“Não há razão para sigilo nas delações da Odebrecht”, afirma delegado federal

O presidente da ADPF, Carlos Sobral. Foto: Divulgação/ADPF

Sobral critica os cortes no orçamento da Polícia Federal

Mateus Coutinho, Fábio Serapião e Fausto Macedo
Estadão

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, não há nenhuma razão para o sigilo das delações premiadas de 77 executivos, ex-executivos e funcionários da Odebrecht, mantido pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia. “No caso da delação (da Odebrecht), que os investigados já têm conhecimento da investigação e são fatos um pouco mais antigos, entendemos que não há razão nenhuma para manter o sigilo das delações”, afirmou Sobral ao Estadão.

Para a Associação dos Delegados da PF qual é a importância da homologação das delações?
Trazer a público toda a forma de fazer negócio público no País nas últimas décadas. A gente vê é que havia, espero que acabe, uma relação promíscua entre o poder público e as grandes empresas no País, ora para financiar estrutura partidária seja através de doações de caixa 1 ou caixa 2, ora para prática de corrupção visando enriquecimento ilícito dos agentes envolvidos. Acho que essas delações vão trazer a público em detalhes como o Brasil funcionou nas últimas décadas.

Qual a importância do sigilo dos processos?
O sigilo na investigação criminal tem como fundamento a preservação da busca da prova, isto é, se o investigado tomasse conhecimento da investigação ele poderia ocultar a prova. No caso da delação (da Odebrecht), que os investigados já têm conhecimento da investigação e são fatos um pouco mais antigos, entendemos que não há razão nenhuma para manter o sigilo.

Qual o maior desafio para as investigações da PF na Lava Jato neste momento?
De forma mais sintética, a investigação envolvendo pessoas não detentora de foro, ou seja no 1.º grau, chega quase ao seu fim e agora passa-se a investigar fatos envolvendo detentores de foro. Agora, a competência que era da 13ª Vara (juiz Sérgio Moro) está quase que toda no Supremo, e temos dificuldade de fazer uma investigação junto a um Tribunal que não tem como natureza, como sua razão de existir, a instrução de prova ou o próprio julgamento de ações criminais, ainda mais envolvendo uma quantidade grande de pessoas como é o caso dessas delações. Mas tenho certeza que essa dificuldade vai ser superada com o esforço da PF e do próprio Tribunal em dar andamento às investigações.

Vê algum risco de interferência política nas investigações que devem se ampliar a partir da delação?
Com certeza quem é investigado tem a tendência natural de interferir de alguma forma. Mas, tanto o Tribunal quanto a PF vão se valer de todos os meios, com o olhar da imprensa bem próximo e de toda a sociedade. O risco de uma interferência na Lava Jato é muito pequeno. Nós temos o risco de interferência institucional por falta da nossa autonomia em relação ao governo, mas no caso especifico de uma investigação o risco de haver interferência é muito pequeno. Sabemos que hoje o que interfere é tirar o recurso da PF, não realizar concursos, assim se esvazia a instituição. Mas, no caso de uma investigação específica é feito um reforço especial para que não falte nenhum recurso naquela investigação mesmo que para isso seja necessário comprometer outras tantas investigações.

Como tem sido a queda no orçamento da PF nos últimos anos?
Nosso orçamento vem caindo ano após ano. No ano passado não foi diferente. Com isso acabamos tendo menos recursos para investimentos. E menos recursos para investimento são menos operações, menos unidades, menos investigações. Essa é uma realidade que a Polícia Federal vem sofrendo. Atrapalha nossas investigações por causa de falta de autonomia.

9 thoughts on ““Não há razão para sigilo nas delações da Odebrecht”, afirma delegado federal

  1. Off topic:
    Clinton pode, mas Trump não pode. O caso dos imigrantes ilegais.
    Em 1995, o então presidente Bill Clinton produziu o discurso que vai a seguir em vídeo e com legendas em português.

    O editor resolveu postar o material, tudo para desmascarar a mídia empoderada e a vanguarda do atraso, que se escandalizam com as ações de Trump contra os imigrantes ilegais e contra o muro.

    O leitor perceberá que Clinton usa expressões duras contra os ilegais.

    Além disto, Bill Clinton mandou construir boa parte do muro atual que separa EUA e México.

    Aqui:
    http://polibiobraga.blogspot.com.br/

  2. Concordo plenamente, o mais interessado é o verdadeiro patrão, o povo brasileiro, minha preocupação é saber que será o relator e o novo ministro indicado, saber se vai honrar o cargo que ocupar.

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