Na Copa do Mundo, todos os adversários são difíceis, ninguém vence na véspera

Resultado de imagem para Copa do mundo chargesPedro do Coutto

É isso. As partidas são decididas no gramado, até hoje time algum ganhou na véspera. A história esportiva está cheia de exemplos, mas a maioria dos torcedores continua baseando suas impressões conforme a maior ou menor força teórica dos adversários de sua equipe. Na edição deste sábado, reportagem de Carlos Eduardo Mansur e Tatiana Furtado, O Globo, focalizou com destaque merecido o sorteio das chaves que envolvem a disputa pela Taça do Mundo de 2018 na Rússia. O Brasil, cabeça de chave como é natural, enfrentará na primeira fase Suíça, Costa Rica e Sérvia.

Aparentemente, a Seleção Brasileira se destaca como grande favorita à classificação, sobretudo porque das quatro seleções duas passarão para a etapa seguinte. Mas em Copa do Mundo todos os adversários são difíceis, devendo nosso time estar preparado para todas as jornadas difíceis que terá pela frente.

TIME VENCEDOR – Seleção firme é aquela que não escolhe adversários, estando pronta para enfrentar quaisquer batalhas dentro do gramado mágico marcado por quatro linhas clássicas. Torcer para que nos deparemos com escretes mais fracos, psicologicamente revela um sentimento de temor que não deve ter lugar em Copas do Mundo.

Por falar em temor, nós, brasileiros, não devemos deixar de registrar nossa surpresa com a ausência de Marco Polo Del Nero do sorteio de sexta-feira em Moscou, ocasião em que foram sorteadas as diversas chaves da competição.

O presidente da CBF foi o único ausente entre os dirigentes das representações dos diversos países. Eu falei em temor. Del Nero deu mostras de temer sua prisão pela Interpol na ação que o FBI encaminha a Justiça dos Estados Unidos. Del Nero foi vice de José Maria Marin, que se encontra em prisão domiciliar em Nova Iorque aguardando julgamento pela Justiça norte-americana.

FACE OCULTA – A corrupção no futebol mundial revelou a face oculta de negócios e de dirigentes. Quando surgiram os direitos de transmissão, emergiram também negociatas sem fim. Mas deixemos de lado os ladrões e voltemos ao fascinante universo do futebol.

Ninguém vence na véspera, no início do texto me referi a exemplos que sustentam a afirmação. Ei-los aqui: o Brasil perdeu para o Uruguai na final de 1950. A Hungria perdeu na final de 1954 para a Alemanha. O escrete húngaro havia eliminado o Brasil por 4X2 na disputa em Genebra. Na final da Taça de 74, a Holanda, chamada Laranja Mecânica, foi derrotada pela Alemanha por 2X1. Outros exemplos poderiam vir na sequência destes, como a vitória da Argentina em 78 em Buenos Aires. Mas os alinhados são suficientes. Quais as razões do fenômeno?

A principal delas é que no futebol a tática é capaz de neutralizar a técnica e até a arte. Além disso, o futebol é o único esporte em que o adversário pode interferir diretamente no desempenho de outro.

BRASIL x URUGUAI – Aconteceu em 1950, no Maracanã, Estádio Mário Filho, a Seleção uruguaia usou a estratégia de só marcar o time brasileiro a partir do espaço entre o meio campo e sua linha intermediária. Criou o quarto zagueiro, Gambeta; recuou o ponta esquerda Moran. Nascia o primeiro 4.3.3 da história. Na frente Gighia, Miguez, Schiafiano.

Faltou espaço ao time brasileiro para suas ações de ataque. Sobrou a liderança extraordinária de Obdulio Varela. O capitão uruguaio a todo momento balançava a camisa pedindo empenho e amor aos companheiros. Sua atuação foi fundamental. Mas isso é passado.

Vamos suar a camisa na Rússia, dignificando as heranças marcadas pelas vitórias em 58, 62, 70, 94 e 2002. O Brasil é o único país que participou de todas as Copas do Mundo. E é o único pentacampeão mundial. Foram momentos inesquecíveis. Alguns personagens, como Pelé, estão vivos para relembrar. Outros já se foram, como o inesquecível Garrincha, e estão torcendo por nossa vitória na eternidade.

8 thoughts on “Na Copa do Mundo, todos os adversários são difíceis, ninguém vence na véspera

  1. Desculpe o jornalista, mas na crise que estamos vivendo, o principal é votar bem em 2018. Carnaval so depois que melhorar e futebol apenas como prática saudável. Precisamos manter o foco para não cair em armadilhas, pois, duvidem ou não, até a Copa é usada politicamente. Porque será que as principais eleições no Brasil sempre acontecem logo após a Copa?

    • Daniela

      “votar bem em 2018”

      Pergunto:
      Em quem?
      Bolsonaro terá de ser um ditador se quiser construir alguma coisa, caso contrario será engolido pela quadrilha.
      E por último, botar seu sagrado votinho numa ratoeira!

      Pensar em eleição é postergar uma situação que nunca deveria ter acontecido, mas aconteceu e que era para ter sido aniquilada a anos.

      Vocês fazem o Brasil ser o que é…

  2. Brasileiro já foi craque, quando jogava como brincadeira, mas com o envolvimento de altas granas no futebol deixou a pelada pra se tornar comerciante.
    E dos bons, já vendeu 2 copas…

    sanconiaton

    PS
    Quem viu a copa de 70, sabe do que estou falando.

  3. Prezado jornalista :
    Sua frase é brilhante : ” Seleção firme é aquela que não escolhe adversários ! ” Depois que a imprensa criou a imbecilidade a que deu o nome de Grupo da Morte, toda vez que há sorteio os comentaristas televisivos gastam horas e horas com esta bobagem. Volto ao seu texto “… torcer para que nos deparemos com escretes mais fracos, psicologicamente revela um sentimento de temor que não deve ter lugar em Copas do Mundo “.
    Acrescento eu que fique em casa e se prepare para a próxima Copa aquela Seleção que quer evitar ou escolher adversários.
    Parabéns pelo texto.

  4. Transformar o Maracanã em circo foi a pá de cal no futebol vistoso do nosso país, isso se confirma com a derrota dos”jogadores estrangeiros” que perderam de 7 a 1 para a medíocre seleção da Alemanha, e que se esta jogasse com o Vasco que perdeu a copa de 1950, tomaria de 10.
    Não gostaria nem de falar de futebol nesse momento trágico que o Brasil está vivendo, pois lembrando que esse candidato feio e ladrão chamado lula, foi o maior responsável pela demolição do estádio que representava para nós a maior tragédia do futebol mundial, com o time imbatível do Vasco sendo derrotado para a ridícula seleção do Uruguai.
    Só tem uma explicaçã: a camisa do Vasco no futebol é muito maior que a camisa da seleção, basta dizer que o mesmo time do Vasco foi lá no Uruguai e deu uma coça no Peñarol de 3 a 0, pois era o time base que ganhou no Maracanã da seleção. Mas do Vasco não ganharam.
    Sem Vasco não tem copa, e sem Maracanã, agora e sempre teremos São januário, verdadeiro templo do futebol.
    Viva o Vasco da Gama que lutou com o negro, o pobre e o trabalhador, vencendo todos os rivais, e ostenta até hoje, durante 90 anos, o título de “Maior Estádio Privado da Mais linda Cidade do Mundo”.

    • Chororô por derrota ocorrida 67 anos atrás é ótimo. Mas novidade mesmo é a nova desculpa pela amarelada geral do “Vasco de 50”, que culminou no frangaço de Barbosa no segundo gol uruguaio: a culpa é da camisa da seleção. Adorei!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *