Na essência da “racionalidade” nacional, a solução será legalizar a corrupção

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Charge do Néo Correia (Arquivo Google)

Percival Puggina
Gazeta do Povo

Não, leitor, não se espante com a mais recente pesquisa do Ibope. No Brasil é assim. Ninguém confia em pesquisas eleitorais, mas todo mundo fica esperando por elas e as aprova ou desaprova conforme o resultado expresse ou não o seu desejo. A pesquisa reflete nossas idiossincrasias.

O país vive uma terrível insegurança? Chama o partido que não gosta da polícia, que defende penas curtas, desencarceramento e bandido na rua. A corrupção levou até as moedinhas? Chama os ladrões. A política ficou tão suja que precisaria de uma faxina geral? Acaba com a Lava Jato, reelege os patifes, expurga os mais sérios, manda Sergio Moro fazer um curso de secagem de dinheiro no exterior.

RACIONALIDADE – Estou mergulhando na essência da “racionalidade” nacional. Faltam recursos financeiros para o futebol, para o esporte olímpico, para os hospitais? Crie o governo um joguinho e tome dinheiro dos trouxas. Transforma-se o país, então, numa sinecura em que se institucionalizaram as mais criativas maneiras de lucrar com a esperança dos miseráveis. Cometem-se, segundo é dito, alguns milhões de abortos por ano? Encarregue-se o governo de executar a chacina com as luvas esterilizadas da irresponsabilidade pessoal.

O Estatuto da Criança e do Adolescente define como crime “fornecer, vender, ou dar para transportar, ainda que inadvertidamente”, bebida alcoólica a menores? Malgrado a lei, a mais desatenta passagem por qualquer dos points das madrugadas urbanas, frequentados por jovens cada vez mais jovens, evidenciará, no teor alcoólico que emana das calçadas, o descumprimento da legislação. Quem sabe a solução esteja, também, em atribuir ao governo a venda de bebidas alcoólicas às crianças?

E AS DROGAS? – É o que pretendem, em número crescente, os defensores da legalização das drogas e de seu comércio. Converteram-se elas em flagelo social? Incumba-se o governo de produzi-las e servi-las em bandeja à farra dos usuários. Afinal, alega-se, a repressão é inútil e só tem servido para enriquecer o submundo do crime.

É dito hipócrita quem discorda da hipocrisia da legalização. Se tais motivos fossem válidos, dada a recorrência e todos os riscos envolvidos nos crimes de sequestro, seria de sugerir a esses iluminados legisladores sua regulamentação. Com pagamento de impostos, claro.

CONCLUSÃO – Sou forçado a concluir, diante do ninho de esperanças e desesperanças das pesquisas eleitorais, que é chegada a hora de legalizarmos a corrupção. Segundo os extravagantes critérios morais em vigor, ela alcançou entre nós um nível de tolerância, quando não os aplausos de fã-clube, que tornou rotunda “hipocrisia” combatê-la. Com a legalização, os tributos estabelecidos permitirão que, em vez de perdermos 100%, recuperemos uma boa terça parte do que nos levam. E os mercados dormirão em paz.

São tolices que fazem lembrar Tito Lívio, sobre a Roma de seu tempo: “Chegamos a um ponto em que já não podemos suportar nossos vícios nem os remédios que os poderiam curar”.

17 thoughts on “Na essência da “racionalidade” nacional, a solução será legalizar a corrupção

  1. “Cala a boca, general” falha e Mourão ataca de novo o 13°

    Na Folha, o registro de que, assim que o Ibope “deu um gás” no otimismo da direita, o General Mourão correu a criticar o 13°salário, mesmo depois de ter ouvido um “fique quieto” público de Jair Bolsonaro.

    Agora, com um remendo, dizendo que é a favor de sua substituição por salários melhores e em dia : “Se você recebesse seu salário condignamente, você economizaria e teria mais no final do ano. Essa é minha visão. Não pode acabar [o 13º]. O que eu mostrei é que tem que haver planejamento. Você vê empresa que fecha porque não tem como pagar.”

    O 13° é obrigatório, claro, o salário melhor é “de mercado” e hoje, francamente, só um louco veria nele disposição para pagá-lo.

    E não há porque imaginar que pagando diluído no salário, com todos os encargos em que isso faz que incidam (férias, FGTS, aumento nas indenizações de demissão, etc – algo fosse ficar mais barato para o empresário.

