Na janela de Adalgisa Nery, o farol da Ilha Rasa brilhava como a vida

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Adalgisa, retratada pelo amigo Portinari

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery pelo casamento com o pintor Ismael Nery, no “Poema ao Farol da Ilha Rasa” fala sobre o aviso e a vigilância que as cores emitidas pelo farol tinham na sua vida.

POEMA AO FAROL DA ILHA RASA
Adalgisa Nery

O aviso da vida
Passa a noite inteira dentro do meu quarto
Piscando o olho.
Diz que vigia o meu sono
Lá da escuridão dos mares
E que me pajeia até o sol chegar.
Por isso grita em cores
Sobre meu corpo adormecido ou
Dividindo em compassos coloridos
As minhas longas insônias.
Branco
Vermelho
Branco
Vermelho
O farol é como a vida
Nunca me disse: Verde.

One thought on “Na janela de Adalgisa Nery, o farol da Ilha Rasa brilhava como a vida

  1. O Farol da Ilha Rasa é pura lindeza: verde. Para homenagear Adalgisa Nery, vou postar uma lindeza de um catador:

    Catador de Lindezas – Rita Maldana

    “Eu venho de lá onde o bem é maior.
    De onde a maldade seca, não brota.
    De onde é sol mesmo em dia de chuva e chuva chega como benção.
    Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.
    Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.
    Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.
    Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.
    Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança, e os mais velhos são confiança e sabedoria.
    Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde lar acolhe para sempre como o coração de mãe.
    Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho.
    Eu venho de lá, e não estou sozinha, “sou catadora de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.
    Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar, não esqueço de onde venho e vou sempre querendo voltar.
    Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto à maços de alfazema e alecrim. Há sim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho…
    Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo, tem sim, é fácil encontrar.
    Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho. Este lugar pulsa amor, é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente querer e buscar.”
    (Rita Maidana).

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