Mujica no Rio: bem-vindo, mas peça perdão ao cônsul Aloysio Gomide e família

Na manchete do jornal O Globo, de 7 de agosto de 1970, os esforços de Aparecida em libertar o marido, que ficou em cativeiro por 217 dias. Amigos íntimos da esposa do cônsul, Marcos e Maria Elisa de Azevedo ajudaram a levar o dinheiro aos sequestradores. (Foto: Aline Salgado)

Gomide e dona Aparecida relembram o drama no Uruguai

Jorge Béja

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica está no Rio para ser ouvido em palestras. Seja-bem vindo, Mujica, hoje senador, mas sempre eterno presidente, que se notabilizou e encantou o mundo pela simplicidade no exercício da presidência da República de seu país. Não só por isso, mas também por sua dedicação ao bem-estar de nossos irmãos uruguaios.

Nosso editor Jornalista Carlos Newton foi hoje pela manhã ouvir a palestra de Mujica na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Certamente Carlos Newton tem muito o que contar. Mais ainda quando ouviu Mujica dizer textualmente “tenho que ter habilidade diplomática e carinho com o povo brasileiro, pois os governos passam e o povo fica”.

PEDIR PERDÃO

Então, presidente Mujica, prove este carinho e vá pedir perdão a Aloysio Marés Dias Gomide, à sua esposa, Maria Apparecida Leal Penna Gomide, mais filhos e netos. Eles moram em Copacabana, perto de onde o senhor está hospedado. Dá para ir até a pé, sem fusca. O doutor Aloysio foi o cônsul brasileiro que seu grupo armado, os Tupamaros, sequestrou no dia 31 de Julho de 1970. Vestidos de carteiros (ou de empregados de empresa de telefonia), eles entraram na residência do cônsul na capital Montevidéu e o levaram à força.

Gomide permaneceu 205 dias na cativeiro, nos subterrâneos de Montevidéu, junto com o norteamericano Dan Mitrioni, morto no cárcere. Tinha um outro estrangeiro também sequestrado. Se não estou errado, era de nome Claude Fly. Não é mais a hora de abordar a questão política do governo uruguaio do então presidente Jorge Pacheco Areco. É assunto do passado e que entrou para a história. Mas nunca é tarde para pedir perdão.

Os Tupamaros — e o senhor no meio deles, se não à frente — causaram grande sofrimento a este brasileiro Aloysio Gomide e a toda sua família, esposa e filhos pequenos, assim composta naquela ocasião.

BREVÍSSIMAS LEMBRANÇAS

Posso falar e pedir de cadeira, pois de muitas etapas participei. E quis o destino que o casal Gomide e nós, minha esposa e eu, nos tornássemos ligados por grau de parentesco por afinidade. Vou contar, presidente Mujica. Naquela época, eu era repórter da Rádio Nacional do Rio. Escalado, fui receber Dona Apparecida no velho aeroporto do Galeão, à uma da madrugada. A esposa do cônsul veio de Montevidéu para arrecadar o preço do resgate exigido pelos Tupamaros para libertar o marido: Um milhão de dólares.

E a ela me apeguei, na espErança, na fé e na devoção da São João Bosco. “Dom Bosco Não Falha” era a senha que o então repórter e a esposa do cônsul sempre usavam, quando se falavam. Foram decisivas as solidariedades de Flávio Cavalcanti e de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Foi através de seus programas que a quantia foi levantada. Se não toda, parte dela, a ponto de ser levada de ônibus a Montevidéu e ser entregue aos Tupamaros. Enfim, depois de muitas peregrinações Rio-Brasília-Rio-Montevidéu-Rio, os Tupamaros — entre eles o senhor — libertaram o cônsul brasileiro no dia 21 de Fevereiro de 1971.

