Mourão defende diálogo e aliança com Centrão: “Se não houver coalizão o presidente não governa”

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Victor Farias
O Globo

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira, dia 6, que o governo atual começou com uma “visão idílica” que o deixou “aprisionado” durante o primeiro ano de gestão, ao tentar negociar a aprovação de projetos com bancadas temáticas no Congresso. Segundo Mourão, Bolsonaro “mudou a sua rota” em 2020. Ele defendeu ainda que, “se não houver coalizão, o presidente não governa”.

“O governo começou com uma visão idílica, estou sendo bem sincero, de que por meio das bancadas temáticas nós teríamos um relacionamento eficiente com o Congresso”, afirmou em conversa promovida pelo Credit Suisse, acrescentando: “Quando viramos esse ano, o presidente, que obviamente passou 28 anos dentro da casa, sabe como a coisa funciona, entendeu que tinha que ter uma base mais consistente”, disse.

“TOMA LÁ DÁ CÁ” – Mourão citou as criticas feitas ao governo de que a prática do “toma lá da cá”, condenada pelo presidente Jair Bolsonaro, teriam voltado a Brasília, mas disse que isso faz parte do presidencialismo. Ele também afirmou que, em um Congresso fragmentado como o brasileiro, qualquer presidente que assuma precisará dialogar com os partidos de centro.

“E aí, óbvio, a crÍtica, “não, voltou o toma lá da cá, vai dar cargo, vai dar ministério”… É, o partido que quer estar junto do governo ele quer participar, e a participação se faz dessa forma. Muito se fala da questão presidencialismo de coalizão, o presidencialismo ele só pode ser de coalizão. Pra mim presidencialismo de coalizão é pleonasmo. Se não houver coalizão o presidente não governa”, comentou.

INTERLOCUÇÃO – Segundo o vice-presidente, a relação entre o Executivo e o Legislativo foi reforçada com a chegada do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que antes ocupava cargo de deputado federal pelo PSD do Rio Grande do Norte. Faria tem boa interlocução com o Congresso e com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Eu vejo que nós vamos avançar para ter uma base mais consistente e que irá facilitar a aprovação das reformas”, afirmou. Mourão disse, no entanto, que o governo precisa melhorar a relação com estados. De acordo com eles, é preciso “estender outras pontes” para que o trabalho seja mais integrado, nesse contexto de pandemia do novo coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A atual gestão está imobilizada e rendida. Tanto que Bolsonaro há algumas semanas já baixou o tom. Deixou chegar a tal ponto com tanta trapalhada de seus ministros e filhos, que agora depende mais do que nunca do apoio do Centrão para sobreviver aos próximos meses no Planalto. Para tanto, negocia cargos e usa o dinheiro público. Tenta se apegar à boia que poderá, quem sabe, salvá-lo de um possível impeachment. Além disso, precisará arquitetar como salvará também os três trapalhões do seu clã. Se Bolsonaro pensou que iria brincar de ser presidente com sua arma de dedinhos até o final do mandato, percebeu, tardiamente, que administrar um país é muito mais complicado do que passar mais de duas décadas passivamente ostentando um cargo de deputado, com direito a uma soneca durante as sessões.  (Marcelo Copelli)

10 thoughts on “Mourão defende diálogo e aliança com Centrão: “Se não houver coalizão o presidente não governa”

  1. “Há fantasistas politicos e sociais que, com eloquência ardente, convidam a uma derrubada revolucionária de todas as ordens sociais, na crença de que o templo mais orgulhoso da humanidade justa se erguerá ao mesmo tempo como se por sua própria vontade. As experiências da história nos ensinaram, infelizmente, que toda revolução produz a ressurreição das energias mais selvagens, na forma do horror e dos excessos das eras mais longínquas, há muito enterrados: que uma revolução pode assim ser uma fonte de energia numa humanidade que se tornou fraca, mas nunca um regulador, arquiteto, artista, aperfeiçoador da natureza humana.” (Nietzsche)

  2. Tudo bem que a negociação faça parte do governo; o problema é que acabaram/desvirtuaram o pacote anti crime e agora, negociando postos que movimentam $(bilhões) de Reais, estamos “ferrados”.
    Exemplo atual são os negócios de aquisição ou aparelhamento de hospitais no combate a COVID-19. A PF, MP e os Juízes de primeira instância estão fazendo seu trabalho; mas, os corruptos hediondos sabem que só ficarão presos pouco tempo pois depois que os “beiçolas” da vida acatarem o HC; nunca mais eles serão presos; pois o mesmo stf garantiu imunidade até o fim dos tempos Ops!!!; digo transito em julgado.
    PS: Só para não esquecermos o stf mudou decisão pacificada de mais de dois anos que previa prisão após segunda instancia com o “meia volta volver” do beiçola e a interrupção do voto da “flor do jardim” pelo adevogodo de bandidos.

