Não adianta pedir “voto consciente”. O eleitor apenas “pensa” que está votando, não importa o candidato “escolhido”

Nogueira Lopes

Aproxima-se a eleição final e os candidatos pedem “voto consciente”. Mas isso é quase impossível. Quando o sujeito vota, ele não está votando – está “sendo votado”. O eleitor pensa que escolhe o candidato, que foi selecionado pela estrutura partidária, já passou por uma espécie de vestibular.

As suas concepções foram avaliadas, está treinado, de acordo com tudo aquilo que foi necessário. É preciso fazer todas as concessões exigidas para chegar a ser candidato nos partidos brasileiros, que têm uma estrutura feudal. É como se cada partido fosse uma seita, uma confraria, com seus códigos e exigências particulares.

A legenda tem estatuto, regras, código de comportamento, aspirações, táticas, compromissos. Ou seja, o sujeito só pode ser candidato se for submisso a tudo isso. Ele não vai expressar sua opinião, nem fazer nada de novo que contrarie as regras partidárias.

E, cá entre nós, o que os partidos querem é essa velha disputa pelo poder, para ver quem pode mais, quem vai receber mais vantagens do Estado. Simples assim.

FALTAM INGREDIENTES PARA O PROGRESSO

Fernando Henrique ficou 8 anos, Lula mais 8 anos. Continuam faltando os ingredientes importantes para a preparação de nosso futuro. Aliás, ainda não há nenhum.

Educação, saúde, infra-estrutura, estradas estraçalhadas, aeroportos insuficientes, portos ridículos, mínimos, caríssimos. O transporte coletivo precário nas grandes cidades. Avanço tecnológico medíocre para uma nação desse porte, a energia sempre a um passo do apagão, quando chega o verão.

Sem investimento nessas bases estruturais, o país não tem como avançar.

CIDADE DA MÚSICA, UMA OBRA DESAFINADA

Já se passaram dois anos, o então prefeito César Maria gastou mais de R$ 430 milhões na gigantesca construção (o orçamento inicial era de apenas R$ 80 milhões), mas até hoje não foram retomadas as obras da Cidade da Música, na Barra da Tijuca.

Se os atuais administradores da Prefeitura não gostam da obra ou de sua destinação, podem fazer dela o que quiserem: um colégio, um hospital, uma maternidade, um asilo para idosos, um orfanato, um museu de grandes novidades, qualquer coisa assim.

Não se pode aceitar é que a construção continue abandonada, embora haja placas afixadas lá anunciando que as obras já foram retomadas. É desanimador.

UM HOSPITAL É MONUMENTO AO DESCASO

Um prédio inteiro do Hospital do Fundão vai vir abaixo. Será demolido, antes que desabe mesmo. O pior é que este edifício começou a ser erguido nos velhos tempos do presidente Getúlio Vargas, e nunca ficou pronto.

Há décadas e décadas está inacabado e em deterioração, como um colossal monumento ao descaso das autoridades da saúde. E o outro prédio, ao lado, o único que funciona, tem capacidade para fazer 1,3 mil internações, mas só consegue atender a 350 pacientes.

Na campanha eleitoral, ninguém falou nisso, nem vai falar nos dias que faltam. È a face esquizofrênica do Brasil.

MAITÊ PROENÇA COM PINTA DE “IMORTAL”

Maitê Proença em alta na Academia Brasileira de Letras. Os acadêmicos ficaram encantados ao receberem a atriz, que recitou poemas de Casimiro de Abreu. Como também é escritora e cronista consagrada, Maitê só não entra na Academia se não quiser. Já é imortal pela beleza, agora os acadêmicos querem imortalizar sua prosa e verso.

UM GRANDE ENSINAMENTO DE ADAM SMITH

Por fim, vale lembrar esse ensinamento de Adam Smith, o pai da Ciência Econômica, que devia ser repetido em toda eleição: “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos governantes”.

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