DOM BOSCO NÃO FALHA

Era carnaval. E eu estava de plantão na Rádio Nacional. De repente, já madrugada, o telefone toca na redação da emissora. Atendi e ouvi aquela doce, suave e emocionada voz dizer: “Jorge, Dom Bosco Não Falha. O Aloysio está aqui ao meu lado”. Imediatamente gravei uma entrevista, que foi ao ar naquela madrugada de 21.2.1971 e repetida várias vezes pela emissora ao longo do dia.

De volta ao Brasil, o ilustre e sofrido casal foi padrinho de meu casamento, em 4.7.1971, na Igreja Bom Jesus do Calvário da Via Sacra, Tijuca, Rio de Janeiro. No altar, de um lado o casal Gomide. Do outro, o casal Antonio Vieira de Melo (então Secretário de Educação do Estado da Guanabara) e sua esposa, Níva Vieira de Mello. E como pagem, o pequeno Sérgio Vieira de Mello, décadas depois assassinado em Bagdá no cargo de Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

TOUT EST PARDONNÉ

Contado isso em pouquíssimas e resumidíssimas linhas (a história é enorme), espero que o presidente e hoje senador uruguaio José Mujica vá pedir perdão à família Gomide, que certamente não fechará as portas de seu apartamento para recebê-lo. Vai abri-las. E se nosso padrinho já estiver inteiramente recuperado com o tratamento de saúde a que vem se submetendo, ele, Aloysio Marés Dias Gomide, do alto dos seus quase 86 anos, sua esposa, Maria Apparecida Leal Penna Gomyde, filhos, netos, todos dirão a José Mujica “Tout Est Pardonné”.

23 thoughts on “Mujica no Rio: bem-vindo, mas peça perdão ao cônsul Aloysio Gomide e família

  1. Caríssimo Dr.Béja,
    Os elogios que lhe são destinados têm as suas razões.
    O artigo em tela é simplesmente primoroso.
    Apesar do governo que Mujica praticou no Uruguai, ênfase na simplicidade, o atual senador tem no passado atuações que confrontam o presente, que ofuscam o desempenho como presidente do país vizinho porque precisa resgatar comportamentos que deixou a desejar na condição de tupamaro, especialmente no sequestro de brasileiros, mencionados acima pelo senhor.
    Nada se iguala ao cárcere, à liberdade cerceada promovida por sequestros, um ato de extrema covardia e que anula qualquer luta que possa ser intitulada contra o totalitarismo ou a favor da democracia.
    Mujica deve pedir perdão ao sr.Gomide e família, caso a sua visão atual de fato tenha se ampliado, e não apenas considere movimentos revolucionários, que também incorrem em crimes de guerra como naturais, mas igualmente repudiáveis e inaceitáveis.
    Exatamente foi a falha gritante da Comissão da Verdade quando instalada em passado recente, que desconsiderou o movimento rebelde como também causador de tortura e sequestro, violência e assassinatos.
    Tomara que o senador uruguaio seja comunicado deste seu artigo, Dr.Béja, e decida pelo gesto que o enaltecerá como pessoa, que chancelará os elogios que recebe pela sua atuação como presidente do Uruguai na gestão passada, e visite o sr.Gomide e lhe peça desculpas pelo ocorrido.
    Não importa o motivo, apenas se desculpe, e se mostrará um homem digno, altaneiro, honrado, que, na razão direta que combateu a ditadura, também reconheceu quando errou da mesma forma que aqueles que enfrentou, então se mostrará superior, e será mais ainda elogiado porque pediu perdão, coragem que a maioria dos heróis falsos, erigidos pela mídia ou lendas não teria.
    O artigo não só merece aplausos como deve constar na história como um episódio importante pela notícia da libertação do sequestrado pelos tupamaros no passado e, agora, o pedido de perdão pelo ato condenável à época, que terá a devida repercussão em caráter nacional e internacional, e colocando Mujica como um dos grandes líderes do presente, causando uma certa inveja aos brasileiros, pois a política nossa apenas tem produzido corruptos e desonestos, quanto mais parlamentares da estatura moral de Mujica, se este levar ao sr. Gomide o seu perdão, caso contrário, inegavelmente será reconhecido como um presidente que apenas foi discreto, mas que perdeu o trem da história para ser lembrado eternamente.

