Na TV da Arábia Saudita, uma socióloga árabe rompe a censura e culpa o radicalismo islâmico pela crise dos países árabes.

Carlos Newton

Faz sucesso na internet a impressionante entrevista da socióloga Wafa Sultan à TV Al Jazeera, da Arábia Saudita. A gravação circula na internet. É uma aula de democracia, pragmatismo, sabedoria e racionalidade, baseada exclusivamente em verdades absolutas, em fatos. Não há uma só especulação.

Com toda certeza, jamais ninguém teve a coragem e a ousadia de fazer um pronunciamento semelhante num país árabe, porque na entrevista a socióloga culpou o radicalismo islâmico pelos mais graves problemas enfrentados hoje no Oriente Médio. E mais: ela defendeu os judeus, reconheceu os avanços que a Humanidade deve a eles e ainda ironizou os islamitas, dizendo nunca ter tomado conhecimento de que um judeu tenha se tornado homem-bomba e explodido uma mesquita ou um centro comercial de civis muçulmanos, matando dezenas de pessoas inocentes, inclusive a si próprio.

Sem meias palavras, ela defendeu uma revisão das leis islâmicas e uma maior convivência com o Ocidente, num clima de harmonia e respeito entre as religiões, sem guerras santas nem perseguições a outras crenças. Destacou que os muçulmanos só se interessam por um livro (o Corão), enquanto os países ocidentais progridem baseados em muitos outros livros, especialmente livros científicos, o que faz a enorme diferença.

A entrevista, é claro, foi ao vivo. O apresentador ficou atônito, não conseguia interromper a socióloga, que seguia adiante, discorrendo com impressionante fluência e conhecimento de causa. E o diretor do programa deixou ir em frente. Podia ter tirado o programa do ar, mas não o fez. Certamente foi punido, fico pensando no que pode ter acontecido com ele. É muito mais corajoso do que ela, que estava segura, protegida pela distãncia. É claro que a socióloga não estava em nenhum país árabe. A socióloga Wafa Sultan Ela deu a entrevista via satélite, de algum lugar no Ocidente. Não usava véu, exibia o rosto normalmente. Isso jamais aconteceria se estivesse no estúdio da Arábia Saudita. De toda forma, é muito corajosa, já que os radicais islâmicos costuma justiçar seus adversários em qualquer lugar do mundo.  

E ela tem toda razão. Essas revoltas que irrompem em diversos países árabes têm várias motivações, mas vêm sendo alimentadas também pela Jihad, a guerra santa muçulmana, ninguém tenha dúvida. Quem pensa que está ocorrendo apenas um desabrochar das crenças democráticas nessas nações, certamente está equivocado.

A tentativa de abertura democrática nos povos árabes pode causar um retrocesso e transformá-los em novos Irãs. E não há ditadura pior do que a religiosa, porque os combatentes têm prazer em morrer em nome de Deus. Assim, complica-se cada vez mais a situação, por causa do fortalecimento das lideranças islâmicas, que no Egito já anunciaram um de seus objetivos – anular o tratado de paz com Israel. Detalhe: até agora, o Egito era o pais árabe que mantinha as melhores relações com Israel.

 As lideranças muçulmanas em outras nações, como a Jordânia, já declararam a mesma coisa. Querem que Israel recue para suas fronteiras anteriores a 1967, uma possibilidade totalmente afastada para o governo de Jerusalém, que é muito bem armado, tem bomba atômica e está sempre pronto para a guerra.

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