Na poesia de Casimiro de Abreu, saudade dos meus amores e da minha terra

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O poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860) nasceu em Barra de São João (RJ) e foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, conforme o poema “Saudades”, em que os amargores são prantos cheios de dores, através da saudade dos seus amores e da sua terra.

SAUDADES
Casimiro de Abreu

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então – proscrito e sozinho –
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
Saudades – dos meus amores
Saudades – da minha terra!

5 thoughts on “Na poesia de Casimiro de Abreu, saudade dos meus amores e da minha terra

  1. Não dá. O poeta de hoje, se julgado pela sua obra, era um caixão de pessimismo e tristeza. Na vida há muitas coisas belas e úteis para se empregar o tempo precioso que não para e não volta. Ficar olhando as estrelas que cintilam nas águas serenas do mar é não ter uma mulher ao lado para juntos fazerem amor e verem o sol brilhar antes do dia amanhecer. Ó tempos idos e não vividos…

  2. Deus – Casimiro de Abreu

    Eu me lembro! eu me lembro! – Era pequeno
    E brincava na praia; o mar bramia
    E erguendo o dorso altivo, sacudia
    A branca escuma para o céu sereno

    E eu disse a minha mãe nesse momento:
    “Que dura orquestra! Que furor insano!
    “Que pode haver maior que o oceano,
    “Ou que seja mais forte do que o vento?!” –

    Minha mãe a sorrir olhou p’r’os céus
    E respondeu: – Um Ser que nós não vemos
    “É maior do que o mar que nós tememos,
    “Mais forte que o tufão! Meu filho, é – Deus!” –

    • O cara era pequeno e brincava na praia – conclue-se que era uma criança como qualquer outra. Mesmo assim ele disse á sua mãe: “que dura orquestra, que furor insano…” (Nunca ouvi nenhum criança pensar dessa maneira. Furor insano…)

  3. Casimiro de Abreu, um dos poetas que morreu jovem, vitimado pela doença da época – a tuberculose. Seus poemas falam da saudade, da infância, da família e do amor.

    MEUS OITO ANOS – Casimiro de Abreu

    Oh! que saudades que tenho
    Da aurora da minha vida,
    Da minha infância querida
    Que os anos não trazem mais!
    Que amor, que sonhos, que flores,
    Naquelas tardes fagueiras
    À sombra das bananeiras,
    Debaixo dos laranjais!
    Como são belos os dias
    Do despontar da existência!
    — Respira a alma inocência
    Como perfumes a flor;
    O mar é — lago sereno,
    O céu — um manto azulado,
    O mundo — um sonho dourado,
    A vida — um hino d’amor!
    Que aurora, que sol, que vida,
    Que noites de melodia
    Naquela doce alegria,
    Naquele ingênuo folgar!
    O céu bordado d’estrelas,
    A terra de aromas cheia
    As ondas beijando a areia
    E a lua beijando o mar!
    Oh! dias da minha infância!
    Oh! meu céu de primavera!
    Que doce a vida não era
    Nessa risonha manhã!
    Em vez das mágoas de agora,
    Eu tinha nessas delícias
    De minha mãe as carícias
    E beijos de minhã irmã!
    Livre filho das montanhas,
    Eu ia bem satisfeito,
    Da camisa aberta o peito,
    — Pés descalços, braços nus
    — Correndo pelas campinas
    A roda das cachoeiras,
    Atrás das asas ligeiras
    Das borboletas azuis!
    Naqueles tempos ditosos
    Ia colher as pitangas,
    Trepava a tirar as mangas,
    Brincava à beira do mar;
    Rezava às Ave-Marias,
    Achava o céu sempre lindo.
    Adormecia sorrindo
    E despertava a cantar!
    …………………………..
    Oh! que saudades que tenho
    Da aurora da minha vida,
    Da minha infância querida
    Que os anos não trazem mais!
    — Que amor, que sonhos, que flores,
    Naquelas tardes fagueiras
    A sombra das bananeiras
    Debaixo dos laranjais!

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