Na verdade, as contas públicas só fecham com mais impostos

Vicente Nunes
Correio Braziliense

No mercado financeiro, vários economistas destrincharam as contas públicas e chegaram à conclusão de que, mesmo com todo o esforço de Joaquim “mãos de tesoura” Levy, será muito difícil cumprir a meta fiscal de 1,2% do PIB no ano que vem. A conta – acreditam Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, e Eduardo Loyo, do BTG Pactual – só fechará se houver aumento de impostos.

Todos acreditam, porém, que a presidente Dilma não se furtará de avançar um pouco mais sobre o bolso dos trabalhadores e o caixa das empresas. Ela sabe que não pode falhar na promessa de arrumar as finanças públicas.

O economista-chefe do banco suíço Julius Baer, Janwillem Acket, diz que o processo de aumento dos juros conduzidos pelo BC será ruim para a economia. “Claro que um banco central deve se preocupar com a inflação, mas se você acerta de um lado, erra do outro. Em quase todo o mundo, a ordem é não prejudicar a fraca recuperação econômica. O Brasil já tem taxa de juros de dois dígitos. Assim como neste ano, também em 2105 dificilmente conseguirá taxa de crescimento que melhore a situação fiscal”, afirma.

COMO A SELEÇÃO

Acket vai além e ressalta que o Brasil é hoje um ponto fraco entre os emergentes, assim como outros dois Brics, a África do Sul e a Rússia. Na avaliação dele, não é possível culpar apenas a economia global por isso. “A metáfora perfeita para o Brasil de hoje é a seleção da Copa do Mundo: excelentes jogadores, grandes talentos, mas que não conseguem jogar bem como um time”.

INDÚSTRIA AINDA FRACA

Não há nada que indique uma recuperação mais consistente do setor. As fábricas continuam trabalhando com elevada capacidade ociosa e os estoques permanecem altos.

Para a diretora de Desenvolvimento Econômico da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de Sá, o primeiro passo para o setor sair do atoleiro é a retomada da confiança na política econômica. Mas será preciso muito mais do que boas ações de Joaquim Levy. “A indústria precisa urgente de um plano que amplie sua competitividade. Até agora, não vimos isso”, diz.

 

11 thoughts on “Na verdade, as contas públicas só fecham com mais impostos

  1. Enquanto isso os funcionários dos Correios estão sem o 13.º, várias entidades do governo não estão pagando os trabalhadores terceirizados, falta sabonete no palácio do Itamaraty, Universidades estão com telefones cortados e sem pagar contas de água e luz, etc…

    • Como assim ? Os aPTrelhados dos Correios estão sem receber? Isso é pouco para esses vagabundos que sabotaram correspondência do Aécio em MG. Foram os que mais se empenharam na reeleição da PRESIDANTA!

  2. Acabou. A economia do país está em frangalhos. Isso ainda não está aparecendo ou porque toda a estrutura de manutenção dos postos de trabalho está sendo suprida pela dívida pública, através dos empréstimos do BNDES,ou mascarada pela divulgação mascarada da real ocupação da população em idade ativa do país. E isto corroborado pela distribuição de renda (um cala a boca) que é o programa Bolsa Família.

    Tem, ainda, como já dissemos, o programa de sustentação dos desempregados que não entram na estatística de desocupação do IBGE que são os beneficiários do Seguro Desemprego.

    O país está sendo mantido por meio da fraude numérica sustentada em cima da dívida pública.

    Já me cansei de dizer isto aqui.

    E é para manter esta farsa até que a metástase do PT concretize a mudança social e econômica do país, que o Congresso foi chamado para mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Não há a menor possibilidade de recuperação das contas públicas, porque a sistemática de sustentação dos atuais índices econômicos recai INTEIRAMENTE SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA. E assim será mantido!

    • Os repasses ao BNDES continuarão sendo necessários para que o banco de fomento mantenha suas linhas de empréstimos para as empresas continuarem a tomá-las e utilizar tais recursos como capital de giro, mantendo os postos de trabalho. O cálculo que o próprio BNDES faz em seu relatório é de que 22 empregos são mantidos para cada um milhão de reais emprestados por este banco ao setor privado.

      De tal modo que o Tesouro continuará com a obrigação de emitir títulos da dívida pública para levantar tais recursos e fomentar o sistema econômico brasileiro. As empresas não estão sendo sustentadas pela própria capacidade de conduzir seus negócios, aliás, ressentem-se de produtividade e competitividade. Elas estão se mantendo através dos empréstimos públicos.

      Então, toda a economia brasileira está sendo sustentada artificialmente por meio da dívida pública.

      Para complicar o quadro, como as contas trimestrais divulgadas pelo IBGE demonstraram, houve recuo no mercado de consumo, ou seja, na demanda. Em decorrência da já endividada população, do aumento do nível de juros do mercado de crédito puxado pela SELIC, da deterioração do nível de rendimento do trabalhador ocasionada pela inflação e pela já alta carga tributária suportada pelas famílias.

