Não expulsem o torcedor

Tostão (O Tempo)

É evidente que muito dinheiro público, que seria usado para obras importantes, sem nenhuma relação direta com a Copa do Mundo, tem sido desviado para o Mundial e para a Olimpíada.

Não existe dinheiro para a merenda escolar em Natal, mas não falta para a construção do estádio, que tem grandes chances de se tornar um elefante branco. O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, quer a transferência de R$ 80 milhões da educação para despesas com a Copa do Mundo.

Existem três obras importantíssimas e urgentes que precisam ser realizadas em Belo Horizonte e em cidades próximas, que já deveriam estar prontas há muito tempo e que não saem do papel: o metrô de Belo Horizonte, as melhorias do Anel Rodoviário, onde ocorrem desastres quase todos os dias, e a construção de uma nova BR-381, uma estrada assassina, uma calamidade pública.

Recusei o prêmio de R$ 100 mil e a aposentadoria especial dadas pelo governo aos campeões do mundo de 1958, 1962 e 1970 porque não quero ter esse privilégio. Como qualquer cidadão, vou requerer minha aposentadoria. Tenho direito. Na época, fomos bem premiados pelo título. Os atletas campeões que passam por dificuldades precisam ser ajudados pelo governo, por meio da Previdência Social, e pelas entidades governamentais de apoio aos ex-atletas, que já existem. A CBF e os clubes têm também obrigação de ajudar seus ex-jogadores.

Temo que os novos estádios construídos para a Copa elitizem o futebol. Para isso não ocorrer, é necessário vender ingressos com preços diferentes. Quem quiser mordomia que pague por isso. Os torcedores humildes têm direito de pagar preços razoáveis, além de ter segurança e conforto.

Corre-se o risco de a torcida se comportar como se estivesse em um teatro, todos sentadinhos, bem comportados, sem vibração e sem identificação com o futebol e com os clubes. O verdadeiro torcedor, apaixonado por seu time, não pode ser expulso.

Os responsáveis pela manutenção dos novos estádios, os clubes e os torcedores têm que preservar e tratar os estádios com carinho. Para isso, o público tem que ser bem tratado.

É um absurdo colocar o Brasil em 18º lugar no ranking da Fifa.

Teremos dois clássicos na próxima fase da Copa dos Campeões da Europa, entre Barcelona e Milan, e entre Real Madri e Manchester United. Em jogos mata-mata, pode haver surpresa. A eliminação do Barcelona pelo Chelsea, no ano passado, foi, pelas circunstâncias, uma das maiores zebras da história do futebol. O Barcelona era muito melhor, jogava em casa, tinha um jogador a mais, ganhava por 2 a 0, perdia muitos gols e ainda Messi errou um pênalti.

 

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