Mudança de tom de Serra confirma pesquisas

Pedro do Coutto 

No debate realizado pela Folha de São Paulo, através da internet, primeiro no gênero no país e acompanhado por um milhão e quatrocentas mil pessoas, como o próprio jornal assinalou em sua edição de ontem, José Serra mudou de tom e de estilo passando a atacar frontalmente Dilma Roussef e o próprio governo Lula. Dilma retrucou no mesmo diapasão o que tornou o confronto muito mais intenso do que o clima que marcou o realizado dias atrás pela Band. 

Serra acusou Rousseff de mentir e se encontrar desinformada quanto a dados estatísticos envolvendo a administração do país. A ex-chefe da Casa Civil ameaçou processar o ex-governador por calúnia. Não creio que a ameaça se concretize. Não interessa a ela, tampouco a Lula. Quando a polarização estava estabelecida, eis que Marina Silva surpreende José Serra e passa a atacá-lo. Criticou também Dilma, porém de forma bem mais suave. Mas esta é uma questão paralela. 

O fato essencial que desejo expor, principalmente aos que dizem sempre não acreditar em pesquisas, é que, se Serra não acreditasse nos levantamentos do Ibope, Datafolha, Vox Populi, Sensus, não mudaria de atitude. Estava tentando passar a imagem de equilíbrio e suavidade em relação ao governo e à adversária. Há tempos, neste site da Tribuna da Imprensa, escrevi um artigo sustentando que a estratégia da oposição estava equivocada. Havia uma postura destinada a entrar em clinch com Lula, como procuram fazer os pugilistas em certas situações. Claro que não ia funcionar. O presidente da republica não aceitaria o combate nestes termos, ou seja, de socos acariciantes, como disse o personagem do grande Humphrey Bogart no último filme que fez na vida. Nada disso. Lula rejeitou o clinch, Dilma também, é claro.  

Sentindo a queda nas pesquisas, para o Ibope 8 pontos atrás, para o Datafolha a mesma coisa, para o Vox Populi diferença de 16 degraus, o candidato tucano achou, aliás com razão, que estava na hora de mudar. E mudou. Não posso dizer se vai ou não funcionar favoravelmente ou contrariamente a ele. Estou pedindo atenção dos incrédulos para o reconhecimento da procedência dos levantamentos quanto às intenções de voto. Pois uma coisa é analisar serenamente os números, outra é torcer para que não estejam certos. Se o ex-governador paulista achasse que estavam errados, evidentemente permaneceria no estilo que adotou ate o debate que a FSP efetivou ontem. 

Serra, a meu ver, terminou conduzindo o confronto para o plano que a dupla Lula-Dilma mais deseja. Comparar a administração de hoje com a de ontem, quando Fernando Henrique Cardoso estava no Palácio do Planalto. O que estou afirmando é confirmado pelos fatos. Não estou dizendo que os números da comparação são justos ou injustos, mas sim que, enquanto FHC deixou Brasília rejeitado pela opinião publica, Lula prepara-se para retornar a São Paulo, onde reside, com uma popularidade e uma aprovação que impressionam. Presidente da República algum alcançou tais índices. Explicar as razões do fenômeno é outro tema. Não estou aplaudindo, apenas registrando. Posso até aplaudir seu comportamento, sua política de salários, por exemplo, mas não o estou fazendo. 

O problema que coloco neste artigo situa-se entre o debate e o voto. Apenas isso. Serra destacou a importância do Plano Real que FHC herdou de Itamar Franco. Dilma tem que aceitar. Caso contrário, seu governo o teria mudado. Vamos esperar o que o Datafolha vai revelar sobre que se saiu melhor e conquistou ou não mais voto na tarde de quarta-feira na FSP

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