Na virada do ano, reflexões desesperadas sobre a existência de Deus

Carlos Newton

Queria ter a sabedoria dos cristãos e dos muçulmanos, por acreditarem que suas almas podem ir para algum tipo de paraíso, onde haveria a vida eterna, e no caso dos islamitas, seria uma festa constante e móvel, como a Paris vivenciada nos tempos de Ernest Hemingway.

Queria ter a sabedoria dos espiritualistas, que estão convictos de que existe vida após a vida, como Sócrates sonhava 400 anos antes do nascimento de Cristo. Eles crêem que podem se comunicar com os que já se foram e acreditam que os espíritos até interferem na nossa vida.

Queria ter a sabedoria dos budistas, que entendem a vida de um modo mais aceitável, dizendo que ”nada é, tudo apenas está” e é transitório, nada é permanente. Afirmam que, apesar da inexorabilidade deste princípio, devemos ser otimistas, porque depende de nós mesmos agir a nosso favor na corrente do Universo.

Queria ter a sabedoria dos judeus, que creem em ressurreição num mundo vindouro ou até mesmo em reencarnação diante da figura de um Deus criador, onipotente, onisciente e onipresente, que influencia todo o universo.

Queria ter a sabedoria dos hinduístas, que confiam na chamada Lei do Karma e também acreditam na reencarnação, proclamando que a salvação do ser humano é a liberdade alcançada pela alma depois de um penoso ciclo de sucessivos nascimentos e mortes.

Queria ter também a sabedoria dos ateus, que acreditam apenas na ciência, desprezam todo tipo de religião e de experiência espiritual, estão certos de que a vida é uma só, não há novas encarnações e as almas são simples invenções dos ficcionistas.

ATEÍSMO

Há alguns anos, assisti a um impressionante documentário britânico, baseado nas teorias de Stephen Hawking, o maior físico da atualidade, que fez uma ampla exposição de conceitos para enfim concluir pela inexistência de Deus.

Mais recentemente, assisti a um extenso documentário sobre os grandes difusores do ateísmo moderno, que defendem a respeitável tese de que as religiões servem para fazer com que os homens não se desesperem com a inevitabilidade da morte e possam viver de maneira honesta, solidária e produtiva. Mas os ateus acham que podem se comportar assim, sem necessidade de acreditar em Deus.

Achei os dois trabalhos muito interessantes. Realmente, não há provas materiais da existência de Deus. O que me pareceu errado, porém, é o ateísmo estar sendo transformado numa espécie de religião, com pregadores a percorrer o mundo ganhando substanciais cachês e vendendo milhares de livros, como o biólogo britânico Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, que já criou até uma fundação para cultuar o ateísmo.

O mais interessante, porém, foi estudar o ateísmo e constatar que seu maior difusor na Era Contemporânea, o filósofo britânico Antony Flew, no final da vida reviu essa posição e deu uma entrevista célebre, que foi publicada em forma de livro, sob o título “Um ateu garante: Deus existe”.

DÚVIDAS SOCRÁTICAS

Tenho vários amigos ateus e respeito de forma absoluta a opinião deles, mas não consigo viver sem alguma forma de apoio espiritual. É uma fraqueza, admito, mas sou assim mesmo, aceito qualquer religião.

Entre os princípios basilares das maiores religiões, acho a teoria budista a mais adequada. É inteiramente verdadeira a tese de que “nada é, tudo apenas está, tudo é transitório, nada é permanente”, porque pode ser aplicada a qualquer coisa na vida. Desconfio que essa tese religiosa tenha inspirado Lavoisier na teoria que revolucionou a Química com o “nada se cria, tudo se transforma”, e também tenha sido usada pelo intelectual Eduardo Portela ao declarar que não “era” ministro, apenas “estava” ministro.

Confesso também que fico muito impressionado com o fato de certas pessoas fazerem previsões acertadas ou nos revelarem coisas íntimas de nosso conhecimento que jamais poderiam saber. Fico até desconfiado de que exista mesmo alguma coisa entre o céu e terra, com dizia Shakespeare, que parecia budista e socrático ao desenvolver aquela genial tese hamletiana do “ser ou não ser”, também desenvolvida depois por Molière em “El Cid”.

