Não há segurança nos colégios, nem para professores, nem para alunos

Pedro do Coutto

Não estão existindo condições de segurança nas escolas municipais e estaduais do Rio de Janeiro, o que torna a profissão de professor numa profissão de risco e projeta, portanto, a insegurança sobre os alunos. As agressões a professores e  alunos, por parte de pessoas estranhas aos estabelecimentos de ensino acontecem com frequência espantosa. Essas afirmações foram feitas pelo professor Fernando Barros, domingo passado, durante o programa de debates dirigidos pelo jornalista Haroldo de Andrade Junior, Radio Tupi.

O tema foi colocado a partir do trágico episódio da escola Tasso da Silveira e alcançou grande repercussão, levando a participação em série de ouvintes. Estavam também na mesa redonda, como acontece todos os domingos, eu, a psicóloga Sandra Batista, o professor de Direito Ricardo Tonaci e o engenheiro Merry Dachon.

Impressionante a falta total de segurança. Fernando Barros dá aula em colégios do estado e do município, na zona norte do Rio, e narra que, ele próprio, já teve que revidar agressões físicas  que sofreu. Não é um caso isolado. Centenas de outros sucedem-se todas as semanas nas mil e duzentas escolas do município e nas novecentas mantidas pelo poder público.

O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes têm que tomar providências urgentes. Vidas humanas estão em risco, como tragicamente se verificou na escola de Realengo. Segurança houvesse, as mortes provavelmente seriam evitadas.

Como é possível – indagou o professor – que unidades de ensino estejam abertas de forma indiscriminadas? Um caminho para a violência, acentuou. Outro dia, um aluno desfechou violento soco no estômago de uma professora que desmaiou. Os traficantes impediram a expulsão do aluno ameaçando a diretora da escola com atos de terror. Isso aconteceu em Cordovil.

O tráfico de drogas – prosseguiu – é algo constante nas unidades da rede pública. Seguidamente pessoas entram nas escolas, movimentam-se ameaçadoramente pelos corredores, chegam às portas das salas de aula e chamam alunos com quem desejam falar. As Secretarias Municipal e Estadual de Educação sabem muito bem o que se passa na educação pública e providência alguma tomam. Posso citar, se desejarem mesmo levar a coisa a sério, uma longa lista de professores vítimas de agressão e intimidação. Estamos, todos nós, dispostos a depor e dizer a verdade. Tensão psicológica e agressões físicas, hoje em dia, fazem parte de nosso trabalho, de nossa profissão. Há também a venda aberta de drogas nas calçadas próximas.

Alunos addolescentes, sentindo-se fortes pelo apoio externo que recebem, rompem os limites da educação e do ensino e não aceitam os limites normais que devem separar, mas no Rio não separam, o corpo docente do discente. Ou seja: do magistério e dos alunos. As comunidades de menor renda do Rio de Janeiro encontram-se em grande parte rebeladas e não se condicionam nem aos limites da lei. Quanto mais aos limites fixados pelo professorado.

Foi um depoimento importante, a título de desabafo, feito através de um programa de audiência alta, o do professor Fernando Barros. Ele revelou uma face ainda oculta das relações e tensões sociais que predominam em torno do exercício da atividade de ensinar. De uma atividade, portanto, que envolve a construção do futuro. Não há segurança adequada para os professores e professoras. Assim não há também para os alunos e alunas.

Absolutamente incrível. Uma situação absurda e insustentável.

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