Na CPI da Covid, Exército teme exposição de militares que atuam no Ministério da Saúde 

Da dir. p/ a esq., Pazuello, Elcio Franco, Luiz Otávio Franco Duarte,d o Ministério da Saúde 11/11/2020 Foto: Jorge William / Agência O Globo

O fato é que o Ministério foi militarizado, mas não funcionou

Paula Ferreira, Leandro Prazeres e Jussara Soares
O Globo

A confirmação de que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello vai prestar depoimento à CPI da Covid e a possibilidade de que outros integrantes do núcleo duro da pasta durante sua gestão possam ser convocados aumentou a pressão sobre o Palácio do Planalto e as Forças Armadas. Pontos sensíveis na atuação da “tropa de Pazuello”, que já estão na mira de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) e também serão rastreados pela comissão, preocupam os dois núcleos.

Ex-auxiliares de Pazuello estão envolvidos na demora para a aquisição de vacinas, na compra e estímulo ao uso de remédios ineficazes para combater o novo coronavírus e na falta de controle do estoque de oxigênio hospitalar e de medicamentos necessários à intubação, entre outros pontos que serão explorados pelos senadores. A atuação — ou, em alguns casos, a omissão — aparece em documentos e em declarações públicas ao longo da pandemia.

TROPA DE CHOQUE – O grupo mais próximo a Pazuello tem seis integrantes: o coronel do Exército Élcio Franco, que foi secretário-executivo, segundo posto na hierarquia da pasta; o coronel e ex-secretário de Atenção Especializada Luiz Otávio Franco Duarte; o marqueteiro Marcos Soares, conhecido como Marquinhos Show; a secretária de Gestão do Trabalho, Mayra Pinheiro; o secretário de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti; e o ex-assessor Airton Antônio Soligo, conhecido como Airton Cascavel. Pazuello se referia a parte dos auxiliares de confiança como “os condenados”.

A caserna teme que o envolvimento de oficiais na gestão da Saúde traga danos significativos à imagem do Exército e, diante da crise, militares ainda acompanham a CPI com relativa distância, mas admitem que poderão mudar a estratégia ao longo dos trabalhos da comissão.

A principal diretriz é evitar que a imagem das Forças Armadas seja afetada pelas ações de oficiais em cargos civis.

NÃO SERÁ ABANDONADO – Uma fonte da cúpula do Exército disse que, mesmo acompanhando o assunto ainda de longe, a instituição deverá prestar algum tipo de auxílio a Pazuello e outros militares que forem arrolados na CPI. “A gente não abandona ninguém pelo caminho”, disse o oficial.

Ainda não está definido, no entanto, se o grupo será preparado por assessores militares antes dos depoimentos à CPI. Por outro lado, o Palácio do Planalto já organizou os treinamentos, como O GLOBO antecipou.

A tendência é que, conforme as convocações forem concretizadas — o depoimento de Pazuello ocorrerá na quarta-feira —, grupos especializados passem a monitorar o assunto diretamente. Procurado, o Ministério da Defesa disse que caberá à Assessoria Parlamentar da pasta acompanhar o assunto.

PLANALTO SE RESGUARDA – Se o discurso entre os militares é de cautela, no Planalto já foram feitos movimentos claros de proteção a Pazuello, que, recentemente, viajou duas vezes ao lado do presidente Jair Bolsonaro. O aliado Élcio Franco foi nomeado para o cargo de assessor especial da Casa Civil, comandada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, general da reserva. Na função, ele vai ajudar a coordenar o trabalho do grupo que está organizando informações e dados sobre a atuação do governo federal. Na prática, o militar, que tocava o dia a dia da Saúde, ganhou um cargo para se dedicar a fazer a defesa do grupo de Pazuello na pasta.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não adianta tanta preparação, com “treinamento” dos militares que vão dar depoimento. O fato concreto é que Bolsonaro militarizou a Saúde. Apenas isso. Agora, vem a rebordosa. (C.N.)

9 thoughts on “Na CPI da Covid, Exército teme exposição de militares que atuam no Ministério da Saúde 

  1. As Forcas Armadas temem o que? Até agora, que se saiba, ninguém pediu para o Pazuello não ir prestar depoimento na CPI. O general vai tirar de letra.

  2. “A caserna teme que o envolvimento de oficiais na gestão da Saúde traga danos significativos à imagem do Exército….”

    Cuma?

    Sério?

    Senhores militares, o dano já está feito.

    A imagem de vocês já está mais do que emporcalhada, e não se limita ao bosta do Pazuello, um vagabundo que só ocupou o cargo de Ministro da Saúde, por ser o que é: um bundão invertebrado.

    Pazuello apenas cumpria ordens de um monstro negacionista, coisa que Mandetta e Teich recusaram-se a fazer.

    E vocês não conseguiram limpar sua imagem com plantações vagabundas de agrojornalistas.

    Não lhes causou vergonha vem um general de Exército como Luiz Eduardo Ramos se prestando ao teatrinho ridículo de simular um diálogo em que insinua ter sido obrigado e esconder que tomou a vacina, só pra não desagradar o capitãozinho bunda-suja?

    Na hipótese (remotíssima, próxima de zero) desse diálogo ter sido verdadeiro, vocês acham que isso contribui para a imagem de vocês?

    Exército tá preocupadinho com a exposição dos milicos?

    Vão largar as mais de 10 mil tetas que ocupam na Administração Civil, senhores milicos?

