Na tentativa de salvar Temer, o relator transforma os acusadores em “culpados”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Foi manchete nos três principais jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. O deputado Bonifácio de Andrada, relator da denúncia contra presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, culpou a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal e até o Supremo pelo processo aberto contra o chefe do Executivo e integrantes do governo. Foi demais, nunca se viu nada igual, o relator deve ter batido recorde da incoerência e estabelecido novo limite lógico para o absurdo.

Os acusadores, para o parlamentar mineiro, são culpados. E os culpados, de fato, transformam-se em vestais da administração pública. O relatório foi um desastre. Ficará na história do Brasil como raro exemplo de desacerto e de comprometimento atingindo a verdade.

TRAIU A FAMÍLIA – No Globo, a reportagem foi de Carolina Alencastro e Cristiane Jungblut; em O Estado de S. Paulo, o texto foi de Daiane Cardoso e Igor Gadelha. As duas reportagens sintetizam e destacam largamente o absurdo cometido pelo relator.  Afinal de contas, ele teve a coragem de atribuir a condição de culpados a quem não tem culpa alguma e só atuou no processo pela força da transparência dos fatos.

Bonifácio de Andrada não foi fiel à tradição secular de sua família, que desde a independência em 1822 está presente no Parlamento do país. Não seguiu a tradição envolta no seu nome e sobrenome, pois a História do Brasil reserva a José Bonifácio de Andrada a condição eterna de verdadeiro autor da independência, ao conduzir D. Pedro I ao grito do Ipiranga.

Hoje, quase 200 anos depois, ecoa nos ouvidos do povo brasileiro a subversão total da verdade e do raciocínio inspirado na ciência do Direito e da Lógica.

TESE FALSA – Bonifácio de Andrada, versão 2017, chegou ao ápice de sustentar falsamente sua tese com base numa conspiração maquiavélica que uniria, no mesmo plano, a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal e o ministro Edson Fachcin, do STF. A argumentação não podia ser pior: absolveu liminarmente os investigados e, da mesma forma opaca, condenou os encarregados de apurar as acusações.

Não quis sequer debater o assunto em foco. Transferiu as imagens, por exemplo, de Rocha Loures, da Odebrecht, de Geddel Vieira Lima para dentro do projetor, como se os filmes e gravações de Joesley Batista fossem peças forjadas e concebidas numa criação policial ficcionista.

Ele, Bonifácio de Andrada, é o autor da transformação da verdade em mentira e ainda por cima produz uma farsa no teatro político brasileiro. Não só no teatro político brasileiro, mas também na literatura policial.

RÉU DA LÓGICA – Os culpados, em vez dos mordomos são os defensores da lei. E os acusados assumem o caráter de mártires de uma investigação que mobilizou o país e sensibilizou a opinião pública. Bonifácio de Andrada, com suas ações e palavras, tornou-se réu da lógica, da percepção, da coerência.

A conspiração a que ele se refere não existe. Ao contrário, há uma forte reação contra a corrupção, isso sim, englobando corruptos, corruptores e intermediários da noite paulista e do apartamento de Salvador, cenário de depósitos seguidos eque totalizaram 51 milhões de reais, em cenas protagonizadas por Rocha Loures, que era assessor do Palácio do Planalto, e Gedel Vieira Lima, ministro do núcleo duro do governo Michel Temer.

Bonifácio de Andrada tentou ignorar por completo o palco do apartamento de Salvador. Sequer tocou no assunto. Foi omisso e, com sua omissão, projetou-se num abismo da falsidade.

O abismo começou com sua desvinculação do PSDB no episódio da Comissão de Constituição e Justiça. Isso numa das margens. Na outra a legenda do Partido Socialista Cristão.

METAMORFOSE – Foi um episódio incrível. Tal metamorfose deveria ter sido objeto de contestação junto ao STF. Pois se as direções partidárias têm o direito de substituir seus representantes na CCJ, um partido estranho à legenda de um deputado não deveria poder alçá-lo ao posto de relator de matéria tão profunda.

Com Bonifácio de Andrada, também mergulham no abismo e nos mares da falsidade os que negociam seus votos e posições com o Planalto. Não são deputados. São mercadorias.

6 thoughts on “Na tentativa de salvar Temer, o relator transforma os acusadores em “culpados”

  1. Uma doce ilusão achar que Bolsonaro sozinho vai reverter a esculhambação sedimentada no país.
    Se a população não partir pra cima e bater na mesa, nada mudará.
    Ele na realidade, no máximo, pode nos ajudar mas nós temos de ter a vontade e a coragem.
    Temos nele o respaldo necessário, mas a batalha por nossos direitos, tem que ser deflagrada pelo espezinhado e depois as FFAA seguem ou não o exército do povo…

    Infelizmente essa é a crua verdade.

    sanconiaton

    PS
    Se iludem os que pensam que esta guerra é nacional, nossos inimigos falam diversos idiomas

  2. Vamos ter paciencia. Esse pessoal está com prazo de validade determinado: 31/12/2018

    Só depende do povo botar prá correr nomes como Geddel, Aécio, Padilha e outros.

    Michel Temer que se cuide também. Já Lula, Dilma e petralhas vão depender muito mais da justiça. E o governador de Minas, o pilantra Pimentel, esse eu temo que acabe continuando a infernizar

  3. O comentarista Sanconiaton disse uma verdade cruel, mas tem plena razão:

    Hoje, quando comemoramos o Dia da Criança, igualmente da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, nossas crianças estão seriamente ameaçadas de não ter futuro, de ser uma incógnita a vida neste país, a continuar os roubos, os descalabros,os desmandos, a desfaçatez e, em decorrência, A IMPUNIDADE!

    Da mesma forma, nossos símbolos religiosos estão sendo vilipendiados, ofendidos, agredidos por um grupelho que vomita dizer que é “arte”, quando não passa de pornografia, exemplos de zoofilia e atitudes criminosas de pedofilia, e usando o crucifixo como acessório sexual!!!

    Comemorar o quê?!

    A corrupção? A desonestidade? Os roubos? A violência? O desemprego? A inadimplência? Nossas crianças sendo alvos de movimentos promíscuos?

    Ou lembrar que as FFAA são omissas e irresponsáveis com o país e povo? Ou que o parlamento e o Planalto são os responsáveis pelo caos instalado há dois anos e nada fazem para mudar essa situação? Ou que a cidadania brasileira, pela sua alienação, merece passar por este sofrimento e falta de perspectivas?

    Chove muito no RS nesses três últimos dias. Agora, 8;22h, chove a cântaros, como se dizia ou chove canivetes.

    Parece que o tempo chora o dia de hoje, exatamente pelo padecimento de um povo cujo país é inigualável, mas que está sendo arrasado pelos poderes constituídos, que elegeu como alvo o cidadão, matando-o através da violência exacerbada e eliminado-o mediante uma saúde pública deteriorada, que sequer consegue atender a demanda!

  4. ” …não foi fiel à tradição secular de sua família, que desde a independência em 1822 está presente no Parlamento do país”. Uma ova. Ressalvando o patriarca das antiguidades, o resto não fez outra coisa a não ser locupletar-se. Já fiz comentário neste blog afirmando que este puxa-saco de longa data não faria diferente. Sempre conviveu convenientemente com o poder

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