MP diz que esquema de rachadinha aumentou patrimnio de Flvio Bolsonaro em R$ 1 milho

Flvio diz que MP do Rio comete srie de erros bizarros

Italo Nogueira
Folha

O patrimnio ilcito acumulado pelo senador Flvio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre 2010 e 2014 por meio da “rachadinha” somou quase R$ 1 milho, afirma o Ministrio Pblico do Rio de Janeiro. O valor consta na denncia apresentada na ltima semana ao rgo Especial do Tribunal de Justia do Rio contra o filho do presidente Jair Bolsonaro e se refere diferena entre as despesas da famlia do senador e a renda declarada pelo casal no perodo.

O MP-RJ identificou que o casal no teria como explicar gastos que somam R$ 977,6 mil no intervalo de cinco anos. Boa parte deles foi feito por meio de pagamento em dinheiro vivo ou a partir das contas do casal aps serem abastecidas por depsitos em espcie. A defesa do senador nega as acusaes afirma que a denncia contm erros matemticos.

SUSPEITAS – A acusao no rene todas as suspeitas que recaem sobre o senador. A movimentao financeira da loja de chocolate de Flvio ainda segue sob investigao. A Promotoria suspeita que ele tenha lavado at R$ 1,6 milho por meio do estabelecimento.Flvio, ex-deputado estadual, acusado de desviar R$ 6,1 milhes dos cofres pblicos, valor referente soma de seus 12 ex-assessores na Assembleia Legislativa do Rio que, de acordo com a Promotoria, no trabalhavam.

Desse total, R$ 2,08 milhes foram repassados para as contas do policial militar aposentado Fabrcio Queiroz, apontado como operador financeiro do esquema. Outros R$ 2,15 milhes foram sacados pelos ex-assessores-fantasmas. Os investigadores afirmam que esse dinheiro tambm foi disponibilizado para a suposta organizao criminosa, embora no indiquem evidncias da entrega.

Flvio, Queiroz e outras 15 pessoas foram denunciadas sob a acusao de peculato, lavagem de dinheiro e apropriao indbita. O senador acusado de liderar uma organizao criminosa para recolher parte do salrio de seus ex-funcionrios em benefcio prprio.

DESPESAS PESSOAIS – De acordo com a Promotoria, o dinheiro recolhido por Queiroz junto aos assessores era usado para quitar despesas pessoais do senador. O procurador Ricardo Martins, que assina a denncia, dividiu em trs partes o perodo sob investigao, de 2007 a 2018.

Entre 2007 e 2009, o MP-RJ afirma no ter identificado enriquecimento ilcito do senador. Contudo, aponta que as operaes imobilirias realizadas por Flvio nesse perodo tiveram como principal cobertura emprstimos feitos por antigos assessores do pai e de seu irmo, Carlos Bolsonaro.

Esses emprstimos, informados no Imposto de Renda Receita Federal, no aparecem na conta bancria do senador. Eles somam R$ 285 mil e foram feitos em dinheiro vivo, segundo Flvio afirmou em depoimento aos promotores. O registro dos emprstimos, porm, deu cobertura para a compra de 12 salas comerciais na Barra da Tijuca.

CHEQUES – O MP-RJ ainda investiga como os imveis foram pagos. Martins solicitou ao rgo Especial do Tribunal de Justia para que as construtoras dos imveis informem o nome dos titulares dos cheques usados para quitar algumas das parcelas do financiamento. A suspeita que elas foram pagas por um terceiro, j que na quebra de sigilo bancrio do casal no constam dbitos referentes a essas despesas.

entre 2010 e 2014 que recaem as principais provas do Ministrio Pblico fluminense. Foi nesse intervalo que o casal adquiriu os dois apartamentos em Copacabana pagando por fora, segundo as investigaes, R$ 638 mil.

Os investigadores identificaram tambm que a conta de Flvio recebeu depsitos fracionados que somavam R$ 52 mil em datas prximas aos pagamentos de parcelas de uma cobertura em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Como foram feitos 38 depsitos fracionados de at R$ 2.000, o extrato no identifica os responsveis pelos repasses.

“CARTER ILCITO” – A tentativa de ocultar a origem dos depsitos omitindo a identificao do portador dos recursos decorre evidentemente do carter ilcito dos valores integrados de forma sorrateira ao patrimnio do casal, escreveu Martins.

uma prtica semelhante adotada por Queiroz quando depositou R$ 25 mil na conta de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, dias antes do pagamento do sinal do mesmo imvel. Neste caso, porm, o PM aposentado teve que se identificar em razo do volume repassado a Promotoria afirma que possivelmente Queiroz ainda no estava habituado com os sistemas de controle financeiros.

