Na contramão do mundo, o Brasil se endivida para ampliar sua crise

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Charge do Baldinger (Arquivo Google)

Fernando Canzian
Folha

Na sequência da quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, estava em Nova York para acompanhar os efeitos da maior falência corporativa dos EUA, que pulverizou o banco com 158 anos e 25 mil funcionários. Logo estaria claro que a crise, chamada depois de Grande Recessão, duraria anos. Na chegada, olhava para cima, via os prédios de Citibank, Merrill Lynch e Bank of America e pensava: “Quebrados”.

Em questão de dias, a crise iria de Wall Street para a Main Street (a rua principal, da economia real) e arrastaria gigantes como General Motors, Ford, General Electric e centenas de empresas. O trabalho nos EUA duraria quase dois anos, e a crise, mais uns três para arrefecer. Antes, ela varreria boa parte da Europa, sobretudo os países do Sul, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.

ALÉM DAS POSSIBILIDADES – Com a chegada do euro em janeiro de 2002, essas economias se endividaram para valer com a garantia do Banco Central Europeu e viveram, assim como os americanos faziam há muito tempo, além de suas possibilidades.

Antes da crise, enquanto nos EUA comprava-se imóveis financiados sem parar e empacotava-se essas dívidas em produtos financeiros vendidos ao redor do mundo (tendo como garantia o pagamentos dos empréstimos), os europeus se endividaram para ampliar suas empresas e infraestrutura. E as famílias, para aumentar seu padrão de vida em velocidade alucinante.

A crise de 2008, que agora completa dez anos, foi, portanto, uma crise relativamente simples de entender. Apesar de cifras nos trilhões e de siglas e nomes complicados como Tarp, CPP, CDO e “subprime”, ela pode ser resumida em uma palavra: endividamento.

SOS DÍVIDAS – Bancos, empresas e famílias estavam extremamente endividados até 2008 e demandariam a maior operação conjunta da história dos principais bancos centrais do mundo (Federal Reserve e Banco Central Europeu à frente) para salvá-los.

Eles não só baixaram suas taxas de juros a níveis negativos (abaixo da inflação) como injetaram trilhões de dólares nos mercados comprando títulos de empresas e governos em dificuldades.

Foi isso o que salvou o mundo de uma depressão: os governos se endividaram para socorrer empresas e bancos.

EMPREGOS E IMPOSTOS – Já as famílias tiveram o efeito colateral positivo de não perderem mais empregos do que já vinham perdendo. E o negativo de, ao longo dos próximos muitos anos, terem de sustentar esse endividamento público com seus impostos.

Dez anos depois do início daquele desastre global, o mundo cresce de novo e, nos EUA, a discussão agora é se a economia não está quente demais. A ponto de engendrar uma nova crise a partir de mais endividamento de empresas e famílias.

Em tese, esse não é um problema difícil de resolver. E os bancos centrais de EUA e União Europeia já estão preparados para elevar os juros mais rapidamente e esfriar um pouco as coisas, antes que uma nova bolha de consumo e dívidas se forme.

MOMENTO RUIM – Infelizmente para o Brasil, esse processo se dá em um momento muito ruim, quando constatamos que perdemos mais uma década em meio a crises e baixo crescimento. E que temos pela frente uma série de ajustes a serem feitos justamente quando os países ricos precisarão esfriar um pouco, dificultando nossa vida.

Assim como ocorreu no mundo desenvolvido, nossa crise atual também é de endividamento, mas público. Hoje, o Brasil opera com um déficit fiscal de cerca de 8,5% e uma dívida de 77% como proporção do PIB.

Nosso endividamento se aproxima rapidamente da média dos países europeus. Mas, ao contrário do Brasil, eles não só já deixaram a crise para trás como têm hoje superavit em suas contas (casos de Espanha, Portugal e Itália). Pior: no Brasil, boa parte do aumento da dívida e do déficit não ocorre para nos livrar de uma crise. Mas para nos afundar ainda mais nela, pagando salários altos a algumas castas de servidores e cobrindo um sistema previdenciário em que as contas já não fecham mais.

15 thoughts on “Na contramão do mundo, o Brasil se endivida para ampliar sua crise

  1. É FATO: Não temos “governo”. O que há são quadrilhas instaladas nos três poderes com um único objetivo: DESVIAR DINHEIRO PÚBLICO.

    Diariamente a mídia informa o caos em que vive a população, sem segurança, saúde, educação ou saneamento enquanto a corrupção grassa de A a Z.

  2. Fernando Canzian … Folha … meu caro, Temer pegou o bonde andando em altíssima velocidade; se esqueceu???

    Desacelerou o que pode … porém, a Nomenklatura continua com salários que não são pagos em nenhum outro lugar terráqueo e conseguiu barrar a reforma da previdência!!!

    O senhor não acompanha o noticiário???

    • Relato simples e preciso. Até eu entendi. Subprime… nunca mais esqueço esse termo quando relembro que uma manicure americana investiu na compra de 4 apartamentos na expectativa de em curto termo lucrar na venda. Deu com os burros n’agua e perdeu tudo.
      Em nossa terra varonil, na época do subprime americano, o maior burro de que tivemos notícia na história humana era nosso presidente! E foi substituído por uma mula que em breve vai ser senadora da república.
      Não há saída possível para um país como o nosso – temos que aumentar a produção de capim gordura e arranjar estômagos duplos para digerir a celulose se quisermos que a nosso espécie (homo estúpidos convictus) sobreviva.
      Bem, deixe-me voltar para o meu Chopin e fazer algumas preces para que Deus olhe pra baixo com pena da nossa pobre gente e faça alguma mágica milagrosa para melhorar as suas vidas, como fazia o seu filho querido.

  3. “…pagando salários altos a algumas castas de servidores …”

    Alguns privilegiados já receberam a garantia do aumento… outros, os lascados, talvez em 2020.

  4. A Europa se reinventou, a China se reinventou, a Índia, a Rússia e até Cuba estão se reinventando, mas o Brasil, infelizmente, continua parado no velho lugar comum, em estado de solução de continuidade, à espera da sua própria reinvenção, frente ao avançado poderio mundial. ALIÁS, PELA SUA PRÓPRIA POPULAÇÃO, E PELA SUA PRÓPRIA REINVENÇÃO, O BRASIL ATÉ QUE SAIU ÀS RUAS, EM JUNHO DE 2013, aos gritos de “sem partidos, sem partidos, sem golpes, e sem violência”, à evidência, estava e continua flertando com a Revolução Pacífica Redentora, da política, da nação e da população, com a ruptura face ao $istema político apodrecido protagonizado pelo partidarismo eleitoral, o golpismo ditatorial e seus tentáculos, velhaco$, como propõe há mais de 20 anos a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, com começo, meio e fim, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, a reinvenção do Brasil, à moda reinvenção da Eurpoa-mãe, porque evoluir é preciso. MAS os oportunista$ do $istema apodrecido que nunca se dão por achados, nem se fazem de rogados, nem mesmo quando pegos no flagra com as respectivas bocas nas botijas, sempre de plantão, ante o vácuo de poder demonstrado pelo povo nas ruas, resolveram então reinventar mais um golpe em prol do continuísmo da mesmice do velho $istema apodrecido que já morreu, desnorteou de vez o país e deu no que deu, zebra total, seguido de mais uma eleição dos me$mo$, e o pior dos mundos para elle$, os golpistas, será um segundo turno entre Bolsonaro X Haddad, ou Ciro, ou pior ainda, entre Ciro X Haddad, castigo em dose dupla para os golpistas, que tb repõe tudo outra vez ao status quo ante ao golpe, mas que, infelizmente, tb não resolve a questão da necessária reinvenção do Brasil levada às ruas do país, pelo próprio povo brasileiro, desde Junho de 2013, direta e certamente. https://www.brasil247.com/pt/247/poder/368563/Kotscho-ganhe-quem-ganhar-o-que-vir%C3%A1-depois.htm

    • Ora, prezado Loriaga, o Brasil foi feito para os ladrões! O Brasil pode até está ruim, mas os ladrões estão bem, obrigado! O Brasil foi feito para servir aos ladrões.
      Olhe agora o rebuliço que está causando a eleições de um de fora do sistema e que não cooptou com eles!

