Multinacionais aproveitam o desmonte da Petrobras e já extraem 27% do petróleo brasileiro

Charge di Amorim (site da Aepet)

Andreza de Oliveira
Site da Aepet

Em meio a menor participação da Petrobras no setor estratégico de petróleo e gás, com privatizações e vendas de ativos, gigantes multinacionais encontraram a oportunidade ideal para adentrar o terceiro maior segmento responsável por atividades econômicas no Brasil.

Aumentando exponencialmente seus desinvestimentos desde 2014, a petrolífera brasileira tem se desfeito de suas participações em campos terrestres, focando em atividades no polígono do pré-sal, na região Sudeste – o que ocasionou uma ociosidade e queda de cerca de 27% da participação da empresa no setor brasileiro de petróleo e gás. 

AVANÇO DAS RIVAIS – Não por acaso, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a iniciativa privada, somada às maiores petrolíferas estrangeiras que atuam no Brasil, como a Shell, Sinopec, Total e Petrogal, já respondem por 27% de toda produção nacional do setor petrolífero. 

Para suprir a lacuna deixada pela Petrobrás, a maior atuação de multinacionais é até vista como uma solução positiva da perspectiva de alguns pesquisadores. Entretanto, o avanço do processo privatista da estatal já provocou o desligamento de mais de 37 mil trabalhadores próprios por meio de programas de demissão voluntária.

De acordo com o balanço anual da Petrobras, divulgado no fim do último ano, desde 2014 a empresa sofreu uma redução de 43% de seu quadro efetivo de funcionários, passando de 86.108 para 49.050 trabalhadores.

PERDE MÃO DE OBRA – Economista e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), na Unicamp, Marilane Teixeira explica que, ao desligar parte dos trabalhadores, a estatal rompe com uma mão de obra qualificada e com habilidades altas devido às necessidades da companhia.

Na visão da pesquisadora, as empresas multinacionais, além de não terem obrigatoriedade em recolocar os brasileiros no mercado de trabalho, podem priorizar os maiores cargos a um quadro efetivo vindo de fora e ofertar à população nacional vagas com menos benefícios.

“Essas empresas não terão problema em contratar trabalhadores com salários mais baixos, com menos direitos e reduzir o nível de qualificação, se comparado ao que os petroleiros da Petrobras adquiriram nos últimos anos”, afirma.

SALÁRIOS MENORES – Responsável pela Federação Única dos Petroleiros no Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e também economista, Cloviomar Cararine corrobora com Marilane Teixeira sobre a menor qualidade das vagas ofertadas aos brasileiros por multinacionais.

“Quando acompanhamos os acordos coletivos dessas empresas do setor privado, os benefícios são piorados se comparados à Petrobras, como menores salários e maiores exposições à risco”.

Para ele, também não existe uma garantia de que as grandes petrolíferas estão comprometidas com a geração de emprego no Brasil e a maneira como essas companhias agregarão mão de obra brasileira dependerá da estratégia adotada por cada empresa. “A geração de empregos vai depender muito dos investimentos e estratégias que as empresas multinacionais adotarão, porque elas não necessariamente estão investindo aqui”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs defensores da privatização devem estar extasiados com a notícia. Venderam a pedra de que os preços iam cair com a concorrência, mas aconteceu o contrário — aumentou o lucro das multinacionais. Ah, Brasil! Aliás, os caminhoneiros estão muito satisfeitos com essa política e se preparam para nova greve nacional., (C.N.)

14 thoughts on “Multinacionais aproveitam o desmonte da Petrobras e já extraem 27% do petróleo brasileiro

  1. Investimento mínimo pelo lucro máximo, todos os bônus para ele$ e o resto que de dane com os ônus, é a lei do cão enquanto essência do capitalismo selvagem, desumano, vale tudo pelo lucro, é lei que convém à horda de psicopatas loucos por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$…, que dominam o mundo.

  2. Os caminhoneiros estão certíssimos. Os políticos interesseiros, que enganam o povo e só pensam em si próprios, todos puxa sacos do imbecil que nos preside, juntamente com toda a parte sensata da população desse país sofredor, iremos impedir que esse louco seja reeleito, já que as FFAA não fazem nada.

