Não é a inflação que determina as altas taxas de juros

Martim Berto Fuchs

É claro que quanto maior a possibilidade do governo não honrar com o compromisso do pagamento dos juros, maiores serão as taxas de retorno exigidas pelos agentes financiadores dos títulos públicos.

Isto mostra que não é a inflação que determina as altas taxas de juros. Logo, quando aumentam os juros, não é para conter a inflação e sim para manter os investidores.

E quando isso vai mudar ? Quando o governo fizer o dever de casa, qual seja:
1º – não desperdiçar o dinheiro dos impostos em politicagem.
2º – não roubar o que resta.

Enquanto estivermos sob o tacão deste sistema político, nada vai mudar, a não ser para pior. Lógico, uma boa administração, mesmo desperdiçando e roubando, tende a melhorar as contas públicas. Mas para resolver de vez este eterno problema, temos que abandonar nossa Monarquia Republicana, mantida por um sistema político já fétido.

CAPITALISMO SOCIAL

Comunismo é uma proposta que nasceu morta. E o capitalismo tem que ser continuamente aprimorado. Não basta recitar que o mercado resolve tudo, porque isso é uma grande mentira.

Este nosso “capitalismo” permite que aumente o número de ricos cada vez mais ricos e o de pobres cada vez mais endividados e pobres.

O Lullo-petismo só sobrevive por isso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Martim Berto Fuchs é um dos maiores estudiosos do capitalismo e trabalha para aprimorá-lo, de forma a que possa existir uma maior justiça social. Seus estudos podem ser conferidos no blog http://capitalismo-social.blogspot.com.br. Todos os que lutam por um mundo melhor precisam conhecer os trabalhos de Fuchs. (C.N.)

2 thoughts on “Não é a inflação que determina as altas taxas de juros

  1. O ilustre Autor de “Capitalismo Social”, Sr. MARTIM BERTO FUCHS está certíssimo. No nosso caso, com uma Dívida Interna Pública de +- R$ 2.200 Bi, de perfil curtíssimo de menos de 3 anos, há uma necessidade estratosférica de Capital para girar a Dívida. Pelo Orçamento de 2015, estão previstos para esse giro, +- R$ 1.250 Bi, sendo Juros +- R$ 250 Bi, dos quais estavam previstos +- R$ 95 Bi de Superavit Primário, que nesse ano de Eleição Presidencial não chegará nem a R$ 50 Bi, e o saldo de R$ 1.200 Bi, será girado. Ora numa Economia (PIB ) de +- R$ 5.000 Bi, girar, R$ 1.200 Bi, só com Juros muito altos. Só para termos uma ideia desse Valor, Toda Folha de Pagamento do Governo Federal, Ativos/Inativos é de +- R$ 300 Bi, e toda a Arrecadação Federal de Impostos, Taxas, Contribuições/Ano, é de também +- R$ 1.250 Bi. Realmente no nosso caso, dado o perfil curtíssimo de nossa Dívida Pública Interna, de menos de 3 anos, “é o rabo da Dívida que abana o cachorro todo, ( a Economia Toda”). E por isso a calibragem da SELIC é muito mais para amealhar esses +- R$ 1.200 Bi/Ano, do que para combater a Inflação.

    Em relação ao Capitalismo Social:
    Há +- 50 anos atrás, a média de Salário dos grandes Executivos das Empresas era de +- 30 Salários Mínimos.
    Hoje, a média de Salário dos grandes Executivos é de +- 300 Salários Mínimos. Isso não é SUSTENTÁVEL.
    Sendo que o ideal no Capitalismo Social preconizado pelo Sr. MARTIM BERTO FUCHS, é de 10 Salários Mínimos.

  2. Sr Fuchs,

    Estão corretas as suas impressões sobre a gestão da dívida pública.

    Entretanto, devo advertir que a emissão de títulos por parte do governo guarda duas funções mais básicas :

    1º) atrair recursos que estão sobrando do setor privado para o setor público;

    2º) atrair capital estrangeiro com o intuito de dirigir positivamente o fluxo de dólares para o mercado interno de modo a ajudar o trabalho do Banco Central a regular a taxa de câmbio e a manter uma cesta de reserva saudável dessa moeda capaz dar regularidade às transações correntes do nosso país com o resto do mundo.

    Existe uma lógica embutida no primeiro caso que faz parte da Política Monetária conduzida pelo Banco Central em articulação com o Tesouro Nacional que é a elevação da Taxa Selic pelo COPOM (Comitê de Política Monetária) no oferecimento de novos títulos públicos ao mercado por parte do Tesouro.

    Veja-se que a Dívida Pública Mobiliária Federal é composta por títulos com diferentes indexadores.

    Em agosto último ela estava assim composta: 40,7% em títulos pré-fixados, 34,8% em títulos indexados aos índices de preços (IPCA e IGPM), 20,2% em títulos indexados à taxa pós-fixada ou flutuante (SELIC), e 4,2% em títulos indexados pela taxa de câmbio.

    Fonte: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/113505/Texto_RMD_Agosto_14.pdf/def3b3b9-6b35-4b57-80ba-84fa27f06f76

    É claro que se o mercado duvida da capacidade de pagamento dos juros por parte do governo, os bancos, principalmente, exigirão taxas de retorno maiores para adquirirem novos títulos deste governo, induzindo o Tesouro Nacional a emitir títulos com índices pré-fixados com maiores taxas de retorno. Isto é, maiores juros e/ou taxas de desconto dos títulos.

    Mas, veja que nem todos os títulos são pré-fixados. Há os títulos que são indexados à Taxa Selic, que quando aumenta, aumenta os rendimentos dos investidores, mas, também, e diretamente, a taxa de desconto interbancária. A taxa de desconto interbancária está atrelada à taxa Selic. Esta taxa baliza os empréstimos interbancários encarecendo o dinheiro que circula entre estas instituições privadas que buscam otimizar seu estoque de recursos no oferecimento ao público.

    Este encarecimento de recursos que um banco empresta ao outro para oferecer ao público faz com que os bancos aumentem, também, os juros cobrados em seus empréstimos a este público, encarecendo, por sua vez, o crédito direto ao consumidor.

    Como juros mais altos é dinheiro mais caro, o efeito é o desencorajamento do consumo – a redução do consumo ou demanda, como queira -, o que acarreta a diminuição das pressões inflacionárias uma vez que a ação do COPOM na elevação da SELIC, indiretamente, tende a equilibrar o mecanismo da OFERTA X DEMANDA.

    Então, dois são os resultados derivados do aumento da Selic: 1. o aumento do retorno dos títulos do governo aos agentes compradores desses títulos atrelados à Selic e, 2. diminuição do consumo das famílias e empresas por restrição do crédito.

    Para se desfazer das dúvidas quanto às duas funções básicas da administração da dívida pública, como disse, é só lembrar que os títulos do governo não estão atrelados somente à Selic.

    Grande abraço!

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