Na compra de vacinas há intermediários demais

Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

Os jornais de hoje, O Globo, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, publicam com grande destaque os trabalhos de ontem da CPI da Pandemia, e  assinalam a existência de intermediários em série concentrados num objetivo certamente muito rentável de aquisição de vacinas para combater o coronavírus.

Isso ficou nítido na reportagem de André de Souza e Adriana Mendes, O Globo, destacando o depoimento da funcionária Regina Célia, extremamente sinuoso e cheio de avanços e recuos táticos, mas deixando claro que o contrato da Covaxin era repleto de falhas, especialmente no processo de importação.

DIFERENÇA DE PREÇOS – Além disso, ela não esclareceu, o que ninguém fez até o momento, a diferença de preço da empresa indiana e dos demais laboratórios que operam na produção de imunizantes contra a pandemia. Existe uma pluralidade de empresas e a presença de Paulo Dominguetti que acrescenta o seu lado nebuloso, pois o militar, revela a reportagem de Natália Portinari, o Globo, propôs ao revendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria de Assuntos Humanitários, a doação da vacina indiana caso ele intermediasse também a negociação de 400 milhões de doses da AstraZeneca com o Ministério da Saúde.

Como se constata, Dominguetti tinha um pé na Índia e outro na AstraZeneca, focalizando o mesmo total de doses. Não se compreende, nem é possível, o que aconteceu na área da Saúde, pois o mesmo representante de duas empresas diferentes apresenta propostas de valores iguais pela mesma quantidade de vacinas que seriam importadas pelo país.

Hoje, com transmissão pela GloboNews, está depondo uma figura chave das sombras que envolvem uma operação mais do que suspeita e que traduz a certeza de que o escândalo venceu nas Esplanada de Brasília e revelou toda a fragilidade do governo Jair Bolsonaro.

COMISSÃO –  O depoimento de Roberto Ferreira Dias é fundamental, conforme estamos assistindo. Segundo a denúncia, Ferreira Dias  propôs cobrar uma comissão ilegal na base de US$ 1 de propina para cada dose da vacina Coxavin negociada da Índia destinada, segundo o intermediário Luiz Paulo Dominguetti, a um total de 400 milhões de vacinas ao preço de US$ 15 cada.

O processo transforma-se assim numa confusão propositalmente criada para enriquecer os atores da farsa que custaria um preço impossível a ser pago pelo governo brasileiro. Esses atores dispararam em matéria de projeto de corrupção que inclusive figura entre os maiores escândalos da história do país.

AFASTAMENTO DA FIESP – Numa entrevista à João Sorima Neto, O Globo, o novo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José de Alencar, governo Lula, deixa claro a necessidade de a Fiesp afastar-se politicamente do governo Bolsonaro, posição contrária à que foi assumida por Paulo Skaf, e que terminou conduzindo para segundo plano a defesa dos legítimos interesses da indústria na medida em que a aproximação neutraliza o compromisso da federação de lutar pelo desenvolvimento e pela expansão da indústria na economia brasileira.

Ainda funciona uma aproximação porque Josué Gomes da Silva somente assumirá a presidência da Fiesp em 2022. Mais um capítulo que acentua a perda de terreno do governo em uma área profundamente essencial. Destaca Josué Gomes da Silva que está havendo perda da participação da indústria na economia brasileira, hoje de forma mais acentuada nas mãos do agronegócio.

PESQUISAS – Danielle Brant e Ranier Bragon , Folha de São Paulo, revelam que o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, deixou claro que pretende colocar em votação nas próximas semanas um projeto de lei que se volta para tentar censurar a divulgação de pesquisas eleitorais ao mesmo tempo que exige taxa de acerto. O projeto é absurdo, assim como a intenção de Lira.

No fundo, o objetivo é impedir que os institutos de pesquisas prossigam divulgando números sobre as eleições de 2022 e que apresentam Lula da Silva mais de 20 pontos à frente de Bolsonaro. O absurdo está configurado em vários pontos que revelam o desconhecimento absoluto sobre os levantamentos eleitorais. Em primeiro lugar, a censura é inconstitucional. Em segundo lugar, não pode haver a exigência de taxa de acerto.

A pesquisa eleitoral é a única que pode ser comprovada publicamente na prática. Nenhuma outra pode oferecer essa confirmação. Todos nós vivemos num ciclo de aproximações e nas pesquisas eleitorais as empresas jogam o seu destino. Se errarem perdem a credibilidade.

4 thoughts on “Na compra de vacinas há intermediários demais

  1. 1) Licença… as mídias lulopetistas só reproduzem pesquisas incluindo o ex-presidente e o atual presidente. E claro, o sindicalista na frente.

    2) Não citam os demais candidatos. Isso é tratar os leitores como se fossem alienados…

  2. Fico imaginando o que fazem o pessoal das embaixadas e consulados do Brasil no exterior.
    Afinal, se temos representação nos países da fabricante, com idoneidade, que poderiam conduzir negociações diretamente, por que arrumar intermediárias? ,
    Certamente que as intermediárias não tem nenhum outro objetivo senão para Corrupção…
    O caso de compra de vacinas é emergência pública, não tem licitação, concorrentes. É ter a justificativa técnica fundamentando a escolha da vacina e pronto. Compra-se diretamente de um ou outra fabricante.

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