Na convenção do PSDB, quem roubou a cena foi Roberto Jefferson, presidente do PTB. Serra aceitou um acordo e vai presidir o Conselho Político do partido, que parece não significar nada, e na verdade não significa nada mesmo.

Carlos Newton

É inacreditável, mas José Serra, ao invés de lutar na Convenção do PSDB para presidir o partido e se manter com visibilidade político-eleitoral, acabou aceitando comandar o Conselho Político do PSDB – órgão que nem existe, ainda será criado para acomodá-lo em um cargo de comando da sigla, e na verdade não terá importância alguma.

Depois de desistir da presidência do partido, possibilidade que nem chegou a ser aventada na Convenção, Serra pretendia comandar o Instituto Teotônio Vilela, o centro de estudos políticos do PSDB, que também não possui nenhuma importância. Mas o grupo do senador mineiro Aécio Neves insistiu na manutenção do ex-senador cearense Tasso Jereissati na presidência do Instituto, e surgiu um estranho impasse acerca de quase nada.

Por isso, durante três horas Serra, Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador paulista Geraldo Alckmin e o deputado pernambucano Sérgio Guerra (depois, reeleito para a presidência do partido) se reuniram a portas fechadas em busca do acordo.

Enquanto rolava a reunião dos cinco principais integrantes do partido, a Convenção seguia animada, com o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, sentado à mesa principal e roubando a cena, enquanto diversos oradores se sucediam na tribuna.

Depois do acerto, para demonstrar uma unidade que de fato não existe, Serra, Aécio, FHC e Sérgio Guerra chegaram juntos à convenção, mas sem Alckmin. E entraram de braços dados no auditório principal. Serra se postou ao lado de Aécio durante os discursos e foi citado pelo senador mineiro como um homem de grande “estatura moral”, que Deus nos perdoe.

Em seu discurso, Serra não mencionou Aécio nem Alckmin, não deu uma palavra sobre o caso Palocci, mas fez ataques ao governo Dilma Rousseff. “Cada vez mais a ocupante da Presidência da República governa cada vez menos, e o que não foi eleito [ex-presidente Lula] governa cada vez mais”, afirmou.

Detalhe final: Serra evita tocar no assunto do caso Palocci, porque também tem uma consultoria milionária, na qual ficou riquíssimo oferecendo informações a empresários de todo tipo, inclusive grandes conglomerados multinacionais. Quer dizer, Serra não tem a menor condição moral de atacar o chefe da Casa Civil. E isso ele já deixou bem claro, desde que surgiu a primeira denúncia de enriquecimento ilícito do chefe da Casa Civil.

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