  3. Privatiza tudo! Inclusive a Petrossauro!

    Esses estatistas querem nos mandar de volta para o tempo dos faraós egípcios, na esperança de arrumar uma boquinha de “fiscal do sarney” pra fiscalizar preços.

    • Isso mesmo, Turíbio, precisamos privatizar tudo, principalmente a área de energia.

      Uma empresa,como a Petrobrás, que permite ser assaltada como foi pelo PT, e confessada pelos próprios funcionários à operação Lavajato, não pode mais continuar na mão de qualquer governo, sobretudo de esquerda.

      Todo o prejuízo que deu ao país essa famigerada estatal, foi pago com a miséria do povo brasileiro, e seus funcionários continuam a ganhar a mesma dinheirama que antes da roubalheira assistida e ajudada por eles mesmos sob a batuta do PT e dos seus comparsas.

      Quem é contra a privatização, Ou não tem idéia do que seja o ambiente de roubalheira nas estatais ou é beneficiário.

  4. Renuncias fiscais, redução conteúdo nacional, além da venda de patrimônio por preço aquém do valor . Coisas que os privatistas a qualquer custo adoram.

    Os efeitos colaterais nocivos são ignorados.

  5. O guru de Bolsonaro, Paulo Chicago Guedes Boi, certa feita teve de se deslocar de carro em Brasília.

    Carro blindado, seguranças, policiais lhe dando proteção, batedores ao lado do seu veículo, e lá foi o ministro.

    Pouco tempo depois a caravana ministerial para.
    Guedes pergunta ao seu motorista:
    – Choffeur, o que houve?
    – Excelência, a estrada está em conserto, Em seguida nos liberam.

    Guedes foi e voltou.
    Ao chegar no ministério convocou uma reunião urgente com seus diretores.
    Imediatamente saiu cuspindo fogo:
    – Quero saber que merda é essa de Emobrás!
    Continuava em altos brados:
    – Que bosta de estatal é a Emobrás que desconheço, caso contrário eu já a teria privatizado?!

    Os assessores se olham, balançam os braços, semblantes entre a surpresa e confusão.
    Um deles, o mais corajoso, exclama:
    – Excelência, onde foi que viu esta estatal?
    – Vocês não sabem, bando de idiotas??
    E segue na sua revolta e indignação:
    – Pois vi o cartaz desta estatal Emobrás!
    – Excelência, mas onde foi que viu essa placa?
    – Ora, seu estúpido, quando fui do Plano Piloto até Taguatinga!

    Os assessores riram, claro que moderadamente.
    Furioso, Guedes pergunta:
    -Tão rindo de quê, suas hienas?
    – Chefe, não é Emobrás que V.Exª leu, pois está escrito EM OBRAS!!

    A ânsia de Guedes é tanta por privatização, que é bem capaz de propor vender os palácios NA CAPITAL FEDERAL:
    Planalto, Itamaraty, Alvorada … e, claro, a tal da Emobrás!

  6. Em outro episódio, o nosso ministro-privatista, que residiu muitos anos fora do Brasil, viajava junto com Bolsonaro no avião presidencial!

    Não se lembrando mais do imenso território nacional, durante bom tempo esteve olhando pela pequena janela da aeronave.
    Não contente com o que via, chama o comissário de bordo:
    – Ei, seu inútil, vem cá.
    O servidor foi rápido o quanto possível, pois correr no corredor é difícil.
    – Sim, Excelência.
    – Pergunta para o piloto que altura estamos voando?

    O comissário foi e voltou rápido.
    – Excelência, o comandante disse que estamos a 35 mil pés de altura.
    Guedes se vira para Bolsonaro, e diz:
    – Porra, Bolso, eu sabia que o Brasil era grande, mas não tão alto!!

  7. Na área do petróleo, viramos uma Angola.
    Se ao menos fossem obrigados a fabricar os equipamentos da área aqui no Brasil, mas, nem isso.
    Tudo é fabricado lá fora.
    Outro dia vi no noticiário um capitão indiano, desembarcando e indo para Macaé.
    Logo teremos virus delta o suficiente para acabar a desintegração.

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