  3. Bolsonaro tem sido responsável pelos militares terem perdido uma boa parte da credibilidade que tinham antes de o ex-capitão ser eleito presidente da República.

    Até, então, esse declínio poderia ser com o tempo readquirido. No entanto, além de Bolsonaro, os próprios generais que o acompanham no governo, da mesma forma contribuem para que as FFAA estejam nesse momento em palpos de aranha, que significa estarem enredados na própria teia que armaram!

    Jamais, em tempo algum, os oficiais generais imaginaram que teriam de ouvir cobras e lagartos, e engolir sapos e pererecas, a partir do instante que, Heleno, em reunião com adeptos do presidente, debochou do Centrão, balbuciando uma canção popular … “quem gritar pega ladrão não sobra um do Centrão …”

    O ótimo general, por não ser político, desconhecia que o mundo parlamentar é dinâmico, rápido, e suas voltas não acontecem de tempos em tempos, mas quando a política quer e deseja.

    Pois, fico constrangido, na condição de ex-militar, mesmo não tendo sido a minha carreira, porém permaneci por quatro anos na caserna, a importância de declarações advindas de generais.
    Suas palavras tinham um peso maior do que qualquer lei!
    Os generais tinham consigo as vozes da verdade, do justo, do correto, do indiscutível, do absoluto.

    Mas, quis o destino, que Heleno teria de lidar com a política, permanentemente antagônica dos militares e nada simpática à caserna porque um meio de relacionamento detestado pelas FFAA, cuja ordem dada deve ser cumprida, a menos que mal formulada.
    Diferentemente do parlamento que, se hoje diz que é terça-feira, haverá quem duvidar, perguntando ou que dia foi ontem ou será amanhã, de modo a não dizer terça-feira.

    Heleno, em consequência, quando cantou a paródia da canção “não sobra um centrão”, o seu colega de farda e de posto, o general Mourão, teria de desdizê-lo afirmando que, sem esse movimento no parlamento, Bolsonaro não governa, essa incompatibilidade de pensamento deve estar destruindo o ambiente da caserna!

    Imagino o efeito destruidor para um general ter de engolir as suas próprias palavras!
    Pior:
    Por causa de um oficial subalterno, um ex-capitão, que sequer teve uma folha de serviços prestados às FFAA e à sociedade, das quais pudesse se orgulhar!

    Fico pensando com os meus botões, sobre a reação no meio dos oficiais generais, do almirantado e de brigadeiros, terem de se manter subordinados a Bolsonaro, que, em outras circunstâncias teria sido expulso do Exército, agora terem de engolir e sem a maionese conhecida, um subalterno, a política, e suas declarações recentes ou feitas no passado, e com os colegas do generalato estarem se contradizendo!

    Bolsonaro está sendo o legítimo ciclone-bomba entre os militares:
    Destruiu fortificações, abalou estruturas de décadas existentes de autoridade, moral e ética das FFAA!

    Conclusão:
    O presidente pode e tem direito de pleitear a reeleição.
    Duvido, entretanto, que terá como vice-presidente outro general, a menos que estejamos presenciando poderosas alterações no mundo militar, principalmente a queda do comportamento ilibado e amor à Pátria.

    Teriam se tornado apenas e tão somente políticos de fardas!

  4. O Presidente tem que ser colocado aos ponta pés para fora do cargo.

    O Advogado da família Bolsonaro, Wassef aquele mesmo que não sabe de nada, no ano de 2019 (mesmo que Bolsonaro assumiu) foi contratado por 5 milhões de reais para prestar “consultorias jurídicas e estratégicas”
    à uma Concessionária aeroporto, mesmo sem qualquer experiência?

    http://blog.tribunadonorte.com.br/territoriolivre/wassef-usou-influencia-junto-a-bolsonaro-para-atuar-na-concessao-de-aeroporto/

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