  5. HORA DE CONSULTAR A ILUSTRE SENADORA E
    O RENOMADO APENADO PRA SE MANIFESTAR
    SOBRE O PALPITANTE TEMA eles na qualidade de pais da criança
    E O BONEQUINHO DE VENTRÍLOQUO, O INFERNANDO HADDAD que já devia estar atrás da grade ANUNCIANDO QUE IRÁ CONTINUAR AS MERITÓRIAS PRÁTICAS DOS DOIS, gastando tudo que tem e o que não tem (e o TSE e os jornalistas fazendo cara de paisagem)

  6. Antes de culpar a previdência ou as castas de marajás do serviço público, temos necessariamente que culpar os péssimos gestores que colocamos onde estes jamais deveriam ter estado. Quem elege políticos como Dilma, Fernando Collor, etc. É tão culpado quanto seus eleitos. E ainda temos um processo eleitoral em que não temos como confiar que seus eleitos foram verdadeiramente escolhidos pelo eleitor. O resultado é o que dá na tela e ponto. Não adianta prejudicar o todo na intenção de conseguir acertar os privilegiados. Existe como resolver estas pendências? Só não existe, ainda, solução para um problema. Basta que as pessoas certas estejam onde precisam estar. A coisa se fará de forma instantânea? Impossível! Não sem traumas e muita injustiça sendo cometida, deixando sequelas irreversíveis e um exército de revoltados, como herança.

    • -Verdade!

      Veja a lista dos chefes de quadrilhas que nos governaram:
      -Sarney, Collor, Fernando, Lula e Dilma. Esses são os homens que administraram a economia do país nos últimos anos. O que vocês esperavam que acontecesse?
      -Só se salva da lista de bandidos o nobre ITAMAR FRANCO, que se tornou presidente por acaso, sem que a corja que nos assalta esperasse ou quisesse.

      • Bem colocado Francisco. Só se salvou Itamar Franco. O bandido do Molusco ainda teve um governo razoável por causa das commodities que nos deu um colchão de dólares que Meirelles soube usar para evitar os ataques ao cambio. Fora isso, só terror.

        • …com todo mundo comprando e comendo fiado, o governo dele foi maravilhoso!
          -Só foi ruim na hora de pagar a conta sem ter de onde tirar o dinheiro.

  7. Não adianta bla bla bla, temos que cortar os salários altos dos funcionários públicos e das estatais que são as principais causas de endividamento, aliados à corrupção e a incompetência dessa gente que só se preocupa com seus interesses mesquinhos, e lançaram o país na maior crise, isto, lógico, que se aprofundou com os últimos governos esquerdistas de fhc, luyiz inácio e dilma.

    Temos que agradecer a Temer que ajudou a expulsar a bandida burra e trapalhona, e porque conseguiu frear a inflação e os juros, ambos disparando que estavam no governo da guerrilheira de araque, quando na verdade era a dedo duro da tropa dos bandidos comunistóides de merda.

    Agradeçamos ao Bom Deus que nos livrou da corja do PT, caso contrário, já estaríamos num processo de venezualização com nossos recursos vazando para os países de ditadores amigos do luiz inácio e da dilmalandra.

    A justiça no Brasil tarda , falha, mas temos muitos Moros para corrigir, e ajudar a colocar o apedeuta vagabundo no seu devido lugar, juntamente com o bandido maior do Rio de Janeiro que já somam juntos quase 150 anos de cadeia.

    Fato impensável a uma década atrás quando os dois bandidos aliados fizeram o “diabo”(roayalts para dilmalandra) para trazerem a copa dos imundos e a olímpíada dos corruptos para o nosso país, lançando-nos na maior tragédia econômica financeira da nossa história, com consequências trágicas para as populações menos favorecidas, justamente as que mais ajudaram a colocar os dois bandidos na presidência e na governadoria do Rio de Janeiro.

    Portanto, precisamos varrer do mapa esse pau bem mandado chamado hadad, e a burra autêntica engarrafadora de vento mal cheiroso que não passam de fantoches de bandido frouxo.

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