Na mesa de Rodrigues Alves

Sebastião Nery

Atrás de uma mesa quadrada e amarela, sentado numa cadeira com cara de trono, no Palácio Bandeirantes, em São Paulo, o governador Paulo Egídio (1975 a 1979) me apontou, bem à sua frente, o retrato de Rodrigues Alves, ex-governador e ex-presidente da República:

– Está ali Rodrigues Alves. Esta cadeira não é a mesma, mas a mesa é. Ele dizia: “Quem tem força não sou eu. Quem tem força é esta cadeira”.

Paulo Egídio estava no começo do mandato, nomeado pelo general Geisel. Contei-lhe que, da última vez em que tinha estado naquela sala, o então governador Abreu Sodré (1967-1971), nomeado pelo general Castelo Branco, e já no final do mandato, me disse:

– Eu posso não fazer o sucessor que quero. Mas nesta cadeira não se senta quem eu não quiser.

Meses depois, estava sentado ali o governador Laudo Natel (1971 a 1975), adversário e inimigo pessoal de Sodré.

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PAULO EGÍDIO

Paulo Egídio balançou o rosto gordo, num gesto muito seu, e sorriu:

– Por isso é que não vou repetir os erros deles. Não vou querer continuar governador nos quatro anos seguintes. São Paulo acabou com o ademarismo, o janismo, o sodresismo, o laudismo, os “ismos” todos que andavam por aí. Não tenho candidato a governador e não terei. A Arena de São Paulo é um partido ecumênico. Meu governo é um governo ecumênico, tem representantes das várias lideranças. Tenho os números todos. Hoje ninguém tem maioria na convenção da Arena, para ser candidato a governador. Delfim é um candidato forte. Nada tenho contra ele e pode ser o meu candidato. É meu amigo há 25 anos. Em determinado instante disputamos uma mesma posição e eu fui o governador. Mas não seria isso que iria abalar uma amizade de tanto tempo. Delfim é dinâmico e muito capaz. Se for o candidato, terá todo o meu apoio”.

O indicado pelo general Figueiredo foi Laudo Natel. E o escolhido, rebeldemente, pela convenção da Arena, foi Paulo Maluf.

Duas sucessões descadeiradas.

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LULA

Em tempo de eleição municipal, é sempre bom recordar o que aconteceu na anterior. E a verdade histórica é esta: – o grande derrotado de 2008.  De todos os que fazia questão de eleger, elegeu um só: Luis Marinho, de São Bernardo. Um postezinho de segunda categoria.

1. – Perdeu São Paulo, a maior cidade do País, com sua candidata, Marta botoqueira, dostoievskianamente humilhada e ofendida na maior derrota da história das eleições paulistas e paulistanas: 60% a 39%.

2. – No Rio, o candidato do PT de Lula teve 4% no primeiro turno. No segundo, ele teve que engolir o candidato do governador Sergio Cabral, seu aliado do PMDB (dividido em três, no Rio), que só ganhou por 1% dos votos com o também peemedebista Eduardo Paes, que chamou Lula de “chefe da quadrilha” e denunciou os negócios dos filhos do presidente.

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AÉCIO

Em Belo Horizonte, Lula também teve que deglutir Marcio Lacerda, do PSB, o candidato de Aécio Neves, do PSDB, eleito de virada : 59% a 40%. O PT de Lula e do prefeito Fernando Pimentel mal conseguiu pôr a cara de fora na campanha.

Em Salvador, quarto colégio eleitoral do País, onde o PT apareceu com o deputado Walter Pinheiro, Lula e o governador Jaques Wagner perderam de 58% a 41% para João Henrique, do PMDB.

Em Porto Alegre, quinto colégio eleitoral, também “de cara limpa” com a petista Maria do Rosário, Fogaça derrotou Lula e o PT: 59% a 41%.

Dos seis maiores colégios eleitorais do País, Lula e o PT venceram só no quinto e no sexto: em Recife, com João Costa, e em Fortaleza com Lusianne, de quem Lula não gosta, vetou em 2004 e ela também não gosta.

Os dois já tinham as prefeituras e os apoios dos dois governadores, Eduardo Campos e Cid Gomes, do PSB, bem avaliados, foram fundamentais.

O que sobrou para o PT pelo resto das 27 capitais? – Vitória (Espírito Santo), com João Coser, apoiado pelo governador Paulo Hartung, PMDB; Rio Branco (Acre), com Raimundo Angelim; Porto Velho (Rondônia); com Roberto Sobrinho; Palmas (Tocantins), com Raul Filho.

Todas essas capitais, juntas, não valem uma cidade de São Paulo.

 

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