“Não cabe ao presidente acabar com a Lava-Jato”, diz procurador aos críticos da operação

Oliveira diz que declaração de Bolsonaro foi”infeliz e equivocada”

Israel Medeiros e Bruna Pauxis
Correio Braziliense

O envio das investigações da Lava Jato para outros estados pode gerar perda de qualidade no andamento da força-tarefa, alerta o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira. Em entrevista ao CB Poder — uma realização do Correio Braziliense e da TV Brasília —, nesta semana, ele rebateu os críticos da operação que defendem a descentralização dos inquéritos.

“Na Lava jato, temos um conjunto de investigações que podem ser divididas em grupos de dez investigações, mas o fato é que precisamos avançar. Alguns fatos são conexos e outros têm mais independência. Os que estão em Curitiba guardam mais conexão porque ali há um conjunto de pessoas que se especializaram nesse tipo de investigação. Espalhar a investigação causará uma perda de qualidade no processo”, afirmou Oliveira.

DECLARAÇÃO – O procurador do MP junto ao TCU lamentou a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “acabou” com a Lava-Jato porque não existe corrupção no governo. “Foi uma frase muito infeliz e equivocada do presidente. Há mais de 400 inquéritos, investigações em curso, só na força-tarefa de Curitiba. Há muito trabalho a ser feito, e não cabe ao presidente da República acabar ou não com a Lava Jato. Isso é uma consequência do esgotamento dos fatos a serem investigados, que acontecerá em algum momento. É uma atribuição do Ministério Público e do Poder Judiciário”, esclareceu.

Oliveira também comentou a relação da milícias no Rio de Janeiro com a política. Para ele, a situação da segurança pública no Rio é gravíssima e, para superar isso, o estado deve se equipar com pessoas, materiais e inteligência. Além disso, uma resposta do Judiciário e uma atuação do sistema prisional para isolar lideranças criminosas é importante, segundo ele. “Todo um conjunto de órgãos tem que se articular para um enfrentamento dessa magnitude”, afirmou.

ANDRÉ DO RAP – Ao comentar sobre controvérsias no Judiciário, o procurador avaliou o caso André do Rap. O traficante do PCC fugiu no último dia 10, após ter a prisão preventiva revogada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF. “No caso do Supremo, tem o problema da distribuição de processos que permitiu que os advogados entrassem com nove habeas corpus e depois desistissem, porque não caíram com um ministro que achavam que seria simpático à causa. Quando caiu com o ministro Marco Aurélio, ele foi em frente e concedeu a ordem”, observou o procurador.

Júlio Marcelo de Oliveira criticou ainda a fala do ex-marqueteiro do Partido dos Trabalhadores, João Santana, no programa Roda Viva, da TV Cultura ontem (26). Santana, responsável pelas campanhas presidenciais do PT entre 2006 e 2014, afirmou que o caixa 2 é a “alma do sistema eleitoral brasileiro”. Para Oliveira, a declaração é problemática, pois aponta para uma naturalização da corrupção.

“O caixa 2 existe porque alguém quer doar recursos e não quer contabilizar essa doação. E por que alguém faz esse tipo de doação? Porque tem algum interesse a ser preservado ou conquistado com a eleição daquela pessoa que recebe a doação. É um investimento, haverá uma cobrança depois. É extremamente nociva para o nosso sistema”, completou.

2 thoughts on ““Não cabe ao presidente acabar com a Lava-Jato”, diz procurador aos críticos da operação

  1. “Flávio Bolsonaro viaja para Fernando de Noronha com passagem paga pelo Senado.

    Após caso ser divulgado pela imprensa, senador informou que vai devolver o dinheiro”

    BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) viajou para Fernando de Noronha com passagens pagas pelo Senado. Flávio decidiu passar o final de semana e o feriado com a esposa na ilha. Depois que o caso veio a público, revelado pelo portal Metrópoles, Flávio anunciou que houve um erro de sua equipe e que vai bancar as próprias despesas.