    • De pleno acordo, Bendl. Se o presidente Mujica tivesse esse gesto, alcançaria posição muito mais alta da que já se encontra no cenário internacional. Pedir perdão é gesto de grandesa. A propósito, dessa gente da Lava Jato, algum deles já pediu perdão ao povo brasileiro? Mesmo que Mujica não possa ir até à casa dos Gomide, pertinho de onde Mujica está hospedado, ele bem que poderia, em pronunciamento, fazer o pedido que falta: perdão.
      Jorge Béja

  2. Apenas como registro, Dan (Daniel) Mitrione, o famoso e famigerado agente da CIA e professor catedrático, doutor honoris causa no ensino da tortura sem marcas no Brasil nos anos 60. Personagem sinistro e macabro. O Sérgio Fernando Paranhos Fleury estadunidense.

  3. Esclarecedor e emocionante, Dr Béja. A imensa maioria dos atuais admiradores de Mujica, motivados pelas suas virtudes como governante, sequer sabe do passado de guerrilheiro do agora bom velhinho. Saudações

  4. Senhor, não zombe, não deboche do sofrimento do Dr. Aloysio Gomide e de toda sua família. Foram 205 dias sequestrado nos subterrâneos da capital, Montevidéu. Mais de 40 anos depois, já muito idoso e doente, como consta do artigo, aquele sofrimento não passou. Ainda assim, o senhor louva o sequestro e congratula-se com o grupo armado que arrancou o pai de família de dentro de casa e desapareceu com ele, deixando esposa e filhos pequenos desesperados. O senhor não deveria ter escrito o que escreveu, que constitui outra agressão à família Gomide, que só foi libertado, 30 quilos mais magro, por causa da vultosa quantia que sua esposa arrecadou do povo brasileiro, com as preciosas ajudas de Flávio Cavalcanti e Abelardo Chacrinha Barbosa, que naquela época comandavam os programas de maior audiência na televisão. Eu participei, o senhor não. Todos choramos muito, o senhor não. O Dr. Aloysio hoje tem grave enfermidade. A família reside num modestíssimo apartamento. O casal, cada um tem mais de 80 anos de idade. Peço a nosso editor, Jornalista Carlos Newton — este sim, que prima pela decência e sabe o que é sofrer, tantos foram os percalços de sua vida — peço que exclua este comentário impiedoso, desastrado, agressivo à dignidade de todos da família do nosso cônsul. Que o senhor nunca passe pelo drama que meus padrinhos passaram.
    Jorge Béja

  5. Quem deveria pedir perdão a quem? Quem lutava contra uma ditadura, ou, quem “servia” a uma? É fácil chamar aqueles que tiveram a coragem de resistir pegando em armas de terroristas. Então lutar em favor, ou em busca da democrácia é terrorismo!

  6. Luiz Antônio,
    Teu raciocínio ou dedução são obtusos, pois tu queres justificar atos de violência com terrorismo, ou seja, olho por olho, dente por dente.
    Ora, perdes a razão completamente.
    Pegar em armas contra a ditadura com a alegação de se buscar a democracia é a mentira mais abjeta que se entende.
    O terrorismo não quer governo democrático ou totalitariamente instalado, ele quer reinar mediante medo, pena de morte sumária, traições ou, por acaso, esqueceste como foi o governo de Fidel depois que derrubou Batista?
    El comandante tinha a faca e o queijo na mão para se tornar um dos maiores líderes do século XX, SE determinasse eleições livres após cinco anos, digamos, tempo suficiente para reestruturar a ilha. No entanto, faz 56 anos que Fidel está no poder e mandou para “el paredón” cerca de trinta mil compatriotas, alem de ter deixado o seu país na penúria por opção mal feita, escolhendo o comunismo.
    Esse romantismo ridículo de guerrilheiros só mesmo em livros ou filmes, pois quem conheceu de perto e viveu uma revolução onde irmãos se matam, familiares delatam familiares, amigos se tornam inimigos, e se mata por matar, TODOS, indistintamente, devem pedir perdão pelos seus atos insanos e violência desmedida!
    Fala-se sobre a tortura no Brasil, as pessoas desaparecidas até hoje, os 400 e poucos mortos que tivemos com a queda de Jango, mas são omitidos os episódios de sequestros, bombas, e mortes pelos próprios companheiros do lado oposto, que não foram praticados porque o objetivo era a democracia – falácia! – mas uma ditadura de esquerda, então esta seria admissível, independente da quantidade de mortos que teria produzido.
    Ora bolas, que raciocínio mais embotado e ridículo!
    Rússia, China, Cuba, Coréia do Norte, Vietnã, Laos, Camboja, contabilizam mais de cem milhões de mortos, crimes cometidos por “revolucionários”, então justificáveis, elogiáveis e aplaudíveis?!
    O mesmo tendo sido praticado por uma ditadura de direita jamais deve ser esquecido?
    Quanta estupidez!

