Multiplicação de penitenciárias federais, abuso de Poder, desrespeito aos estados, só possível na Federação, não na Confederação

Ontem, sem que soubéssemos o que escreveríamos (Carlos Chagas e este repórter), no mesmo blog levantamos questão quase igual. Eu falava das diferenças entre CONFEDERAÇÃO e FEDERAÇÃO. Muita gente já se insurgiu: “É a mesma coisa, divergem em raros casos ou questões”. Não é assim, se fosse, por que existiriam as duas políticas ou formas de governo?

No mesmo dia, Carlos Chagas, competente sempre, e atualizado, registrava o absurdo de construção de penitenciárias em cidades de grande população e até mesmo capitais. Foi um tiro certeiro do jornalista e professor atingiu o alvo, mas ninguém tomará qualquer providência.

É evidente que essas penitenciárias, sempre com nomes de grandes personalidades, são necessárias, até indispensáveis, as populações crescem, os criminosos também, este não é um fenômeno brasileiro e sim universal. Essas prisões não “regeneram” ninguém, na verdade, dão aos criminosos a competência ou a experiência que lhes faltava, elementos perigosos revoltados com o tratamento que recebem.

Chagas trata o assunto de total importância e já examina os prejuízos para a coletividade, e coloca a solução. 1- Quanto mais penitenciárias são contruidas, mais se comprova a necessidade de outras e outras, até que o país se transforme em enorme penitenciária.

Aqui mesmo no Rio e em São Paulo, as populações se enclausuram, não por vontade e sim por necessidade. Não existem mais casas ou apartamentos sem grades, por conta da insegurança que domina tudo, por causa da incapacidade dos governo de combater e eliminar o que chamam de “Poder paralelo”. Até a denominação é inadequada , pois sem qualquer dúvida, “Poder paralelo”, hoje, é o chamado Poder oficial, nem quero dizer PODER ELEITO.

2- As populações que moram perto (e às vezes ao lado dessas penitenciárias) têm prejuízos não só físicos e do medo até de sair de casa, mas também materiais. Suas casas ou apartamentos se desvalorizam, não podem ser vendidos ou trocados, as “autoridades” deviam ser responsabilizadas pelo que acontece.

O proprio Chagas sugere o que já deveria ter sido feito: penitenciárias na Ilha de Trindade, na selva amazônica, ou em outros locais de difícil acesso, até mesmo utilizando para a comunicação o progresso tecnológico que a cada dia se aprimora.

Só que a tecnologia não pode servir ao crime, tem que ser usada para combatê-lo. Todo dia se vê ou se lê, com estarrecimento geral: “Os crimes do Rio capital, (ou dos estados, de São Paulo e outros) foram comandados por criminosos do interior de grandes e distante penitenciárias”.

Isso é absurdo, incompreensível, inacreditável. Para que aconteça é indispensável a colaboração, e lógico, o conhecimento dos que comandam esses presídios. E sem que haja a menor dúvida, esses bandidos dominam as prisões, ninguém pode se opor a eles, transferem para dentro das prisões, o Poder que tinham do lado de fora.

Só a falta de condições para empregos melhores, faz alguém aceitar (ou até mesmo se candidatar) ser Agente Penitenciário. Bernard Shaw costumava dizer: “Numa penitenciária, o homem mais assustado é, indiscutivelmente, o seu diretor”.

A cumplicidade nas prisões é quase obrigatória: os agentes não têm condições de viver, estão sempre mais próximos da morte. O regime nessas prisões é selvagem, cruel, invencível. E muitas vezes, mais do que imaginamos, alguns que cometeram crimes menores, são colocados junto com outros, irrecuperáveis. E se transformam também em irrecuperáveis.

Numa Confederação, como nos EUA, os estados constroem suas prisões, de acordo com as necessidades, e em locais distantes da população. Como todos os cargos são preenchidos através de eleições, a preocupação é geral. O que não impede a construção de penitenciárias com altíssimo risco, como acontece em Nova Iorque. Provocando o massacre de Atica, ordenado pelo governador Rockfeller.

(Três vezes governador de Nova Iorque, sempre perseguiu a presidência da República. Quando estava mais perto de chegar, perdeu por três motivos: 1- Um, que vinha de longe, o fato de ser um Rockfeller, sobrenome odiado, que dava para governador mas não para presidente. 2- O citado massacre de Atica. 3- O fato de se apaixonar durante a campanha, e anunciar imediatamente o divórcio. Assessores e conselheiros, disseram: “O senhor vai perder a eleição”. Não havia como errar.

Essas prisões estaduais, construídas de acordo com as Constituições dos estados, nenhuma interferência do Poder Central, nos EUA, chamado de Casa Branca.

Ninguém quer comprometer a própria “visibilidade”, confiando os criminosos em locais como esses citados ou sugeridos por Carlos Chagas.

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PS- Em 1968, no famigerado AI-5, os “presidentes” resolveram prender TODOS os banqueiros de bicho, perigosíssimos, porque, como consequência do Poder financeiro, acumulavam Poder político formidável.

PS2- Resolveram então mandá-los para a Ilha Grande, um dos lugares mais bonitos e mais agradáveis do Rio. Onde quase todos eles tinham casas de verão, luxuosíssimas.

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