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    No sistema do Senado, consta o reembolso ao senador pelas passagens aéreas compradas pela companhia aérea Azul no valor de R$ 1.361,19. Somado ao custo de passagem no trecho Brasília-Recife, o custo total foi de R$ 1.617,66.

    A ida ocorreu na última quinta-feira, e o retorno está previsto para a próxima terça, dia 3. A cota parlamentar é utilizada para ressarcir despesas de senadores em compromissos oficiais. Nesse caso, o Senado reembolsou o senador pelo gasto com deslocamento aéreo.

    O senador está hospedado numa pousada, que, segundo o site, tem diárias a partir de R$ 1.617.

    Por ser filho do presidente, o parlamentar é acompanhado constantemente por escolta policial. Para a viagem, foram destacados dois servidores do Senado, que receberam, no total, cerca de R$ 6,5 mil em passagens e diárias.

    Inicialmente, ao ser questionada pelo GLOBO sobre a viagem, a assessoria de Flávio disse que não sabia dizer se ele estava em Fernando de Noronha. De acordo com o assessor, o senador planejou a ida ao local para acompanhar o pai, que planejava fazer uma visita oficial no final de semana, mas acabou desistindo.

    Algumas horas depois, no entanto, a assessoria divulgou nota confirmando a viagem e dizendo que o reembolso foi solicitado por engano ao Senado.

    “O gabinete do senador Flávio Bolsonaro informa que houve um equívoco da equipe que emitiu as passagens para Fernando de Noronha. As passagens foram pagas pelo próprio senador, mas a equipe, por engano, pediu reembolso. Ele já fez a solicitação para cancelar o reembolso e para também cancelar os pedidos de diárias”, diz a nota.

    Apesar de Bolsonaro não ter viajado, ministros de Estado, secretários e auxliares mantiveram a ida a Fernando de Noronha. Mesmo sem compromissos oficiais no final de semana, alguns deles decidiram prolongar a estadia por mais tempo.

    Ricardo Salles
    Após esticar a permanência em Fernando de Noronha, onde deve ficar até domingo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, informou que deve retornar a Brasília de voo comercial. Na última quarta-feira, Salles embarcou às 7h10 em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), com outros 11 tripulantes para a ilha, onde participou de compromissos oficiais até sexta. No avião estavam também o ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, e o secretário de Pesca, Jorge Seif.

    No arquipélago, Salles assinou o termo de concessão do Mirante do Boldró, um imóvel federal que vai ser explorado pela iniciativa privada. O mirante faz parte do complexo do antigo Hotel Esmeralda e está fechado há mais de 20 anos. A área tem cerca de 500 metros.

    — Assinei a permissão de uso desse espaço tão privilegiado da ilha, que estava abandonado há tanto tempo. É um bom investimento do turismo, que gera emprego e renda — declarou Ricardo Salles, ao fazer um discurso na solenidade.

    Ele não quis conceder entrevistas no primeiro dia de visitas.

    Interlocutores de Jair Bolsonaro lembram que o presidente não admite uso indevido da aeronave das Forças Armadas para locomoção de seus subordinados. Em janeiro, Bolsonaro demitiu o secretário executivo da Casa Civil, José Vicente Santini, após ele viajar à Índia com uma aeronave da FAB. Nove meses depois, em setembro, porém, Santini voltou ao governo para trabalhar como assessor especial de Ricardo Salles no Ministério do Meio.

    O ministro do Meio Ambiente admite que deve permanecer em Noronha até domingo e alega que arcará com os custos extras, como retorno e hospedagem para passar o final de semana na ilha.” (O Globo)

    E a farra com o dinheiro público continua.

    O senador do papaizinho se enganou. Muito inocente. Se a imprensa não tivesse descoberto ficaria por isso mesmo.

    Quanta “onestidade” desse senador pilantra.

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