Na questão do aço, pensar em recorrer à Justiça dos Estados Unidos é perda de tempo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Eliane Oliveira, em O Globo, edição de sexta-feira, publicou reportagem ouvindo empresários brasileiros dos setores de aço e alumínio que pensam recorrer à Justiça americana contra a decisão do presidente Donald Trump em aumentar a taxação sobre dois produtos brasileiros exportados. Esses produtos são o aço e o alumínio. A nova taxação bloqueia a colocação no mercado americano dessas exportações brasileiras.

Entretanto, esse recurso é impossível. A Justiça americana não reconhecerá a legitimidade de siderúrgicas brasileiras contra um ato do governo dos EUA.

TUDO ERRADO – Pensando bem, a hipótese é absurda, porque equivaleria a um julgamento contra o governo do país, movido por empresas estrangeiras, como é o caso das indústrias brasileiras.

As novas alíquotas para o aço e alumínio foram fixadas por iniciativa do governo de Washington. E assim não pode ser modificada por iniciativa de empresas brasileiras. Este aspecto da questão é tão evidente que custa crer que exportadores de aço e alumínio pudessem mudar uma decisão de Washington, quando não têm condições legais de terem possibilidade de ver uma ação sua acolhida pelo poder Judiciário nos Estados Unidos.

NA DIPLOMACIA – O caso das tarifas a serem impostas aos produtos brasileiros e argentinos só pode ser resolvido entre os governos dos dois países, aplicando-se a essa hipótese as iniciativas de Brasília e Buenos Aires. Não há a menor condição de se encontrar outro caminho que não um tipo de acordo. Embora dificilmente um acordo poderá ser aceito pela Casa Branca. Significaria um recuo politicamente ruim para o presidente Donald Trump que vai enfrentar eleições em 2020.

Trump já está sofrendo desgaste pelo processo de impeachment que o Partido Democrata desencadeou. Claro que quando chegar ao Senado, somente com argumentos muito fortes o impeachment poderá ocorrer.

APOIO DOS FAZENDEIROS – Mas esta questão pertence ao espaço político e pode de repente mudar de rumo. É preciso considerar essencial para Trump o voto nos setores agrícolas dos EUA. Por que isso?

Simplesmente porque, no caso brasileiro, a desvalorização do câmbio facilita a exportação brasileira em matéria de produtos agropecuários. Voltar atrás, para Trump, significaria perda de votos no mercado interno dos EUA.

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