Concluindo: Se Deus não existe, é óbvio que deveria existir. Em nome de Deus, todas as religiões visam ao bem, embora ao longo da História muitas vezes tenham sido usadas para o mal. Mesmo assim, é preferível seguir alguma delas, porque isso nos dá forças para ir em frente neste mundo que a Bíblia classifica de “um vale de lágrimas”. Viemos aqui para sofrer, mas podemos nos divertir de vez em quando. Pense sobre isso.

32 thoughts on “Na virada do ano, reflexões desesperadas sobre a existência de Deus

  1. Belo texto. Parabéns, o blog está cada vez melhor. Fui aluno do grande professor Eduardo Portela, na Faculdade de Letras da UFRJ, certa feita em sala conversávamos todos sobre o tema deste artigo – religiões – e ele exclamou: “Eu sou baiano, acredito em tudo!” O lado saudável das religiões é terapêutico e curativo, belos Caminhos para enfeitarmos a Terra e cada um a si mesmo.

  2. Se. Newton, parabéns pelo artigo, nos leva a pensar: de onde vim? porque estou aqui?, para onde vou?, o que sou? Quem é “DEUS”?
    “DEUS é a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas” Esse sentimento de “DEUS” independe do grau cultural, existe no selvagem e no intelectual, portanto “DEUS” não é consequência de “ensino”, mas sentimento inato em nós, mesmo os chamados “ATEUS”, o são pela deturpação feita dos atributos Divinos.
    O velho proverbio: “Pela obra se reconhece o autor”. Vêde a obra e procurai o autor, a Natureza produz, a causa primária, é, uma inteligência superior a Humanidade.
    O sofrimento do HOMEM, é fruto do “Egoismo”, pelo prazer de “TER” e não “SER”, e o “TER” é TEMPORAL, deixamos pelo fenômeno da morte, até à maior riqueza material, o corpo físico, na terra, e o “SER” é ETERNO, carrega três ações: o BEM, o MAL, e o BEM QUE DEIXOU DE FAZER, quando deixa a vida na matéria, pois, a “VIDA CONTINUA”, ACREDITEMOS OU NÃO.
    Ao “Egoismo juntamos o Orgulho”, cujo resultado é a “DOR” que grassa na Humanidade, e nos faz “duvidar da Existência de DEUS” em sua Bondade e JUSTIÇA, por vermos, tanta Hipocrisia, e a Justiça humana, cometer tanta “INJUSTIÇA”.
    Cremos em um DEUS Misericordioso e JUSTO, que nos dá a oportunidade, de várias VIDAS, e um “dia” alcançarmos o “REINO DA LUZ”, pelo “Mérito” da pratica do “AMOR FRATERNO”, que está sempre a nos amparar, nos enviando seus mensageiros, entre Eles, Jesus, o Cristo, que ensinou e exemplificou a “pratica do AMOR”, nos MOSTRANDO UM “DEUS- PAI AMOROSO, POR SUA CRIAÇÃO, O UNIVERSO, ONDE ESTAMOS INSERIDOS, PLANETA TERRA, PARA A CONQUISTA DA LUZ.
    QUE DEUS ABENÇOE A HUMANIDADE, DA QUAL SOMOS UMA CÉLULA, QUE SEJAMOS SADIA!!

  3. Excelente artigo, as nossas vidas são como um sonho, as alegrias os prazeres e os sofrimentos do passado, já não mais existem hoje.
    Quando Jesus disse: conheça a verdade e ela o libertará. A meu ver, é: conheça a razão da vida e ela o libertará. Alias, as únicas coisas que se salvam na Bíblia, são
    os ensinamentos de Cristo, mesmo sendo manipuladas pela Igreja Católica.
    Não acredito que nós sejamos apenas essa estrutura de carne e osso perecíveis a curto prazo e as vezes a curtíssimo prazo.

  4. EM TODA A MINHA LONGA VIDA, NUNCA VI EFEITO SEM CAUSA. E NUNCA VI EFEITO MAIOR QUE O UNIVERSO. A CAUSA MAIOR DO UNIVERSO É DEUS. NÃO SOU FILIADO A NENHUMA RELIGIÃO MAS JAMAIS ENTENDEREI QUE O UNIVERSO VEIO DO NADA. MEU CÉREBRO NÃO FOI PROGRAMADO PARA ISSO. NADA SEI SOBRE DEUS. APENAS SINTO QUE ELE EXISTE. TUDO O MAIS, PARA MIM, É MISTÉRIO.

  5. Confesso que tenho muita dificuldade em acreditar no sobrenatural, numa força suprema. Há 54 anos que venho me testando a respeito do assunto, até porque percebo que a religião traz um conforto pra quem a tem. Tenho um filho de 27 anos que é ateu convícto e me diz exatamente isso: “…pai, quer mais conforto do que você saber que só existe essa vida e por isso tem que vivê-la intensamente todos os dias…?!” Pois é !

  6. Meu caro CN enquanto estiveres comodamente ancorado no ceticismo byroniano, que leva à indolência do espírito em tempos de hiper-razão instrumental a plasmar realidades virtuais como a forma acabada de dominação corpos, dos desejos e das mentes sãs que o capitalismo turbinado engendrou nesse insosso, até aqui, século XXI, não terás a possibilidade cintilante do reluzir da transcendência… A “aposta de Pascal” é um razoável ponto de partida reflexão para compreender que a pessoa humana não está circunscrita à própria imanência e suas vicissitudes decorrentes das contingências sócio-históricas… Com o efeito, a percuciente “observação” o Hamlet de William Shakespeare ainda nos é pertinente: “Há mais mistérios entre o céu (história do Universo) e a terra [história humana] do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”… ou ainda: “A natureza, ao fazer-nos crescer, não só nos favorece em forças e tamanho, mas, à medida que o tempo vai passando, dilata com ele o espaço interno da inteligência e da alma.”

    • Os textos escritos por César Rocha são de um intelectual, uma pessoa de grande cultura, que por mais que se esforce em se comunicar com os mais simples e comuns dos mortais, o seu acervo mental não impede que resgate questionamentos exclusivamente para gente do seu nível, de notórios conhecimentos metafísicos, enquanto se balança no tempo indo e vindo sobre filosofia e capitalismo, e uma rápida visita à literatura, citando dois de seus expoentes maiores.
      Acredito que meus parcos conhecimentos puderam, mesmo de longe, traduzir o seu comentário vigoroso sobre o tema postado:

      “De tanto pensar, e muito pensou, chegou a conclusão de que só lhe restaram duas ideias. Ideias rearranjadas de modo tão intrincheirado, que eram duas únicas ideias. A primeira era de que já não era mais a mesma. A segunda era que não sabia quem era. E se perguntava se é possível não ser ninguém no espaço atemporal entre não ser mais quem você já foi, e ser quem você será futuramente. Ia vivendo um outro ser provisório, enquanto não estava pronta a ponto de ser nova. E nisso, de não ser quem era e nem quem será, ia descobrindo que era leve a condição de não ser absoluta.”

      Tenho a impressão que ao comentarmos sobre Deus e religiões, diante da nossa insignificância perante o Universo, jamais chegaremos à conclusão alguma, salvo quanto às nossas limitações, apesar de nossa mente ter um poder extraordinário de imaginação, mas cuja realidade nos atrela a um outro insignificante planeta escondido na periferia de uma galáxia igualmente pequena.
      Podemos discutir e apresentar idéias estupendas de valor literário e de profunda intelectualidade, entretanto, afirmar categoricamente que Deus é isso ou aquilo com bases na filosofia e notáveis escritores, não acredito que se possa dar o assunto por encerrado, ou seja, uma definição exata sobre o que transcende a razão de estarmos vivos e sermos racionais, enquanto presos em uma esfera no espaço sideral sem qualquer importância no seu próprio sistema solar!
      Penso que muito antes de sermos pretenciosos, arrogantes e prepotentes em definir Deus, precisamos descobrir a nós mesmos, principalmente a respeito de reações tão diferentes em seres absolutamente iguais, e os porquês do nascimento de gênios e genocidas ou, então, de onde viria a índole, por exemplo?
      Certamente o César não vai entender errado o meu comentário, imaginando que estou lhe provocando, longe disso.
      Apenas usei o seu texto que foge à normalidade porque pertencente a alguém de muitos estudos, em confronto com o meu, um semianalfabeto que, possivelmente em razão de ter poucas luzes não consegue esta visão ampla sobre Deus, mas apenas afirmar que não temos como conhecê-Lo, ainda mais quando nos damos conta da nossa fragilidade e local que nos foi destinado para viver neste Universo sem fim.

      • Olá Francisco Bendl, grato pela deferência ao meu comentário. Entretanto, tua réplica não me convenceu…. tua argumentação é “maneirista”. Também se escuda no ceticismo cognitivo! Passou ao largo do “ponto central” da provocação do texto do CN. O essencial das religiões é a CERTEZA sem o quê não seria “re-ligare”. Ademais a “função” das religiões não é “explicar” e sim dar “sentido”… Não me refiro à prática religiosa e sim aos seus fundamentos – suas doutrinas. Pode-se tentar analisar religiões a partir de infinitas abordagens, entretanto, nenhuma abordagem “compreenderá” a “totalidade” do fenômeno religioso. Um abraço fraterno.

        • César,
          Por favor,
          Certeza de quê?!
          “Maneiristas” são os orientadores de pessoas analfabetas ou medrosas e, assim, ser um líder religioso porque sabem de cor uma ou outra passagem da Bíblia.
          A punição, o inferno, as ameças, a infelicidade, a necessidade de “salvação”.
          Se isso não é maneirismo, então inventaste outra definição para a palavra.
          O que escrevi no comentário acima é de que não vejo útil e positivo um debate sobre até mesmo o sentido das religiões e suas formas de professá-las, se não sabemos o essencial sobre nós mesmos!
          A partir do momento que alguém conseguir me explicar as indagações que formulei ao Mauro, abaixo, terá descoberto, César, o SENTIDO da raça humana, e não sobre crenças e suas formas de revenciar a Deus.

  7. Excelente artigo. Parabéns, Carlos.

    Ateísmo é crença

    A postura de certos ateus me incomoda tanto quanto a de certos crentes que insistem em tentar provar que existem deuses, almas, espíritos, milagres e tudo o mais. E incomoda até porque temo ser confundido com algum membro do “ateísmo”, uma (des)crença mais absurda que qualquer outra, já que ela tenta provar uma “não existência”.

    Seguindo essa linha, eu me permito a “heresia” de discordar até de Bertrand Russell que, em um artigo chamado “Existe um Deus?”, criou a analogia do “bule de chá”, cuja finalidade é mostrar que a dificuldade de desmentir uma hipótese não torna esta verdadeira, e que não compete a quem duvida desmenti-la, mas quem acredita nela é que deve provar sua veracidade.

    Disse ele:

    “Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados – em vez dos dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um bule de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o bule de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal bule de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada.”

    Tudo bem, seu Bertrand, mas pau que dá em chico também dá em francisco. Tentar provar que o bule existe não é mais impossível que provar que ele não existe.

    Aqui, vou fazer um parêntesis: se Russel, que morreu em 1970, escrevesse esse artigo hoje, certamente ampliaria bastante seus horizontes quanto à analogia, localizando o bule de chá perto dos confins do universo, já que hoje talvez tenhamos condições tecnológicas de detectá-lo numa órbita entre a Terra e Marte.

    Mas, voltando, para provar que o bule não existe (devidamente atualizado e colocado em qualquer lugar do universo), simplesmente teríamos que esquadrinhar tudo que existe, uma impossibilidade óbvia, portanto, o cético poderia continuar não acreditando no bule, mas jamais poderia asseverar que ele de fato não existe.

    Assim é com os deuses. E como os ateus não conseguem provar as suas não existências, o “ateísmo” não pode ser considerado como sendo baseado na razão – afirmação orgulhosa e furada de dez entre dez dos seus militantes – e não passa de mais uma seita, crença, fé ou religião como outra qualquer.

    Se para mim deus não existe, este é um problema exclusivamente meu: nunca me convenci (ou nunca me convenceram), mas nem por isso nego a possibilidade. Os tolos que a negam em nome da Ciência também negam o princípio básico da sua evolução, que são as eternas dúvidas e a certeza que nada é definitivo.

    • Meu caro Ricardo Fróes a tua “crença” no cientificismo, exarada em teu comentário é dogmática! Citastes os textos vulgares do Bertrando Russel, quando caquético e anticlerical. Imagino que desconheça as interlocuções entre Alfred North Whitehead e Bertrand Russell quanto a Gnoseologia… O propósito das religiões não é “explicar” e sim dar “sentido”.

      • Desculpe, mas o que eu disse não tem nada a ver com crença e muito menos tem algum dogma ou cientificismo. É apenas um exercício de lógica contestando uma metáfora.

        Quanto ao texto de Russel, caquético ou não, ele continua sendo usado pelos adeptos do ateísmo – seita que aliás eu critico no comentário – como referência. Tampouco eu disse algo no sentido de cobrar explicações de alguma religião ou crença, coisas que considero extremamente particulares.

        Um pouco mais de atenção sua ao ler o texto talvez fosse necessária para que você não o tivesse usado equivocadamente como mote para fazer proselitismo do seu gnosticismo alambicado.

        • Ricardo: tu foges do debate como o diabo foge da cruz! Bertrand Russel é um “ultrapassado” desde há muito. E tu de certo desatualizado no que se propôs a comentar, sem esmerar na argumentação… aí talvez “froesdes” explica. Rsrsrss

          • Fugir do debate? Que debate? A troco de que eu vou gastar meu latim com quem não tem nada a dizer de proveitoso e só está interessado em se pavonear expelindo resultados de uma baita indigestão mental achando que é sabedoria?

            E outra coisa, além dos dicionários que engoliu, você bem que podia ter umas aulinhas de gramática. Suas concordâncias verbal e nominal são um lixo, e “de certo” escreve-se junto – “decerto” – (ou então use “por certo”).

  8. Prezado sr. Carlos Newton, existe uma obra em três volumes, escrita no Tirol austríaco, durante a década de 1920, que poderia responder a todos os seus questionamentos e dúvidas. Trata-se do livro, “Na Luz da Verdade,” de Abdruschin, pseudônimo de Oskar Ernst Bernhardt. Grande abraço e muita paz.

    • Obrigado pela dica, Cesar. Conheci muito os irmãos Paes Leme, especialmente o Nelson. Eles moravam em Laranjeiras, no Edifício Éris. Você é parente deles?

      Abs. e tudo de bom para vocês.

      CN

  9. Sr. Newton,
    Texto excelente.
    Penso aqui com meus botões, que,para as pessoas seguirem uma vida virtuosa, necessário se faz o lado religioso fundamentado na crença de uma identidade superior/ciador capaz de nos confortar em nossas vicissitudes(Deus criador).
    Creio, também, que essas pessoas que se desvirtuam no caminho da droga, do crime etc., são pessoas que não tiveram uma atenção educativa, capaz de formarem um caráter fundamentado na ética na moral que são característica da virtude.
    Quando aos cientistas ateus, que dizem que o universo foi criado por uma grande explosão, fica aqui uma pergunta:
    Quem provocou essa grande explosão?

  10. Caro Jornalista,

    Às vezes tenho a impressão de que cada civilização fez o seu deus a sua imagem e semelhança:

    -Os africanos fizeram os seus deuses “afrodescendentes” de pele negra (não tenho conhecimento de algum deus africano loiro e dos olhos azuis, assim como também não tenho conhecimento de algum deus nórdico negro); os indianos, deuses com cabelos lisos; os orientais, deuses com os olhos puxados; os indígenas no norte da América com a “pele vermelha”, caçadores assim como eles; já os europeus fizeram os seus deuses aloirados e com os olhos claros; e os gregos e romanos, mais tolerantes e de religiosidade mais flexível, os mais diversos tipos de deuses, de loiros a moreno-claros, com olhos azuis, e por aí vai…

    E VOCÊ?
    Ora, será que se você tivesse nascido na Índia, não estaria se curvando para Brhama?
    Ou se tivesse nascido no Afeganistão, não adoraria o Profeta e morreria pelo seu nome, em alguma guerra “santa”?
    E se, porventura, tivesse nascido na África, não procuraria se aproximar dos deuses com sacrifícios de animais para Obaluaiê?
    E se tivesse nascido no Egito antigo não cultuaria Isis e Osíris?
    Ou mesmo, por acaso, nascido entre os aborígenes australianos, não adorariam Mangar-kunjer-kunja – o lagarto que nos criou a todos nós – e não juraria de “pés juntos” que este é, realmente, o deus verdadeiro?

    E cada um diz que o seu deus é o que é certo, é o único e o verdadeiro criador do mundo, que os outros são falsos e que, por isso, o nome do seu deus deve ser divulgado pelo mundo e que os outros deuses devem ser desprezados – nem que para isso seja necessário uma pequena “força” de convencimento, aplicada pela espada, pelos F-35 ou pelo AK-47!

    MAS ISSO NÃO IMPORTA.
    A sua crença – ou descrença – não importa para a humanidade e para as outras pessoas.

    O que realmente importa é o seu comportamento e quanto você valoriza a vida alheia, princípio básico da caridade, pois DE NADA ADIANTA você ser religioso, ateu, agnóstico, etc… e praticar as atrocidades que assistimos diariamente nos telejornais.
    A crença e a descrença não podem ser pretextos para o saque, a pilhagem, a escravidão e a matança – e, no nível da internet, para a falta de educação consequente à falta de argumentos.

    Encontrei este texto supostamente do biólogo Richard Dawkins. Creio que ele nos dá uma ideia do que seja “comportamento ético”.
    1. Não faça aos outros o que não quer que façam com você;
    2. Em todas as coisas, faça de tudo para não provocar o mal;
    3. Trate os outros seres humanos, as outras criaturas e o mundo em geral com amor, honestidade, fidelidade e respeito;
    4. Não ignore o mal nem evite administrar a justiça, mas sempre esteja disposto a perdoar erros que tenham sido reconhecidos por livre e espontânea vontade e lamentados com honestidade;
    5. Viva a vida com um sentimento de alegria e deslumbramento, pois a vida é um milagre;
    6. Sempre tente aprender algo de novo;
    7. Ponha todas as coisas à prova; sempre compare suas ideias com os fatos, e esteja disposto a descartar mesmo a crença mais cara se ela não se adequar a eles;
    8. Jamais se autocensure ou fuja da dissidência; sempre respeite o direito dos outros discordar de você;
    9. Crie opiniões independentes com base em seu próprio raciocínio e em sua experiência; não se permita ser dirigido pelos outros;
    10. Questione tudo para não ser usado.

    Abraços e boas festas.

  11. No meu conceito de cético é que o tal não tem certezas de nada. Caso contrário não seria cético.
    Como cético só me interesso pelo palpável e o visível. Não afirmo e nem desminto a existência de qualquer outra coisa fora deste meu limite. Acho uma perda de tempo.
    Já as religiões ou ideologias, o que dá no mesmo, é um produto humano. Uma sistematização do ideal, que apareceu com o advento da mente nos humanos. Uma mentira , portanto.
    Uma ambição descabida de querer transformar a natureza das coisas.
    Ao contrário das tecnologias que facilitam o enfrentamento das adversidades e que instintivamente são criadas pelas necessidades, mas com fundamento em fatos palpáveis e visíveis.

    • sr. Mauro Julio Vieira: interessar-se somente pelo “palpável e o visível” não é ser cético! E sim empirista volitivo. Confundir “alhos com bagulhos” ocasiona confusão mental; o que te leva “ingenuamente” CRER que são as “tecnologias que facilitam o enfrentamento das adversidades e que instintivamente são criadas pelas necessidade”. Na primeira metade do século XX o economista austríaco Joseph Schumpeter já havia constatado que não são as pessoas humanas e sim as empresas capitalistas em sua LÓGICA de acumulação, quem engendram tecnologias (inovações), sem o quê estarão fadadas à falência. Ele cunhou a expressão “destruição criativa”, desde então é assim que “funciona” o sistema econômico capitalista. Teu comentário é típico das pessoas sem criticidade, o que outra se chamava de “pensamento pequeno burguês”, que se “adapta” cinicamente às circunstâncias, sem ousar fazer questionamentos de ordens ontológica ou moral. O comentário sobre as religiões e ideologias serem “uma mentira” bem demonstra teu desconhecimento histórico e da evolução (genialidade) da humanidade… Certamente não compreendeu a provocação (em Latim: pró-evocare, ou seja, suscitar o debate/discussão) do texto do CN. São mentalidades como a tua que faz desse mundo uma mediocridade, momentânea, contudo as religiões e ideologias persistirão enquanto houver ser humano. Espero que 2015 lhe seja um ano de mudanças… De paz e bem.

      • César Rocha , prezado, uma coisa ficou clara, palpável e visível, é que você não me entendeu e ou não me fiz entender, o que é mais provável.
        De qualquer jeito, só para reafirmar, eu procuro levar a sério o palpável e o visível. O resto deixo para ser confirmado. Se o for, por fatos concretos, eu creio.
        Quanto à ideologias ou religiões, o que dá no mesmo, são sistematizações do ideal, segundo minhas constatações. Ideal que nasceu com o advento da mente nos humanos. Ideal, uma mentira. Uma ambição, Um desejo. Uma pretensão. Uma arrogância em que se prega mudar a natureza e por isso a contraria, causando mais infernos do que aqueles que se queria eliminar.
        Já a tecnologia ainda consegue melhorar um pouco a natureza, etc.
        Com ela se produz o nosso e velho bom consumo, para o prazer e para as necessidades. Sem a nossa palavra final, ou seja, sem que o produto nos sirva, não o adquirimos, o que leva muitas empresas à falência ou a não se firmarem no mercado.

        PS. Você me deixa a impressão de que absorveu muita teoria em livros. E livros não científicos. O que complica, pois somente livros científicos descrevem experiências comprovadas na prática.

        • É indigestão, Mauro. Depois que ele engoliu vários dicionários e livros lá não muito recomendáveis, a indigestão afetou a capacidade de discernimento do Cesar, impedindo-o, inclusive, de interpretar a leitura até de textos mais banais como o meu. Tenho a impressão também que isso o levou à sua preocupação desmedida em escrever de maneira empolada e pretensiosa para fazer propaganda das suas duvidosas qualidades intelectuais.

  12. Prezado Mauro,
    De onde vem a tua certeza?
    a tua força de vontade?
    a tua disposição para o trabalho, passeios, cinema, diversão ….?
    os teus sentimentos nobres e ruins?
    a tua índole, se má ou boa?
    o teu ódio?
    o teu amor?
    a tua solidariedade?
    a tua caridade?
    De onde vieram os teus talento e vocação?
    Me explicas, por favor, de onde surgiram as qualidades e defeitos de caráter e personalidade no ser humano?
    Por que nos tornamos pessoas úteis ou altamente prejudiciais e danosas à sociedade?
    Por que a honestidade e desonestidade?
    Na verdade quero dizer que se nós não vemos dentro de nós mesmos o que temos e que nos impulsiona a viver, DECIDIDAMENTE NÃO SERÃO AS TECNOLOGIAS que nos farão levar adiante a existência, independente do nível de conforto que possuímos ou, então, tenta me escrever as razões pelas quais as pessoas se suicidam?
    Honra?
    Vergonha?
    Depressão?
    Amor (ferido)?
    E porque tais sentimentos possuem esta força arrebatadora a ponto de nos fazer tirar a própria vida?
    Nenhum desses sentimentos ou emoções nós os enxergamos, pois são eles que dão sentido à vida, e não o que está fora de nós, mas dentro, em nosso âmago, como se diz popularmente, “no fundo do coração”.
    Um abraço, Mauro

