Na lista de Fachin, 29 senadores, 42 deputados, 10 governadores e muito mais

EXCLUSIVO: A lista de FachinBreno Pires
Estadão

Além de nove ministros do governo Temer, o relator Edson Fachin, determinou a abertura de inquérito contra 29 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas –como mostram as 83 decisões do magistrado do STF, obtidas com exclusividade pelo Estado. O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não aparecem nesse conjunto porque não possuem mais foro especial.

OUTROS INVESTIGADOS – O Estado teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril. Também serão investigados no Supremo um ministro do Tribunal de Contas da União, três dos dez governadores incriminados e 24 outros políticos e autoridades que, apesar de não terem foro no tribunal, estão relacionadas aos fatos narrados pelos colaboradores.

Os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e Romero Jucá (RR), presidente do PMDB, são os políticos com o maior número de inquéritos a serem abertos: 5, cada. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado, vem em seguida, com 4.

DELAÇÃO DA ODEBRECHT – As investigações que tramitarão especificamente no Supremo com a autorização do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, foram baseadas nos depoimentos de 40 dos 78 delatores.

Os relatos de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, são utilizados em 7 inquéritos no Supremo. Entre os executivos e ex-executivos, o que mais forneceu subsídios para os pedidos da PGR foi Benedicto Júnior, (ex-diretor de Infraestrutura) que deu informações incluídas em 34 inquéritos. Alexandrino Alencar (ex-diretor de Relações Institucionais) forneceu subsídios a 12 investigações, e Cláudio Melo Filho (ex-diretor de Relações Institucionais) e José de Carvalho Filho (ex-diretor de Relações Institucionais), a 11.

Os crimes mais frequentes descritos pelos delatores são de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e há também descrições a formação de cartel e fraude a licitações.

IMUNIDADE DE TEMER – O presidente da República, Michel Temer (PMDB), é citado nos pedidos de abertura de dois inquéritos, mas a PGR não o inclui entre os investigados devido à “imunidade temporária” que detêm como presidente da República. O presidente não pode ser investigado por crimes que não decorreram do exercício do mandato.

Lista. Os pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram enviados no dia 14 de março ao Supremo. Ao todo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF 320 pedidos – além dos 83 pedidos de abertura de inquérito, foram 211 de declínios de competência para outras instâncias da Justiça, nos casos que envolvem pessoas sem prerrogativa de foro, sete pedidos de arquivamento e 19 de outras providências. Janot também pediu a retirada de sigilo de parte dos conteúdos.

Entre a chegada ao Supremo e a remessa ao gabinete do ministro Edson Fachin, transcorreu uma semana. O ministro já deu declarações de que as decisões serão divulgadas ainda em abril. Ao encaminhar os pedidos ao STF, Janot sugeriu a Fachin o levantamento dos sigilos dos depoimentos e inquéritos.

 

18 thoughts on “Na lista de Fachin, 29 senadores, 42 deputados, 10 governadores e muito mais

  1. Fiquei surpreso, confesso.

    No entanto, comprova a minha afirmação de que não existe parlamentar honesto, todos, sem exceção, são corruptos, inclusive os que não estão nesta lista.

  2. Temos que render homenagens à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

    Apesar da atuação do STF, o Brasil ainda vai limpar toda essa imundice!

  3. Há poucos dias, quando a emissora dos Marinho transmitiu como ‘furo’ essa lista de delatados, informou sobre suposto repasse de R$ 4 milhões ao PDT de Leonel Brizola. Como se baseou em disse que disque, obviamente não teve como provar. Daí a pergunta, cadê o informante?

    De outro lado costuram ‘acordão’, apesar de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negar é no mínimo estranho ele sendo assim bem tratado num site conhecidamente lulista. http://www.brasil247.com/pt/247/poder/289894/FHC-prega-di%C3%A1logo-em-v%C3%ADdeo-p%C3%B3s-golpe.htm

    Repórter​ do Estadão Online diz que lista do ministro Edson Fachin atinge em cheio coração do governo Temer… Mas tem? Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Fachin determinou a abertura de inquérito contra nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas –como mostram as 83 decisões do magistrado do STF, obtidas com exclusividade pelo Estado.

    O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF.

  4. Como é que pode, o presidente do PMDB não saber quais doações eram dirigidas ao partido, é muito estranho, estamos diante de um governo onde seus principais ministros estão envolvidos na lava jato, não tem mais força para fazer reformas, pois já não tem tanto apoio, pobre Brasil, mesmo sendo maior que todos sempre sofre com péssimas gestões e corrupções que se alastram em todo o país.

  5. Semana Santa vai ter igrejas lotadas de políticos ajoelhados, rezando, contritos, às bênçãos dos Céus por não constarem da lista do Fachin…

    Será a primeira e única, ou ainda irá aparecer outras do mesmo porte ?… pelo andar do andor, irá esvaziar o Congresso, com as honradas exceções de alguns poucos…

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