Mulheres representam quase metade da sofrida população rural brasileira

Paulo Peres

O último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que mais de 14 milhões de brasileiras vivem fora dos centros urbanos. Esse número representa quase metade da população rural brasileira, ou seja, 47%. Muitas dessas mulheres são vítimas de diversos tipos de violência, além de estarem sujeitas a várias doenças ligadas aos agrotóxicos.

“Somente na Região Norte, quase 2 milhões de mulheres vivem no campo e na floresta”, segundo a coordenadora da Direção Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Rosângela Cordeiro, acrescentando que “a reivindicação mais concreta das mulheres rurais está ligada ao modelo de agricultura que prevalece no Brasil. A nossa pauta é essa discussão sobre a ocupação dos territórios e também da forma como é conduzido o modelo de agricultura no Brasil.”

Esse modelo de agronegócio, para a coordenadora, “contribui para o surgimento de outros problemas, como o aumento dos casos de mulheres vítimas de violência por disputas de terras e o grande número de doenças ligadas aos agrotóxicos utilizados nas plantações”.

Além do modelo de agronegócio, Rosângela critica as dificuldades de acesso ao crédito que as mulheres das áreas rurais enfrentam.

Em entrevista à Rádio ONU, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse que as mulheres rurais ainda enfrentam muitos desafios. Apesar de o trabalho no campo gerar riqueza e ser essencial para a segurança alimentar, a maioria delas trabalha para o próprio consumo, sem receber salário.

A ministra lembrou que “essas mulheres são as principais responsáveis pela preservação da natureza e dos conhecimentos tradicionais, mas ainda têm o menor acesso à terra, a serviços rurais e ao poder de decisão. Por isso, as políticas para as mulheres rurais fazem parte da agenda de integração regional do Mercosul”.

A coordenadora da Secretaria Nacional da Mulher Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Célia Regina das Neves, considera os desafios das mulheres extrativistas ainda maiores. Para Célia, “ essas mulheres precisam da garantia do território em condições suficientes para desenvolver a sua organização produtiva, mas não há políticas que permitam o desenvolvimento das atividades, como transporte e capacitação”. Esta é a realidade.

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