Mundo dos absurdos

Carla Kreefft

Tem coisas que acontecem e só acontecem no Brasil. São atos que somente podem ser compreendidos diante da cultura brasileira – já acostumada a conviver com absurdos.

Um condenado por comandar um grande esquema de corrupção recebe um convite para gerenciar um hotel. O salário oferecido a ele é de R$ 20 mil, dez vezes mais do que a pessoa que está no cargo de chefia imediata.

A história dos donos desse hotel é um outro capítulo. Um dos sócios do hotel, Paulo Masci de Abreu, é irmão de José Masci de Abreu, presidente do PTN – Partido Trabalhista Nacional – que apoiou a eleição da presidente Dilma Rousseff. Mas Masci é minoritário na sociedade. A empresa estrangeira, Truston International Inc, com sede na cidade do Panamá, é a sócia majoritária. O presidente da Truston é um panamenho de nome José Eugenio Silva Ritter, segundo reportagem divulgada pela Rede Globo.

José Eugenio Silva Ritter parece estar ligado, na condição de sócio, a mais de mil empresas. O procurador da Truston no Brasil é Raul de Abreu, filho de Paulo Masci de Abreu. É uma confusa história. E fica ainda mais confusa com a informação de que Ritter, que mora no Panamá, é um simples empregado de um escritório de advocacia naquele país e vive de forma muito simples. Esse escritório parece ser especializado em fornecer laranjas para empresas irregulares.

DEMANDA JUDICIAL

Mas não acabou aí não. Paulo Masci de Abreu, o sócio minoritário do hotel, tem uma demanda judicial com Paulo Naya, irmão do deputado falecido Sérgio Naya, aquele dono da construtora do edifício Palace II, na Barra, que desabou em 1998 e matou oito pessoas.

O prédio onde funciona o hotel era de Sérgio, que vendeu para seu irmão Paulo, logo que o imóvel voltou a ficar disponível. O edifício chegou a ficar impedido para garantir indenizações às famílias que foram vitimadas pelo desabamento do Palace II. Na condição de proprietário do imóvel, Paulo Naya vendeu 60% do imóvel para Paulo Masci de Abreu, ficando com o restante. Agora, ambos lutam na Justiça para ter o controle do hotel. Naya quer resultados melhores com seus 40%. Masci de Abreu quer preferência na compra desses 40% por já estar ocupando imóvel com o hotel.

Diante dessa confusa história, o condenado, o petista José Dirceu, afirma que vai recusar a proposta de trabalho para não complicar a vida dos empresários responsáveis pelo hotel.
Comportamento extremamente cuidadoso com os proprietários do Saint Peter.

Aí, claro, estamos no Brasil, aparece outro empresário oferecendo novas propostas de trabalho de Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Eles foram convidados para exercer funções operacionais, com remuneração inferior ao salário mínimo em vigor. Então, tá… (transcrito de O Tempo)

3 thoughts on “Mundo dos absurdos

  1. Uma coisa que os advogados dos condenados omitem deliberadamente, e cuja omissão confunde o público, é que o preso do regime semi-aberto NÃO TEM direito automático de trabalho fora do estabelecimento prisional; o seu trabalho deve ser cumprido dentro do estabelecimento (agrícola ou industrial). Os casos em que ele tem direito a saída do estabelecimento são fixados em lei e dependem de autorização do juiz de execução penal; a duração da saíde é limitada, bem como o número de saídas permitidas por ano.
    Estão confundindo o regime semi-aberto com o regime aberto, como aliás o Ministro Marco Aurélio Mello alertou dias atrás.

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