Na CPI, Dominguetti tentou envolver Luís Miranda na venda de vacinas, mas foi desmentido na hora

Em pronunciamento, à mesa, representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira

Dominguetti tentou uma manobra, mas foi logo desmentido

Julia Chaib, Renato Machado e Raquel Lopes
Folha

A CPI da Covid ouviu nesta quinta-feira (1º) o depoimento do vendedor Luiz Paulo Dominguetti Pereira, oficial reformado da PM de Minas, que afirmou em entrevista à Folha ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro.

Dominguetti atuou como representante da empresa Davati Medical Supply. Ele afirma que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar em um restaurante em Brasília no dia 25 de fevereiro. Dias foi exonerado do cargo na última terça (29).

ÁUDIO ANTIGO – Durante o depoimento à CPI, Dominguetti reafirmou a oferta de propina e apresentou um áudio que teria recebido de outro representante da Davati e disse que o deputado Luis Miranda tentava intermediar a compra de vacina.

Ao saber que tinha sido citado, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) foi à CPI e afirmou a jornalistas que o áudio apresentado é antigo e se trata de uma negociação para vender luvas e não comprar vacinas.

Miranda explicou a jornalistas que o áudio é datado de 15 de outubro do ano passado. E se refere a uma negociação envolvendo sua empresa nos Estados Unidos e se tratava do fornecimento de luvas para o mercado americano. “Resta saber quem plantou esse cara na CPI”, disse.

PEDIR A PRISÃO – Miranda afirmou que vai fazer uma ata notarial do áudio e que em seguida vai pedir a prisão de Luiz Paulo Dominguetti Pereira.

Luís Miranda e seu irmão, o servidor da Saúde Luís Ricardo Miranda, estão no centro das denúncias de irregularidades na contratação da vacina Covaxin, que atingiram o governo. O parlamentar disse à CPI da Covid que levou as suspeitas ao presidente Jair Bolsonaro e implicou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). (Julia Chaib, Renato Machado e Raquel Lopes)

APREENSÃO DO CELULAR – O senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a apreensão do celular do empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que prestou depoimento nesta quinta-feira (1) à CPI da Covid.

Dominguetti  se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, e disse em entrevista exclusiva à Folha na terça-feira (29) que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A manobra de Dominguetti para blindar Bolsonaro e desqualificar os irmãos Miranda foi bastante ardilosa, mas o depoente não esperava que o deputado Luís Miranda comparecesse imediatamente à CPI para desmenti-lo. E a guerra das versões vai ficando cada vez mais emocionante. (C.N.)

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