    NARRATIVA: “O Exército se preocupa com a imagem da corporação, levando em conta o que pode ser revelado pela CPI”

    REALIDADE: “O Exército apóia o governo de um vagabundo negacionista”

      • EM TEMPO II:

        A recente entrevista de Fabio Wajngarten à VEJA indica a tentativa covarde e vagabunda de se jogar toda a culpa do desastre da condução na pandemia sobre Pazuello.

        Não vai funcionar.

        Façamos justiça aos fatos: Pazuello, com toda a sua sabujice, era Bolsonaro no Ministério da Saúde. E Bolsonaro, com toda a sua podridão moral, é o Exército no governo.

        • Clap, clap, clap!

          É bom ver as palavras empregadas na função básica de (de)mostrar que um gato é um gato e um rato é um rato; policial militar é uma coisa, miliciano é outra; militar é uma coisa, milico é outra.

  3. Olha aí a origem do Ódio dos intelectualoides aos Militares. Olavo tem razão quando fala desses ….

    Stephen Kanitz

    A História Não Contada de 1964

    Por que intelectuais, jornalistas, historiadores, professores e escritores tem tanto ódio dos militares brasileiros?

    A razão jamais divulgada, até hoje, é essa.

    Uma semana depois de assumirem o governo, os militares patrocinaram uma emenda constitucional que se tornaria o maior erro deles.

    Promoveram a emenda constitucional número 9 de 22 Julho de 1964, e logo aprovada 81 dias depois.

    Essa emenda passou a obrigar todo jornalista, escritor e professor deste país a pagarem imposto de renda, algo que nenhum destes faziam desde 1934.

    Pasmem.

    Este é um dos segredos mais bem guardado pelos nossos professores de história, a ponto de nem os novos militares, jornalistas, professores de história e escritores de hoje sabem o que ocorreu de fato.

    Além de serem isentos do IR, jornalistas tinham financiamento imobiliário grátis, vôos de avião grátis, viviam como reis.

    Nenhum livro de história, nenhum jornalista de esquerda jamais irá lhes lembrar que o Artigo 113, 36 da Constituição de 1934 e repetido no artigo 203 da constituição de 1946, rezava o seguinte.

    203 .“Nenhum imposto gravará diretamente a profissão de escritor, jornalista ou professor.”

    Por 30 anos foi uma farra, algumas faculdades vendiam diplomas de jornalista “até arcebispo era jornalista.”

    Por 30 anos esse favoritismo classista era um nó na garganta de nossos médicos, enfermeiras, bombeiros, polícias e militares, que se sacrificavam pelos outros sem reconhecimento.

    Que mérito especiais tinham esses privilegiados, além a de poderem chantagear governos, que muitos faziam.

    Especialmente os privilegiados de esquerda, pois o Imposto de Renda é o imposto que por definição distribui a renda dos mais ricos para os mais pobres.

    Hipocrisia intelectual maior não há.

    Até a família Mesquita entrou na justiça pleiteando a isenção dos lucros do Estadão, alegando que os lucros advinham de suas profissões de jornalistas.

    Só que com esta medida os militares de 1964 antagonizaram, em menos de dois meses de poder, toda a elite intelectual deste país.

    Antagonizaram aqueles que até hoje fazem o coração e as mentes dos jovens.

    “Grande parte dos jornalistas que tiveram suas crônicas coletadas para este livro, Alceu de Amoroso Lima, Antônio Callado, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Heitor Cony, Edmundo Moniz, Newton Rodrigues, Otto Lara Resende, Otto Maria Carpeaux, entre outros, foram aqueles que logo se arrependeram do apoio dado ao golpe.”

    Essa gente apoiou a luta pela democracia, ela só se tornou golpe depois da PEC que tirou seus privilégios classista.

    “Jornalistas apoiaram o regime, mas antes dele fazer aniversário de um ano, já eram adversários do regime que ajudaram a instalar”, continua Alzira Alves.

    Só por que mexeram no bolso dos jornalistas e historiadores, dos intelectuais a professores, numa medida justa, democrática, e que combateu a má distribuição da renda, que esses canalhas incentivavam.

    Se os militares fossem de fato de direita, como jornalistas, professores de história e escritores não pararam de divulgar, eles teriam feito o contrário.

    Eles se incluíram nesta lista classista.

    Mas foram éticos e não o fizeram.

    Jornalistas também não pagavam imposto predial1, imposto de transmissão1, imposto complementar2, isenção em viagens de navio, transporte gratuito ou com desconto nas estradas de ferro da União, 50% de desconto no valor das passagens aéreas e nas casas de diversões.

    Devido a estas isenções na compra de casa própria, a maioria dos jornalistas tinha pesadas dívidas, e a queda de 15% nos seus salários causou sérios problemas financeiros e familiares.

    Some-se a inflação galopante que se seguiu, o baixo crescimento do PIB, e levaria uns 10 a 15 anos para esses jornalistas, escritores e professores recuperarem o padrão de vida que tinham antes.

    O “golpe” que os militares causaram foi esse.

    Contra os intelectuais e não contra a nação.

  4. Que imagem? incompetência, inaptidão para qualquer tipo de combate? Quem não deve não teme, um bando de frouxos, vaquinhas de presépio, desfilando com suas fardas e mosquetões ultrapassados, principalmente o Zé Ruela sem máscara no shopping, excluindo os praças da FEB, nenhum milico brasileiro sabe o que é uma guerra.Força de paz no Haiti?A polícia de Michigan encara gangues de rua todos os dias…

Deixe um comentário para Roberto Marques Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *