Na disputa internacional, os EUA não foram vencedores, a União Soviética é que foi derrotada. Por imprudência, incompetência, inconseqüência. Não percebeu o objetivo e o alcance do Plano Marshall.

Ricardo Lopes: “Helio, é preciso colocar as coisas em ordem. Os EUA estão aí, a URSS quebrou 30 anos depois e Bush foi recebido com flores”.

Comentário de Helio Fernandes:
Ricardo,  a URSS quebrou nos anos 80, mas começou a ser derrubada em 1944, em Bretton Woods. Acabaram com o ouro, “inventaram” a moeda sem lastro e sem garantia, que não por acaso, era o dólar, moeda dos EUA.

Aí, passaram a fabricar (na cidade de Omaha, com máquinas gigantescas, dois tipos de dólar. O verdadeiro, que circulava internamente, e o falso, que financiava o que bem entendiam, logicamente no exterior.

Stalin não percebeu nada. Kruchev, a partir de 1952 (morte de Stalin), só se preocupou em demolir, destruir e desalojar todos os monumentos que “engrandeciam o guia genial”.

Talvez não fosse heresia acabar com a “adoração” a Stalin, que na verdade foi um carrasco completo. Mas era indispensável que a União Soviética “prestasse atenção” na atuação dos EUA. O Plano Marshall foi uma jogada inteligente e audaciosa dos americanos, mas ninguém na União Soviética percebeu.

O primeiro cheque de “ajuda à Europa”, que chegou em 1947, foi de 13 BILHÕES DE DÓLARES, na época montanha de dinheiro. E continuou chegando, nenhuma generosidade, amor à coletividade ou espírito de solidariedade. Foi apenas reconhecimento da realidade, e a utilização do que foi decidido em Bretton Woods, sem participação da União Soviética. Que só soube do que acontecera, muito tempo depois.

Registre-se: a Segunda Guerra Mundial ainda não acabara, a “rendição incondicional” só aconteceria em 8 de maio de 1945, repetindo o 11 de Novembro de 1917. No mesmo vagão ferroviário de Versalhes.

A Europa totalmente destruída, humilhada, faminta e sem futuro, se renderia à União Soviética. Dominando a Europa, a União Soviética dominaria o mundo. Os americanos perceberam o fato, e imediatamente tomaram providências.

O próprio Stalin, que mal sabia ler e escrever, era um gênio em matéria de tomada e manutenção do Poder. Mas não sabia mais nada. Uma das sábias lições de Marx: “O regime socialista não se aguentará se ficar restrito a um país”.

O órgão encarregado disso na URSS era o  Kominform. Stalin acabou com esse órgão internacionalizado, criou o Komintern, de âmbito interno.
(Notem: nem Marx falava em marxismo, só dizia Socialismo, que seria o objetivo principal e a grande conquista).

Não satisfeitos, os americanos implantaram a “Guerra Fria”, a maior farsa da História moderna. Os EUA se divertiam, perseguiam seus objetivos, a União Soviética se enterrava. Calmamente os EUA foram jogando a União Soviética na luta para ver quem tinha MAIS E MELHOR ARMAMENTO.

A União Soviética ingênua e amargamente foi “derrotando” os EUA nas “conquistas militares”. Os soviéticos construíram submarinos nucleares, antes dos americanos. Não perceberam que tudo isso era planejado. E de que adiantavam submarinos que não podiam ser utilizados? Os soviéticos foram os primeiros a irem ao espaço, não foram à Lua, mas Gagarin foi quem disse, “visto lá de cima, a terra é azul”.

Os soviéticos “progrediam” empurrados pelos americanos, mas esse progresso não servia ao povo, só aumentava o poderio americano. Não conseguiam fabricar um liquidificador, importavam automóvel, o que construíram, (o Lada) era uma carroça desprezível.

Chega, Ricardo, quando os soviéticos constataram que 70 por cento do orçamento estava comprometido em armamento, não aguentaram mais. A União Soviética “acabou”, muita gente lá de dentro já sabia, enriqueceram de forma fantástica.

O arsenal de armamento da União Soviética levou quase três anos para ser liquidado. A guerra Irã-Iraque foi combatida com armamento soviético dos dois lados. Logo depois da União Soviética desaparecer, na lista dos 100 homens mais ricos da revista Forbes, 17 eram ex-comunistas, que sabiam de tudo, participavam desse “haraquiri” militar que mudou o mundo. São os chamados BILIONÁRIOS, que deveriam ser identificados como TRILIONÁRIOS.�

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PS – Isso é história pura, Ricardo, e nunca fui simpatizante. Quando aos 13 anos entrei na revista “O Cruzeiro”, (que se transformou na maior de todos os tempos) não era nem pensava em ser jornalista. Apenas um emprego melhor. Mas tinha que acontecer.

PS2 – Desculpe, Ricardo, não entendi a razão das flores para Bush. Podia ter ido primeiro para o canastrão-delator Reagan, para o Bush pai (ficou só 4 anos), até mesmo para o Clinton. Para o Bush propriamente dito? Desculpe, não dá.

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