Na Record, confronto foi de defeitos, não sobre projetos

Pedro do Coutto

Infelizmente para o eleitorado, para todos nós, portanto, mais uma vez o debate da noite de segunda-feira na TV Record foi muito mais um duelo em torno de defeitos e falhas de uma e de outro, do que de propostas e projetos do interesse do país e da população. O clima foi tenso, a atmosfera tensa, a não ser a troca de acusações, não surgiu nada de positivo em termos de futuro.

Não foi colocada a perspectiva após Lula, que é o que vai acontecer, e quais os programas em perspectivas para essa nova fase da vida brasileira, aliás bastante  próxima.  As urnas nos aguardam no domingo, o final do período Luís Inácio a 31 de dezembro. Bem dirigido sem dúvida pelo apresentador Celso Freitas, no entanto o fogo cruzado se extinguiu noventa minutos depois de iniciado o confronto.

Não creio que possa ter influído para que ocorressem mudanças no panorama traçado pelas pesquisas do Ibope, Datafolha, Vox Populi. Entretanto esta visão, hoje, terça-feira, quando escrevo, pode não ser definitiva. Temos que levar em conta dois pontos essenciais: o debate na Rede Globo à noite de 29, sexta-feira, e o fato de centenas de milhares de votantes deixarem para decidir em cima da hora. Aliás como os resultados do primeiro turno destacaram. Mas falei em centenas de milhares. Para inverter a tendência registrada nos levantamentos de opinião pública são necessários aproximadamente doze milhões de votos. Seis numa direção, outros seis na outra, simultaneamente. Difícil. Vamos aguardar. Mas esta é uma outra questão.

O essencial é que faltaram colocações viáveis de ambas as partes em relação à alvorada que se aproxima. Serra, a meu ver, esteve melhor. Mais seguro, mais firme. Com respostas mais prontas. Isso quanto ao desempenho. E a respeito do reflexo chamado voto?

Não tenho certeza. O ataque desfechado por Serra contra o escandaloso episódio Erenice Guerra surtiu efeito no primeiro turno, desequilibrando os pontos que terminaram levando ao segundo. Agora, no entanto, a comparação que Rousseff fez do índice de desemprego na administração FHC e da que está marcando o governo Lula foi um golpe bem encaixado. Tanto assim, que embora cobrado pela resposta duas vezes, o ex-governador paulista afastou-se do tema. A ex-ministra não voltou ao assunto pela  terceira vez.Provavelmente, suponho eu, recebeu pelo ponto eletrônico a observação da assessoria de que a colocação já era suficiente para produzir efeitos nas urnas. Pode ser que sim, pode ser que não.

Da mesma forma que os lances envolvendo a hipótese da (impossível) privatização da Petrobrás e a perspectiva do Pré-Sal ser privatizado, apontados por ambas as partes como faces negativas na reta de chegada só poderão ter avaliados seus efeitos pelos institutos de pesquisa. Leitores hão de reclamar dessas empresas. Muito bem. Mas qual o outro meio existente de aferição? Nenhum. Então é analisar os resultados que elas oferecem ou nada. Neste caso cada um fica com sua opinião e espera a contagem eletrônica dos votos a partir da tarde de domingo.

Eu falei em alternativas. Pois é. O fato é que as pesquisas eleitorais, como me disse um dia meu saudoso amigo Paulo Montenegro, são as únicas que podem ser comprovadas ou não na prática. Nenhuma outra pode. Por isso, inclusive, as empresas que atuam nesses levantamentos da emoção humana jogam seu destino a cada pleito. E se, 68 anos depois da criação pioneira do Ibope, sobrevivem até hoje é porque reúnem a seu favor pelo menos vinte vezes mais acertos do que erros. Não são infalíveis. Mas são o único espelho que a sociedade possui para ver a si mesma.

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