  7. Admiro este articulista mas me permito aproveita o artigo atual para perguntar: quando os terroristas militares do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile vao pedir desculpas aos povos que terrorizaram, dos quais roubaram, torturaram e assassinaram os melhores filhos? E parem com este absurdo de ainda repetirem que Jango, JK, Lacerda, eram perigosos comunistas… Governos golpistas devem ser enfrentados pelo povo com armas… Leia os dois textos fundadores da democracia atual, a Declaraçao de Independência dos EUA e a Declaraçao dos Direitos do Homem, da Revoluçao Francesa. O que hoje sao chamados de “terroristas”, na verdade, eram a parte mais virtuosa, corajosa, honesta e idealista dos respectivos povos. Viva Lamarca! Viva Marighella! E que os juristas tenham em mente que o maior atentado ao Direito é justamente uma ditadura!

    • Ferreira,
      O teu desconhecimento da história não invalida as ofensas que fazes ao cidadão digno e honrado ao vociferares loas a dois assassinos:
      Marighella e Lamarca.
      Se esses dois criminosos são teus ídolos na defesa da democracia, o que me dizes de daqueles que não mataram, sequestraram e torturaram, e a defenderam com muito mais propriedade e resultados que os atos terroristas que esses dois cometeram?
      Sendo assim, o PT é tão golpista tanto quanto foram os militares, com a diferença do voto obtido à base de mentiras ao povo, e tomaram conta do Brasil, roubando-o e assaltando-o, com uma diferença curiosa:
      Tiraram as armas do povo, mas permitiram que seus exércitos particulares se preparassem para enfrentar os descontentes com este comportamento criminoso, nefasto e deletério, que nos leva à ruína.
      Afinal das contas, golpe não é só derrubar governos, mas dominar uma nação e dilapidá-la da maneira como os petistas estão fazendo e, por acaso, pegaste em armas ou achas que, neste caso, o PT pode nos golpear à vontade?
      Pode entregar um País falido?
      Pode deixar que a insegurança seja hoje o nosso maior problema com milhares de mortes a cada ano?
      Pode permitir o aumento do analfabetismo?
      Pode ser relapso e criminoso quanto à saúde pública, que registra mortos nas calçadas dos hospitais e gente que falece sem ter tido a consulta com especialistas por que leva anos a fio?
      Pode aumentar impostos indiscriminadamente, mas os problemas da saúde, educação e segurança não só continuam como não serão alvos dessa carga tributária maior que já se encontra?
      Pode uma presidente discursar para o povo e mentir descaradamente e dar as suas pedaladas para ocultar a crise na economia?
      Isto não seria golpe contra a democracia, contra o brasileiro e sua Nação?
      Por favor, faz-se necessário revisar o texto antes de publicá-lo, antes de se berrar apoio a criminosos, terroristas, da mesma forma que foram aqueles que torturaram e mataram a sangue frio as suas vítimas, então porque uns podem matar na tua ótica e outros devem ser mortos sem reação?
      A tua democracia é relativa?
      A ditadura foi golpe, então às armas!
      O PT e seus roubos e assaltos não é golpe, então saudemos os ladrões e recorremos às armas para defendê-los!
      Pensa mais um pouco sobre esta questão, agora, Marighella e lamarca como teus super heróis, tu ofendes o povo e a razão ao mesmo tempo, permitindo-me que eu possa bradar vivas aqueles que os mataram, em nome da preservação da vida de pessoas que seriam mortas pela dupla diabólica se ambos continuassem vivos na trilha de horror que escolheram, mas eu estaria errado ao enaltecer a morte de compatriotas, de brasileiros, mesmo criminosos.

    • Gratíssimo, Eminente Dr. Werneck. Os percalços e as vicissitudes da vida a todos alcançam, sem exceção. Infeliz aquele — que as tenha suportado ou ainda não as suportou — que externam deboche, menosprezo e fazem pouco caso do sofrimento do próximo.
      Jorge Béja

  8. Dr. Béja, pegando uma carona nessa matéria (nada em a ver com o assunto), apreciaria deveras sua opinião sobre o indiciamento do filhote do Pitanguy pela prática de homicídio na modalidade culposa.

    Que país é esse em que alguém enche a cara de álcool, pega o volante de um carro, atropela alguém e o mata e não se consuma a hipótese de crime doloso, por ter assumido o risco da conduta? Se isso não é assumir o risco, o que seria? O dolo eventual, presente na doutrina e na própria lei, foi revogado e não me avisaram?

    Poupo o endinheirado infrator do seu conhecido histórico, de centenas de pontos na carteira de habilitação, de 70 multas em curto período de tempo, do absoluto desprezo à vida humana, demonstrado no momento seguinte à tragédia, de sua tentativa de se evadir do local, não me reporto à hipossuficiência da vítima e de sua família em vários aspectos, e outros trololós que não dizem respeito à conduta do denunciado no momento do crime, que são, “apenas”, causa aumentativas da pena ou agravantes. Refiro-me exclusivamente ao crime em si.

    Dá para engolir essa denúncia amiga? Essa meia denúncia? Nem no MP podemos confiar mais? E a d. Juíza, não viu, diante de tantas provas, que o MP estava a exercer sua função com estranha moderação?

    Apreciaria demais seus comentários. Se me der a honra, abrindo matéria própria.
    Obrigado pela atenção.

    • Oigres Martinelli, você conhece algum precedente da Justiça brasileira que levou a Júri quem cometeu crime ao volante? Até que os delegados de polícia e mesmo a promotoria pública indiciam e oferecem denúncia por homicídio doloso (dolo eventual) na esperança de que o agente venha ser submetido ao Tribunal do Juri. Mas é inútil. Um Habeas-Corpus ( que é remédio para tudo ) acaba obtendo êxito nos tribunais e o motorista vai ser mesmo julgado pelo juiz singular. Aliás, Martinelli, tenho fundado receio que, na excepcionalidade de um motorista como esse que você citou, se levado ao Juri popular, seja absolvido por 7 a Zero. No Júri as defesas estão a cargo de talentosos advogados que são bons atores e sabem levar o corpo de jurados a absolver o acusado. Já no juízo singular (Vara Criminal) penso que o julgamento seja mais severo.
      Grato pela indagação.
      Jorge