    A proposta não tem nem viabilidade, nem lógica.

    Só a uma coisa se presta: deixar claro a Bolsonaro que general não obedece a capitão.

    O problema é que a insânia que levou a isso já quebrou faz muito a hierarquia e a disciplina.

    Agora, também quebra o decoro que se exige nas relações entre um presidente e um vice.

    https://goo.gl/QaTGW2

    Fala mais Mourão!!
    O povão quer saber!!

  2. Nenhuma pesquisa, inclusive a de boca de urna, consegue antecipar o resultado das eleições com exatidão, simplesmente por causa das abstenções e dos votos brancos e nulos, incluindo o cancelamento dos títulos eleitorais por ausência da realização da biometria.

    Portanto, um candidato precisa ter uma vantagem considerável nas pesquisas para ter uma relativa tranquilidade.

    Isso estamos falando de candidatos a cargos executivos como Presidente ou Governador.

    No máximo pode-se prever os Senadores que serão eleitos.

    Quando se trata de deputados federais ou estaduais, os resultados são imprevisíveis.

    Acredito que nem eles tem pesquisas confiáveis sobre suas candidaturas.

  3. “Os Barbalho sorriem (O ANTAGONISTA)

    Brasil 02.10.18 11:20

    No início deste ano, prevendo seu desgaste junto ao eleitorado paraense, Jader Barbalho cogitou se candidatar a deputado federal. Foi convencido a tentar a reeleição e agora lidera a corrida ao Senado.

    Seu filho, Helder Barbalho, ex-ministro de Michel Temer, pode ganhar no primeiro turno para o governo do estado.

    Pois é.”

  4. Gostamos tanto do Estado que agora só falta isto mesmo, legalizar a corrupção porque não podemos com ela. E as drogas porque também não conseguimos acabar com elas. Não ensinamos os nossos filhotes a beberem em casa, aí enchem a cara nos bares da moda. Vivemos em um país de contrastes muito profundos, poucos de nós não corromperam alguém para se livrar de uma multa qualquer.

  5. Pois é…

    “O país vive uma terrível insegurança? Chama o partido que não gosta da polícia, que defende penas curtas, desencarceramento e bandido na rua.”

    -Percebe-se, de antemão, que OS PROBLEMAS DO BRASIL NÃO CAUSADOS PELOS POLÍTICOS. Os problemas do país SÃO CAUSADOS PELOS BRASILEIROS ou, quando pouco, por uma boa parcela dos nossos conterrâneos.

    -Os atuais políticos são apenas os sintomas, a doença, a infecção, as consequências do comportamento e das escolhas feitas pelos eleitores. Veja, por exemplo, a preferência do eleitorado em Alagoas e no Rio de Janeiro.

    -Portanto, é perda de tempo tentar melhorar a classe política sem que antes ocorra alguma melhora da personalidade e do caráter dos membros da população jabuticaba, seja feita pelo AMOR, seja feita pela DOR, mesmo que admitir tal fato ou dizê-lo em público seja considerado RACISMO ou PRECONCEITO.

    -É isso.

  6. No Brasil , a corrupção já é legalizada , é institucionalizada e tutelada por leis e pelos capitães do mato incumbidos de aplica – las .

    • Vicente Quinane
      os políticos somente a utilizam no meio em que vivem, comem e dominam.
      Nas ruas, a corrupção graça!
      Claro que estiou falo de corrupção em geral – muitos acham que só os políticos e dinheiro é corrupção.
      Todo o descumprimento de qualquer coisinha ou lei é corromper. Daquele que faz que trabalha ao que passa sinal fechada, estaciona em local proibido e tudo mais, está presente a corrução.
      O ruim é que tem muito cidadão/corrupto apontando para os outros.
      É triste mas é a verdade.
      Fallavena

  7. O primeiro contato do brasileiro com a corrupção é na hora do seu nascimento e o ultimo , somente a pós seu sepultamento . Todo sistema é corrompido , esta tudo dominado e obriga o cidadão se corromper.
    Na religião , na escolas , na saúde , na segurança e em todos seguimentos da sociedade , a corrupção e institucionalizada . Triste , mas realidade.

  8. Em termos velados, já estão defendendo, sim, a legalização da corrupção, quando culpam a Lava Jato pelos problemas econômicos do país.

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