  13. Obrigado Bendl, por questionar as minhas, como sempre, mal traçadas. Mal traçadas verdadeiramente mesmas e por isso tenho certeza de que não me faço entender bem.
    Tento.
    Quanto á índole, ela é produto de uma combinação genética exclusiva de cada pessoa que , ao interagir com palavras ou coisas vai construindo convicções. Daí, suas atitudes e sentimentos.
    E por aí vai.
    Como na nossa índole, o prazer fala mais alto, temos as tecnologias que, além de ajudarem em nossas necessidades , nos proporcionam bastante satisfação como o computador que hora usamos.
    De qualquer jeito a vida é isso. Não é fácil. Acho.
    Abração.

  14. Sr. Carlos Newton, Seu BLOG é quase a última mensagem verdadeira do que está acontecendo no Brasil. O Sr. é um grande Intelectual e Excelente Jornalista. Estou lhe respondendo, tão somente como Budista. O Sr. afirma: o Budismo diz “Nada é, tudo está”. Essa é uma definição do Budismo Hinayana, condenada pelo próprio Buda Sakyamuni, no Mahayana Verdadeiro(SUTRA DE LÓTUS). Existem cinco tipos de Sabedorias numeradas pela Lei do Dharma. Sabedoria do Mortal Comum( a sua e dos humanos), Sabedoria Divina, Sabedoria Cósmica, Sabedoria da Lei e Sabedoria do Buda. Na evolução de Mundos, nós temos, os Mundos dos Demônios(Infernos), Não Humanos, Humanos(onde o Sr. e a humanidade está), Mundo Tríplice(Santos, Profetas e Sábios – Jesus e outros), Mundo da Forma (somente Deuses) e Nirvana (somente BUDAS). A viagem é muito longa. Muitas vezes se regride ao invés de progredir. O Sr. possui um instrumento indestrutível que é o pensamento – pois, ele é visível, tangível e audível por quem tem o dom, apenas, da Sabedoria Divina. Tudo que o Sr. pensa, fica gravado no Registro do Dharma. O humano, hoje, não vê sequer, o ar que o mantém vivo. A Sabedoria Cósmica(o ensino), aparece para as pessoas apropriadas no tempo e no lugar certo, pois não se respira onde não tem oxigênio. O Sr. vai se lembrar dessa advertência, após a morte. Feliz Ano Novo!

    • Feliz ano para o Sr. também, Dr. Francisco R Nascimento, um dos grandes advogados do Rio de Janeiro. Gratos pelos elogios ao Blog, que pertence a todos nós, pois somos passageiros nessa rápida viagem da vida.

      Nam-myoho-renque-kyo para nós.

      CN

  15. Caro CN … saudações!

    Os corpos materiais, ao se deslocarem, irradiam calor, luz própria ou refletida, cheiro, tato, gosto etc … e as radiações nunca acabam!!!

    Os telescópios captam fótons de 10.000.000.000 ou mais de anos passados!!!

  16. Nenhum físico ou qualquer outro cientista pode provar ou não a existência de Deus. Steve Hawking é um físico teórico genial e cada um tira as conclusões que quiser.Steve Hawking era católico mas com a doença (Esclerose Lateral Amiotrófica) tornou-se ateu e é até um milagre que ainda não tenha morrido. O físico mais completo que já existiu, Werner Heisenberg, não era ateu. Quanto a esse “vale de lágrimas”, o sofrimento é parte da vida, todo mundo sofre a seu modo, na sua condição. Mas também experimentamos alegria e felicidade nas coisas cotidianas, só depende de nós.

    • Exato, Pedro. Ficar discutindo a existência ou não de deuses lembra a queda de Constantinopla, quando quem tinha que deliberar sobre a defesa do império estava discutindo o sexo dos anjos, literalmente. Daí a expressão.

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