Na primeira reunião pós-recesso, CPI da Petrobras tem bate-boca

hinji Tsuchiya durante tomada de depoimento do empresário para a CPI da Petrobras (Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente da Mitsui não fala português nem conhece Cunha

Deu na Agência Brasil

A reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, a primeira após o recesso parlamentar, foi marcada por bate-boca entre o presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-RJ), e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Delgado criticou a convocação dos empresários da Samsung e Mitsui, justificando que a medida retira o foco das investigações da Operação Lava Jato. “Critiquei aqui essas convocações, assim como a convocação da advogada [Beatriz] Cata Pretta, isso é desviar o real objetivo das investigações”, disse.

No depoimento, o presidente da empresa Mitsui no Brasil, Shinji Tsuchiya, disse não ter conhecimento de que a empresa tenha se envolvido com qualquer ação ilícita na Petrobras. Apenas admitiu que um funcionário da empresa procurou o lobista Júlio Camargo para saber do que se tratava o requerimento apresentado pela então deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ) contra a empresa japonesa. De origem japonesa, Tsuchiya está há pouco tempo no Brasil e compareceu à reunião da CPI acompanhado de um intérprete.

TRANSPARÊNCIA

Motta respondeu a Delgado que todas as convocações foram feitas em conjunto e que ele não tinha poder de interferir nas decisões do colegiado. “Essa presidência age com total transparência e não vai permitir ilações a esse respeito”, rebateu.

Delgado também criticou o sigilo em torno dos resultados das investigações da empresa Kroll, contratada pela CPI para identificar e apurar movimentações financeiras, no exterior, de pessoas investigadas pela Lava Jato. “Fica parecendo que a comissão está usando isso como cortina de fumaça para outros fins”, disse.

INSINUAÇÃO

No início de julho, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou os arquivos da Kroll como reservados, colocando-os sob sigilo pelo prazo de cinco anos, até 2020, conforme prevê a Lei de Acesso à Informação. “Ele passou por cima da CPI, essas informações são da CPI, não da Presidência da Câmara”, criticou Delgado. “Não vou admitir esse tipo de insinuação”, retrucou Motta.

Em seguida, Motta anunciou que será feita uma reunião do colegiado para debater o caso da Kroll, inclusive a prorrogação do contrato. “Fico feliz em ouvir que vamos abrir a caixa-preta da Kroll”, afirmou o deputado Ivan Valente (Psol-SP), que cobra a divulgação do plano de trabalho da empresa. “Não sabemos nem quem eles estão investigando, e isso é feito com dinheiro público”, acrescentou.

DEPOIMENTOS

A reunião desta quarta-feira foi convocada para colher o depoimento do presidente da Mitsui, Shinji Tsuchiya. Na mesma reunião, estava previsto o depoimento do presidente da Samsung Heavy Industry no Brasil, J.W.Kim, mas o presidente da CPI disse ter recebido uma comunicação da empresa informando que Kim se aposentou em 2010 e não vive mais no país.

Os dois empresários não são investigados na Lava Jato, mas as duas empresas foram citadas em depoimento do doleiro Alberto Youssef, acusadas de terem pago propina para conseguirem favorecimento em contratos da Petrobras. Youssef disse que o presidente da Câmara e o PMDB eram destinatários de propina paga pelas empresas Samsung e Mitsui, em um contrato de aluguel de sondas celebrado com a Petrobras. O deputado e o partido negam as denúncias.

QUEBRA DE SIGILO

Em razão dessas denúncias e da acusação do empresário Júlio Camargo, também investigado, de que Cunha recebeu US$ 5 milhões de propina no esquema de desvios da Petrobras, o deputado Ivan Valente protocolou um requerimento solicitando a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de e-mail de Cunha.

Além do executivo da Mitsui, também vão depor na comissão quatro policiais federais: o agente Sérgio Ramalho Rezende e os delegados José Navas Júnior, Ricardo Hiroshi Ishida e Sérgio de Arruda Costa Macedo.

One thought on “Na primeira reunião pós-recesso, CPI da Petrobras tem bate-boca

  1. Banco suíço diz que extrato em nome de Romário é falso e presta queixa ao MP de Genebra

    Senador foi acusado de manter conta não declarada à Receita com saldo de R$ 7,5 milhões; do plenário do Senado, disse que ‘mar continuará para peixe’

    RIO – O banco suíço BSI enviou nesta quarta-feira ao senador Romário (PSB-RJ) uma confirmação de que o extrato de uma suposta conta que o ex-jogador teria na Suíça, com saldo de R$ 7,5 milhões, é falso. A instituição financeira comunicou ainda ao senador que abriu uma queixa penal no Ministério Público de Genebra para apurar os fatos, que, segundo o banco, constituem “delitos penais graves”.

    Em pronunciamento no Senado na noite desta quarta, Romário disse que o Ministério Público Federal também emitiu uma certidão onde explica que não há qualquer investigação da suposta conta que o ex-craque manteria no país.

    “Garantimos que o extrato é falso e que o senhor Romário de Souza Faria não é titular de nenhuma conta em nosso banco na Suíça”, diz um trecho da carta enviada pelo BSI.

    O banco anexou a matéria publicada pela revista “Veja” no dia 24 de julho ao documento enviado ao Ministério Público de Genebra. A revista acusou o ex-jogador de ter uma conta na Suíça recheada com 2,1 milhões de francos suíços, o equivalente a R$ 7,5 milhões. A reportagem afirmava ainda que Romário não havia declarado o rendimento ao Fisco.

    Na noite desta quarta-feira, Romário disse que está processando a revista e cobrando indenização por danos morais. O senador também creditou o ataque ao fato de estar bem avaliado em pesquisas de opinião para a disputa pela prefeitura do Rio, em 2016.

    PUBLICIDADE
    — Aos que estão me vigiando, peço que continuem o trabalho. (…) Como bem disse Thomas Jefferson: ‘O preço da liberdade é a eterna vigilância’, e eu prezo muito pela minha. Diferente do que disse a revista “Veja”, o mar sempre esteve, está e continuará para peixe — afirmou.

    ‘VEJA’ RECONHECE ERRO

    Na noite desta quarta-feira, a revista “Veja” reconheceu o erro de publicação e pediu desculpas a Romário. O veículo disse que não se desculpou antes porque, “até a tarde desta quarta-feira ainda pairavam perguntas sem respostas sobre a real natureza do extrato, de cuja genuinidade VEJA não tinha razões para suspeitar”, escreveu a revista.

    “A nota do BSI dissipou todas as questões a respeito do extrato. Ele é falso. A investigação desse episódio, no entanto, continuará sendo feita por VEJA. Estamos revisando passo a passo o processo que, sem nenhuma má fé, resultou na publicação do extrato falso nas páginas da revista, evento singular que nos entristece e está merecendo toda atenção e cuidado para que nunca mais se repita”.

    Fonte : http://oglobo.globo.com/brasil/banco-suico-diz-que-extrato-em-nome-de-romario-falso-presta-queixa-ao-mp-de-genebra-17100724

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *