Nada mais inútil e monótono do que o horário eleitoral GRATUITO. Dilma desperdiça o tempo, Serra se volta para ele mesmo, ninguém se interessa em compromisso, plano, realização

Antes de 1930, a famosa República Velha, não havia praticamente campanha, ninguém sequer imaginava a televisão, o rádio havia sido inventado (por Guglielmo Marconi), mal chegara ao Brasil. Com Rui Barbosa candidato a presidente em 1910, era ele quem “carregava nas costas” a própria bandeira, promessas ou compromissos.

Geralmente era um candidato único, imposto pelos próprios ocupantes do Catete. Rui quebrou essa candidatura exclusiva. Mas como só existia o Partido Republicano, teve que se lançar como independente, numa campanha maravilhosa.

Esse voto independente durou até 1933, quando já não interessava aos senhores do Poder. De 1910 até hoje, exatos 100 anos, e voltamos à campanha e ao candidato único e unitário. (Com a diferença de que a “vencedora” será uma mulher).

Até a eleição de 1930, os candidatos liam o que se chamava de “plataforma”. Era o que o candidato apresentava como MINHAS REALIZAÇÕES, menos do que nada, palavras. Como os donos dos jornais faziam politicalha da mais “participativa”, esse compromisso entre aspas era lido no Clube dos Diários.

Durou pouco, o candidato da oposição foi derrotado, só que o da situação não tomou posse. Veio o deserto de homens e idéias (Osvaldo Aranha), que durou dezenas de anos. Cortemos caminho, passemos pelo início e o fim da segunda ditadura, cheguemos à eleição direta, em 1989.

A propaganda era maior, só que não tão ampla. Os partidos não existiam, não influíam, não decidiam, eram “aglomerados” de cúpulas. Que se eternizavam nos cargos “conquistados” por eleições ou pelo domínio das oligarquias.

Depois da ditadura, vários cidadãos ocuparam o palácio presidencial, que não era mais o Catete e sim o Planalto-Alvorada. Representavam alguma coisa? Tancredo foi INDIRETO, e mesmo assim não assumiu.

SARNEY, vice que ficou com o mandato inteiro, sem ter 1 voto sequer. (Nem na ditadura, à qual serviu subservientemente, nem depois, quando assumiu por excesso de habilidade e falta de escrúpulo).

O primeiro eleito diretamente, não resistiu nem permaneceu, porque não tinha partido. Foi inscrito pelo PRN, muita gente terá dificuldade de traduzir a sigla. E se era difícil identificá-lo, mais difícil ainda descobrir onde se localizavam seus votos.

Desagradou a muitos, (do povo ou dos partidos?) decidiram retirar Fernando Collor do Poder pelo que chamam colonial e colonizadoramente de impeachment. Collor não ligou, acreditou que a votação nas urnas, bastaria para garanti-lo. Quando percebeu, os maiores amigos já dominavam a fila dos mais de 400 que votaram contra ele.

Em 1997, (depois de mais um interino) surgiu essa versão de horário eleitoral GRATUITO, que rádios e televisões adoram. Pois é muito bem pago, diretamente e sem receio de “calote”. É descontado diretamente do Imposto de Renda. Mas a campanha dos candidatos (a todos os cargos) continuou insípida, monótona, indiferente, taciturna e desastrada.

No pluripartidarismo, a eleição presidencial é sempre bipartidária, às vezes menos do que isso. COMO AGORA. Um candidato que já entra DERROTADO, outro que começa VENCEDOR. Chamam a isso DEMOCRACIA, dando razão ao frasista e conservador Winston Churchill: “A democracia é o pior dos regimes, excetuados naturalmente todos os outros”.

(Depois da Segunda Guerra Mundial, digamos, Churchill foi a primeira vítima. Derrotado pelo progressista VOTO DISTRITAL, não pôde voltar a ser Primeiro-Ministro).

Excetuada a inutilidade dos dois candidatos, não se comprometem a coisa alguma que se pareça com modificação. Nem passam perto de qualquer renovação, seja na ORGANIZAÇÃO e FUNCIONAMENTO DE PARTIDOS VERDADEIROS, ou de CONVENÇÕES. Vejamos.

1 – Decisão sobre o VOTO OBRIGATÓRIO ou FACULTATIVO. Os dois sistemas têm partidários ou adversários. 2 – Convenções partidárias obrigatórias, para que os candidatos NÃO SURJAM DE ESCONDERIJOS OU BECOS sujos e mal afamados.

Até agora, não ouvi nada sobre isso. Por quê? Aécio Neves fez a proposta de PRÉVIAS E CONVENÇÃO para escolher o candidato do PSDB, teve que recuar, os próprios companheiros do partido, perguntaram: “Você é suicida?” Não era, desistiu.

Perguntinha inútil, inócua, inerme, insensata: por que Serra e Dilma não aproveitam o enorme espaço da televisão e do rádio, para GARANTIR partidos de verdade? É que, como disseram a Aécio, “não são suicidas”.

3 – VOTO DISTRITAL para todas as eleições proporcionais, como se faz no mundo ocidental. A grande vantagem do VOTO DISTRITAL: são poucos candidatos, conhecem o eleitor e são conhecidos por eles.

Assim, os mais votados são eleitos.

4 – Um só exemplo: Lindberg Farias, antes de prefeito de Nova Iguaçu e agora candidato a senador, tentou ser deputado federal. Teve mais de 120 mil votos, não se elegeu porque seu partido não atingiu o que chama de “COCIENTE ELEITORAL”.

5 – Essas são algumas exigências do eleitor, que nem são lembradas pelos candidatos. Entram aí, a fidelidade partidária, o prazo (ALTO) para sair de um partido e entrar no outro, essencial para a liberdade geral e a escolha apropriada e esclarecida.

PS – Quanto à parte de I-N-V-E-S-T-I-M-E-N-T-O, assumem (?) os maiores, só que não sabem onde ir buscar recursos. Ninguém até agora deu uma palavra sobe o desperdício do pagamento anual de 188 BILHÕES de reais da DÍVIDA INTERNA.

PS2 – Dilma não pode falar, claro, nem precisa de votos. Mas Serra poderia e deveria perguntar de onde virá o dinheiro para investimento? E por que não pergunta: “É verdade que Lula NÃO PAGOU A DÍVIDA EXTERNA?”

PS3 – Esse que seria assunto ótimo e imprescindível para Serra, também não é usado, tem medo de atingir o ex-presidente que o manteve 8 anos como ministro.

PS4 – Com esses fatos dos quais cuidei ligeiramente, inutilizam o “tempo de televisão”. E também não estão falando para milhões, como dizem.

PS5 – O número de aparelhos desligados é colossal. Desperdiçam o tempo e não ganham o voto dos 130 milhões de eleitores inscritos.

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