      Ou seja, a solução que haveria para esse impasse, que o autor coloca em seu texto, que é o aumento da carga tributária para ampliar as receitas para que o governo e ganhe novo fôlego nesta política de estímulo público da economia, na verdade, não é uma saída. Porque não há mais espaço para aumento da tributação. Pelo menos no nível necessário para sustentar os gastos do governo com suas despesas correntes e com os empréstimos ao setor privado através dos bancos públicos.

      Então, a economia brasileira, como já dissemos noutrora e voltamos a repetir, está em uma sinuca de bico, insustentável. Estamos, de fato, rumo à perda de controle das contas do governo, à falência pública e ao calote. O mesmo que está ocorrendo na Venezuela e na Argentina. Ambos países dominados por grupos comunistas sob a regência do Foro de São Paulo.

      E tudo isso é PROPOSITAL!

  3. Por essas e outras o que se compra aqui neste país, no resto do mundo paga-se a metade ou menos.
    O pior é que, quem é rico não tá nem aí, mas a maior parcela da população é pobre ou miserável e sofre na pele esse tal “socialismo” que ricos como Chico Buarque, Caetano, Gil e outros do tipo apoiam.

  4. Verdade!!!
    Em Idiotolândia a sonegação fiscal ultrapassa 12% do pibinho, dez vezes a meta fiscal do governo de 1,2%.
    Com tantos tributos/sonegação, encargos, juros, a economia fingi que paga salários e os trabalhadores fingem que trabalham.
    Para cobrir o enrosco do desgoverno, prá começar, um “pequeno” aumento no preço dos cigarros, que já são 50% superiores aos demais países do mercosul, e não é que o cigarro faz parte do calculo da inflação que quando aumenta vem logo atrás o aumento dos juros, aumento esse que, não se sabe porque, lotam de mercadorias empacadas os depósitos, armazéns e pátios das industrias.

  5. AJUSTE DE ROMBO E ENCONTRO COM A VERDADE

    Há certas “coincidências” que precisam ser bem observadas e uma delas é a divulgação desses R$ 3,5 bilhões em convênios para o estado de São Paulo, assinados pela presidente Dilma Rousseff com o governador Geraldo Alckmin que fotografou no Planalto segurando sorriso… http://oglobo.globo.com/brasil/dilma-assina-convenios-de-324-bi-com-alckmin-diz-que-preciso-respeitar-as-urnas-14737376 Isto ocorreu algumas horas após o Congresso haver aprovado o chamado ajuste fiscal, proposto para sanear as contas públicas. Alckmin foi dos primeiros a reconhecer o resultado da eleição presidencial, enquanto outros continuam em palanque e alguns até montando golpismos.

    Não só a presidente e o governador paulista, mas os deputados e senadores todos sabem que o rombo das contas públicas não é de agora e seria inevitável fazer o que fizeram para saneá-lo, a responsabilidade ou falta dela é partilhada pelas cúpulas da República. Os dirigentes dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – têm culpa nisto, por ação ou omissão, porque há décadas vêm aumentando despesas sem preocupação maior com o fecho das contas. Dilma está deixando a condição de “poste do Lula” e parte para nova gestão pegando o país com aperto similar ao vivido pelos EUA, há pouco tempo, quando Barack Obama foi salvo pelo Congresso.

    “O momento aponta para a necessidade de uma presidência da Casa que não faça oposição ao governo, visando desestabilizá-lo e, nem no outro extremo, que utilize a Câmara como correia de transmissão do Poder Executivo”, defende o deputado André Figueiredo que deve disputar a Presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro contra o conservadorismo articulado em torno do peemedebista Eduardo Cunha. No texto abaixo o parlamentar cearense, que já foi líder da bancada pedetista e presidente do Pdt Nacional, dá ideia de quanto o Brasil pode ganhar com sua eventual candidatura e vitória. É por aí o caminho.

    POR CONGRESSO EM FOCO · Andre Figueiredo*

    Depois do exaltado clima das eleições presidenciais, o Congresso Nacional tem diante de si uma pauta extensa e complexa, antes do término da atual legislatura. Mesmo antes de seu encerramento, desde logo o balanço de suas atividades pode ser considerado bastante positivo. Para mencionar apenas duas matérias, a destinação dos royalties do petróleo do pré-sal para as áreas de educação e saúde e a aprovação do novo Plano Nacional de Educação são importantes legados da atual legislatura para a sociedade brasileira.No próximo mês de fevereiro, uma nova legislatura terá início, e não são pequenos os desafios que aguardam deputados e senadores reeleitos ou eleitos pela primeira vez. É forçoso reconhecer queo cenário econômico já não é tão favorável como nos últimos anos. O governo federal certamente necessitará dialogar com a Câmara dos Deputados e o Senado para adotar medidas indispensáveis à retomada do crescimento da economia, que vem a ser a única verdadeira garantia de melhoria das condições de vida dos brasileiros no longo prazo.

    Além das reivindicações dos mais diversos setores da sociedade, Câmara e Senado também deverão lidar com o desafio da reforma política, demanda reiterada a cada nova legislatura, mas que desta vez não parece comportar novas protelações. Se essa reforma é inevitável, isso não significa, porém, que deva ser feita de qualquer modo ou a qualquer preço. As regras vigentes resultam em diversas distorções — e o custo das campanhas eleitorais certamente não é a menor delas —, mas elas também propiciaram o maior período de estabilidade democrática da história brasileira. Não é o caso, portanto, de recomeçar do zero, e sim de aperfeiçoar a nossa democracia, o que é indispensável e inadiável.

    Especificamente quanto a Câmara dos Deputados, a que pertenço — e à qual tive a honra de ser reconduzido pelo povo do Estado do Ceará —, a renovação significativa de sua composição se soma a um cenário inédito de fragmentação partidária. Os atuais 22 partidos com representantes na Casa passarão a ser 28 a partir do ano que vem, cenário provocado pela redução das maiores bancadas e crescimento do número de representantes de partidos médios e pequenos. Some-se a isso o acirramento do antagonismo entre governo e oposição, por conta da eleição presidencial mais disputada de nossa jovem democracia.

    O cenário que se desenha exigirá do novo comando da Casa uma grande capacidade de negociação e articulação, de modo a dar conta dos múltiplos desafios na política e na economia. A relação com o Poder Executivo deverá ser pautada por um diálogo respeitoso e voltado para os interesses do País, e esse mesmo espírito se fará necessário nos entendimentos com a base aliada e a oposição, por maiores que sejam atualmente as tensões herdadas do processo eleitoral recém-concluído. Em um momento como esse, não é conveniente para o Parlamento que o processo de escolha de seu novo presidente seja refém de polarizações partidárias, nem se torne mecanismo de pressão ou barganha na formação do ministério do novo governo recém-eleito. É ruim para o governo, que pode se ver pressionado a ter critérios menos rígidos na escolha de seus quadros ministeriais e de outros órgãos de Estado. É péssimo para a oposição, que pode a qualquer momento ser atropelada em suas prerrogativas regimentais, quando o presidente estiver comprometido com acordos que extrapolem as funções do legislativo e avancem em uma seara de interesses da máquina administrativa do Poder Executivo.

    O momento aponta para a necessidade de uma presidência da Casa que não faça oposição ao governo, visando desestabilizá-lo e, nem no outro extremo, que utilize a Câmara como correia de transmissão do Poder Executivo, fazendo do Legislativo um mero cartório carimbador dos projetos do governo. Mas pior cenário, ainda, seria a Câmara dos Deputados estar à serviço do interesse hegemônico de partido ou grupo que busque aumentar de forma insaciável, nos próximos dois anos, seu espaço de poder dentro do governo federal. O próximo presidente da Câmara precisará estar acima de tudo isso, demonstrando que suas preferências e rivalidades políticas não são maiores de que seu amor ao Brasil.

    Em nosso passado recente, a Câmara dos Deputados tem dado contribuição decisiva para a construção de um país democrático, com economia estável e capaz de melhorar as condições de vida de seu povo. Tenham tido elas origem no Executivo ou no próprio Congresso Nacional, as medidas fundamentais para a consolidação dessas conquistas foram discutidas e aperfeiçoadas pelo trabalho de deputados e senadores. E nesse momento, em que o Brasil precisa de ajustes importantes, é fundamental que os rumos da futura legislatura estejam à altura dos desafios que temos diante de nós.

    *Andre Figueiredo é deputado federal pelo PDT-CE

  6. O PT Já esculhambou a economia nacional no que não poderia esculhambar… saúva terrível, vindo com tudo para acabar com o Brasil. Cenário terrível, catastrófico que, como já disseram antes das eleições, era uma tragédia anunciada.

    O articulista Vicente Nunes, do Correio Braziliense, antecipa juízo de valor, com dados reais, suponho, que já convivemos com inflação de dois dígitos. Assertiva que partiu de economista de um banco suíço, provavelmente, sem ser em cima de números maquiados da dupla Dilma& Mantega.

    O fato, é que estamos entre a cruz e a caldeirinha.

    Aumentar tributos ou a Selic. Como sou mais realista do que otimista, imagino que vão abrir os maçaricos para aumentar tanto um como outro.
    O que poderia ajudar, consideravelmente, para um novo panorama econômico, visto tanto pelo cidadão como o mercado como uma ducha salvadora, poderia ser um processo que tornasse factível o impeachment da presidente. É hora de marcar o impedimento.

  7. EM RESUMO! NÃO HÁ SOLUÇÃO POSSÍVEL COM A PRESIDANTA NO PODER! SUA QUEDA É CONDIÇÃO NECESSÁRIA MAS AINDA ASSIM PODE SER INSUFICIENTE. MICHEL TEMER AO MENOS TEM UM MÍNIMO DE TRAQUEJO POLÍTICO PARA BUSCAR SOLUÇÕES POLÍTICAS, PORQUE ANTES DE MAIS NADA A SOLUÇÃO SÓ PODERÁ SER INICIADA POR UM MÍNIMO DE ACORDO POLÍTICO, COISA QUE A DILMANTA PRATICAMENTE INVIABILIZOU QUANDO FEZ O “DIABO” PARA GANHAR AS ELEIÇÕES, “DINAMITANDO” TODAS AS PONTES POLITICAS E DIVIDINDO O PAÍS.

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