Na dependência de dois debates

Carlos Chagas

Debate ganha eleição? Depende. Há quem diga que John Kennedy tornou-se presidente dos Estados Unidos depois de bater Richard  Nixon num entrevero na televisão. Como até hoje se argumenta  que Fernando  Collor foi para o palácio do Planalto por haver-se preparado melhor do que o Lula no segundo debate de 1989.

Como também existem os que negam propriedades miraculosas a esses já tradicionais encontros entre candidatos às vésperas do pronunciamento do eleitorado, melhor ficarmos em cima do muro: os   debates  entre Dilma Rousseff e José Serra, segunda-feira, na TV-Record, e  sexta-feira, na TV-Globo, poderão mudar os presumidos resultado das urnas de domingo. No reverso da medalha, poderão confirmar as previsões feitas pelos institutos de pesquisa, de vitória da candidata do PT.

Se por hipótese Serra brilhar e Dilma perder-se, será   possível  imaginar muitos eleitores mudando seu voto. Mas a ponto de inverter o rumo dos ventos?  Parece difícil, ainda que não impossível.

Quanto ao conteúdo das inquirições entre a companheira e o tucano, novidades não devem ser esperadas. A ladainha é  a mesma desde que se defrontaram  no início da campanha pelo primeiro turno, na TV-Bandeirantes. O baixo índice de audiência  dos diversos debates  realizados até agora revelou resultado  sofrível, para não dizer lamentável. Serra e Dilma limitaram-se aos chavões que nada esclarecem, muito menos  detalharam alternativas de ação futura. Só resta aguardar.

ACOMODAÇÕES

Ajeitam-se os institutos de pesquisa, agora que falta uma semana para a eleição. Eles vinham  favorecendo a hipótese de um empate técnico entre Dilma Rousseff e José Serra, refletindo  a vontade e  os interesses da maioria  dos veículos de comunicação, seus parceiros.  Sem a menor dúvida os jornalões e as principais redes televisivas trabalhavam  e ainda trabalham em favor do candidato tucano, certamente por receio da incógnita que pode representar   a companheira.  Sem que os números tivessem influenciado as tendências, no entanto, os institutos caíram em si  quando verificaram a vantagem permanente de Dilma sobre o adversário.  Insistir num equilíbrio inexistente seria prejudicial à própria  sobrevivência, no caso das empresas pesquisadoras.

Sendo assim, desde o início da semana que Ibope, Datafolha, Vox Populi  e  Sensus vem prevendo a vitória de Dilma por margem de dez a doze pontos sobre José Serra. Pode até ser que esses resultados  não se concretizem, mas, por via das dúvidas, alinham-se todos. Resta aguardar a única e  verdadeira pesquisa, a própria eleição…

POR ENQUANTO VALE O FICHA LIMPA

Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral vem confirmando a vigência da lei ficha limpa nas eleições do dia 3, considerando inválidos os votos dados a candidatos antes condenados pela Justiça, o Supremo Tribunal Federal mantém o suspense. Até agora não decidiu, mas ao apreciar recurso de algum ficha suja precisará fatalmente definir-se: a lei irá retroagir para prejudicar, mesmo em se tratando  de lambões? Ou só poderá ser aplicada nas eleições de 2012?

Presume-se que a falta de uma decisão por parte da  mais alta corte nacional de justiça continue  debitada  ao empate de 5 a 5 entre  seus ministros. Não deixará de ser constrangedor caso o Supremo nada resolva até o dia 31, mas pior ficará se apenas  depois do segundo turno  das eleições vier a palavra final do Supremo, tanto faz para lá ou para cá.

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