Na poesia de Henriqueta Lisboa, os olhos tristes indicam que é hora do adeus

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Henriqueta Lisboa

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985) nasceu em Lambari, MG, em 1901 e morreu em Belo Horizonte em 1985. Filha de João de Almeida Lisboa, deputado federal, e de Maria Rita Vilhena Lisboa, foi poeta, tradutora, ensaísta e, ainda, docente de literaturas hispano-americana e brasileira e de literatura geral. No soneto “Olhos Tristes”, tem a sensação de uma despedida através de renúncias repetidas.

OLHOS TRISTES
Henriqueta Lisboa

Olhos mais tristes ainda do que os meus
são esses olhos com que o olhar me fitas.
Tenho a impressão que vais dizer adeus
este olhar de renúncias infinitas.

Todos os sonhos, que se fazem seus,
tomam logo a expressão de almas aflitas.
E até que, um dia, cegue à mão de Deus,
será o olhar de todas as desditas.

Assim parado a olhar-me, quase extinto,
esse olhar que, de noite, é como o luar,
vem da distância, bêbedo de absinto…

Este olhar, que me enleva e que me assombra,
vive curvado sob o meu olhar
como um cipreste sobre a própria sombra.

2 thoughts on “Na poesia de Henriqueta Lisboa, os olhos tristes indicam que é hora do adeus

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