      • Oigres, me esqueci de fazer importante alerta. É preciso que a família da vítima ingresse imediatamente com ação indenizatória na Justiça. Explico o motivo: as penas são, civil e criminal. E são independentes. Havendo pena civil, isto é, indenização já fixada com decisão definitiva, o réu se vê no dever de fazer o pagamento sem delongas. Isto porque, na eventualidade dele receber qualquer benefício quanto ao cumprimento na pena criminal, ele só conseguirá caso tenho pago a indenização conforme determinado pela Justiça cível. Tive um caso bem semelhante. Um motorista, filho de família famosa, bêbado e drogado, atropelou e de uma só vez atropelou 3 pessoas em copacabana: dois morreram e uma teve a perna amputada. Fui advogado da família de uma das vítimas fatais e a família venceu a ação de indenização. Na véspera do julgamento criminal, procurei o advogado que defendia o atropelador no juízo criminal e disse a ele que estava me habilitando como assistente de acusação, justamente com a finalidade de falar no dia do julgamento que o acusado não pagou a indenização fixada pelo juízo da vara cível. “Béja, não faça isso, pelo amor de Deus”, me respondeu o advogado. Respondi: então pague tudo ainda hoje, véspera do julgamento criminal. Então, à tarde, a mãe do atropelador, família famosíssima, foi até meu escritório e pagou tudo. E assim, aquela execução cível-indenizatória que vinha se arrastando, foi paga em menos de 24 horas.
        Abraços Oigres.
        Jorge

  9. Se é assim mesmo, sem jeito, acho que a solução é via Tom Jobim, e não falo do grande músico.
    Abçs e obrigado pela atenção e pelo excelente comentário.

  10. Bom dia Jorge, sinto muito informar que meu pai, Embaixador Aloysio Marés Dias Gomide faleceu no dia 2 de dezembro passado, sem jamais ter recebido um pedido de perdão do Mujica.
    Agradecemos, eu, minha mãe e meus irmãos pela homenagem.
    Só desejo precisar que não são meus pais na foto, são amigos, e ele, Marcos Azevedo foi quem levou o dinheiro do resgate até o Uruguay.
    Um abraço,
    Maria Beatrix Leal Penna Gomide

    • Caríssima Maria Beatrix e caríssimos irmãos.
      Dulcíssima Madrinha, Maria Apparecida Leal Pena Gomide.
      O editor do blog, jornalista Carlos Newton me enviou hoje (1º de Maio, 2016) e-mail com o texto que você postou hoje a título de comentário. Lemos, Clarinda e eu. Lemos e choramos. Tudo, tudinho está vivo em nossas mentes. Nada a agradecer. Nós, plebeus, é que agradecemos por termos sido abençoados, quando nos casamos, por um Casal Real, de quem nos tornamos afilhados, perante Deus e perante a lei. Na Certidão de Casamento estão lá as assinaturas de tão nobres padrinhos-testemunhas. Pedi ao nosso editor que me passasse seu e-mail para mandar para você, seus irmãos e à sua querida Mãe e nossa madrinha, Maria Apparecida Leal Pena Gomide, notícias nossas, fotos e esperar resposta.
      Em Cristo, Por Cristo e Com Cristo.
      Jorge, Clarinda.

  11. Carlos Newton, por favor encaminhe esta mensagem até Maria Beatrix Gomide, cujo e-mail você possui.
    Grato

    ######

    Caríssima Maria Beatrix Gomide,

    por favor, diga à sua mui querida Mãe, Maria Apparecida Leal Pena Gomide, que no dia de hoje, 4 de Julho de 2018, há 47 anos (1971), nós, Clarinda e eu, subíamos ao Altar de Cristo da Igreja Bom Jesus do Calvário da Via Sacra, na Tijuca, para receber o sacramento do Matrimônio, abençoados por seus queridos Pais, o Embaixador Aloysio Marés Dias Gomide e Maria Apparecida Leal Pena Gomide.

    E no altar, por Deus, pelo sacerdote oficiante e por nossos padrinhos, fomos abençoados e fizemos votos recíprocos de amor, de entrega, por toda a vida, votos que se mantêm íntegros, até hoje e por toda a Eternidade.

    Toda a nossa reverência e gratidão a seus pais, Embaixador Aloysio Gomide (hoje, no Paraíso) e Maria Apparecida. Vejo todos nas fotos na Igreja. Também vejo Maria Beatrix, ainda muito menina, de vestido branco, com o mesmo meigo e doce olhar de sua amada Mãe e nossa Madrinha. Vejo o Dr. Aloysio, porte majestático e semblante de ternura.

    Jorge e Clarinda

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *