chegar a general, pagos pelos povo?
      E ainda não consegue compreender o estrago das queimadas criminosas no Pantanal. Perdi a esperança no Brasil.
      Ainda teve a coragem de criticar o INPE, seus técnicos que divulgam os estragos. Se pudesse censurava tudo.
      Aonde nós vamos parar.
      Por que chegamos nesse ponto medieval?

      • O problema é que os militares, especialmente os oficiais, são preparados para dar ordem e seus subordinados obedecerem sem discutir. Desse modo eles têm a ilusão de estar sempre certos – sentem-se super homens. Mas a realidade não se molda aos seus sentimentos. E é o que estamos presenciando no dia a dia do Mourão.

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