O MP-RJ listou R$ 1,6 milho de uso de dinheiro em espcie nas transaes de Flvio, seja por meio de pagamento de boletos ou depsitos nas contas ligadas ao senador. O valor tambm inclui pagamentos de impostos cujos dbitos no aparecem no extrato do filho do presidente e de sua mulher. Para o MP-RJ, possvel concluir que esses tributos, que somam R$ 99,5 mil, foram pagos em dinheiro vivo.

FUNCIONRIOS PBLICOS – Martins destaca na denncia que, at 2014, Flvio e Fernanda eram funcionrios pblicos, no tendo qualquer renda fora aquela depositada em suas contas pela Assembleia e pela Aeronutica onde a dentista trabalhava. Os R$ 139 mil sacados pelo casal entre 2011 e 2014 no fariam frente s despesas quitadas em espcie no perodo.

A partir de 2015, Flvio se tornou scio da loja de chocolates. O MP-RJ destaca na denncia no haver qualquer registro de retirada de dinheiro em espcie em favor de Flvio, embora tenha deixado a anlise para a continuidade das investigaes. Neste perodo, Martins no aponta eventual enriquecimento ilcito. Mas descreve a continuidade de pagamento em espcie que teria como objetivo lavar o dinheiro obtido com a rachadinha.

Entram nessa conta as despesas de escola e plano de sade da famlia, bem como novos depsitos fracionados nas contas de Flvio prximos s datas de quitao de parcela do imvel da Barra. O MP-RJ pediu para que o senador seja condenado a pagar multa de R$ 6 milhes e a perder o apartamento que tem na Barra da Tijuca.

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DEFESA DIZ QUE DENNCIA TEM “ERROS MATEMTICOS”

Flvio Bolsonaro afirmou em suas redes sociais que o Ministrio Pblico do Rio comete srie de erros bizarros na denncia. Em nota, a defesa disse que a denncia j era esperada, mas no se sustenta.

“Dentre vcios processuais e erros de narrativa e matemticos, a tese acusatria forjada contra o senador Bolsonaro se mostra invivel, porque desprovida de qualquer indcio de prova. No passa de uma crnica macabra e mal engendrada”, declararam os advogados.

“Acreditamos que sequer ser recebida pelo rgo Especial. Todos os defeitos de forma e de fundo da denncia sero pontuados e rebatidos em documento prprio, a ser protocolizado to logo a defesa seja notificada para tanto”, completa a nota.

A defesa de Queiroz afirmou que no teve acesso denncia.

Inaugura-se a instncia judicial, momento em que ser possvel exercer o contraditrio defensivo, com a impugnao das provas acusatrias e produo de contraprovas que demonstraro a improcedncia das acusaes e, logo, a sua inocncia, afirmou o advogado Paulo Emlio Catta Preta.

7 thoughts on “MP diz que esquema de rachadinha aumentou patrimnio de Flvio Bolsonaro em R$ 1 milho

  1. T tudo levantado, evidencias mil, qualquer extrato bancrio dessa familcia no passa pela auditoria de uma criana do primrio. Em um minuto a criancinha descobre tudo.

    Eles alegam que est tudo certinho… ento, porque no abrem as contas?
    simples, rpido e cabal!!
    Deixem de atormentar aos brasileiros que pagam suas contas!!

    Deu!!

    Atenciosamente.
    JL

  2. Mas, tem coisas que no consigo entender; como eu devolvo noventa por cento do que recebo?!!!
    E como fica o Imposto de Renda?!!!
    Sobra/falta no final?!!!

  3. No total, 42 dos 70 parlamentares da Alerj esto na mira do Ministrio Pblico suspeitos de ficarem com parte dos salrios de seus funcionrios ilegalmente.
    Mais a TI pensa que apenas o filho do presidente.
    O resto so inocentes.

  4. Sr. Ricardo Sales,

    A familcia virou vidraa!

    O projeto de poder vsi custar caro pro obtuso.

    Tivesse ficado quieto onde estava, ele e os filhos estariam afanando do errio at hoje.
    Simples assim.
    Atenciosamente.
    JL

  5. Impressionante que a imprensa descobriu as rachadinhas, crime amplamente praticado em todas as cmaras municipais, estaduais e federal no Brasil. Na prpria ALERJ tem movimentaes muito maiores, mas depois de dcadas sem ver, de repente a imprensa tomada por uma sbita clarividncia descobriu esse crime inominvel! Pena que estranhamente s veja uma pessoa.
    O PT governou por 13 anos desviando bilhes e a imprensa via, s noticiava depois que tufo vinha a tona.

    • Sr Jad Bal Ja,

      No importa o montante.

      So corruptos e viraram vidraa.

      a regra do jogo… a vidraa leva a primeira pedrada.

      Esquea o pt, isso acabou.

      Vamos focar nos novos ladres que andam desesperados pra abrir cassinos Brasil afora.
      Por que ser? rsrs
      Caiu a ficha?

      Atenciosamente.
      JL

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