Não haverá a mais importante das reformas, a política-partidária-eleitoral. Muita gente do país inteiro acredita que haverá. Como digo há muitos anos, os “líderes” e “caciques” não querem perder nada.

Helio Fernandes

Todos falam em reforma, nas ruas, nos mais variados lugares, essas palavras só não repercutem nos partidos, na Câmara, no Senado, no próprio Planalto. Existem muitas reformas, citam nomes das que “vamos executar”, não acontecerá coisa alguma. Retórica, mistificação, embuste, enganação, podem se convencer da realidade. Outros 7 anos (apenas?) se passarão, e não haverá mudança alguma.

Sarney fala em “implantar a transparência no Senado”, não tem a menor idéia do que esteja dizendo. Deveria expor e implantar a transparência não só no Senado, mas também da vida pessoal e dos 56 anos que diz estar na vida pública. Por que não explicar como passou de POBRETÃO a RICAÇO, sem um dia de trabalho particular?

O presidente da Câmara falou “empolgado e emocionado”, não disse nada muito aproveitável. Deu grande importância à construção de mais um anexo, deixou bem claro: “Os deputados de segunda categoria, que somos nós, não temos nem banheiro nos gabinetes”. Reforma partidária-política-eleitoral? Isso é para ser tratado no banheiro.

Dona Dilma, do alto do Planalto-Alvorada, foi pessoalmente ao Congresso ler sua mensagem (que poderia ter mandado pelo Chefe da Casa Civil, quase rotina), a impressão é de que reservava afirmações importantíssimas. Tempo perdido, ficou nas generalizações sem sentido, evidente que não percebeu a necessidade de fazer reformas REALISTAS em vez de se refugiar em afirmações TEÓRICAS.

Podem falar ou citar o nome de quantas reformas quiserem, venham de onde vierem, do Executivo, Legislativo e Judiciário, serão apenas paliativo. Antes de qualquer coisa, aproveitando então para oferecer ao cidadão e ao país, as conseqüências, terão que modificar o quadro PARTIDÁRIO, POLÍTICO, ELEITORAL.

Sem mudar e dar autenticidade à REPRESENTATIVIDADE, não farão coisa alguma. (Desculpem, há anos escrevo sobre isso). E a própria Dilma já presidente, tem dito e repetido: “Tive 55 milhões de votos”. Deveria ter cuidado com essas fantasias, muitos, aqui mesmo, têm perguntado com toda a razão: “55 milhões de que total?”

Essa é a grande questão. Estavam inscritos 135 milhões de eleitores, um número fantástico. Numa conta simplíssima, o resultado e a conclusão: teve 55 milhões de votos, ficam faltando 80 milhões que não votaram nela.

A culpa do desperdício da participação (ou participação descuidada, desprezada e não avaliada) pode não ser culpa dela. Mas se insistir em falar em reformas, mas não localizar a prioridade absoluta, indiscutível e indispensável no quadro POLÍTICO-PARTIDÁRIO-ELEITORAL, aí estará assumindo a responsabilidade, seja como for, pelo menos por OMISSÃO.

Deputados e senadores diziam, envaidecidos: “Os parlamentares tiveram 90 milhões de votos”. Lógico, reunidos, mas mesmo aceitando que o número seja verdadeiro, onde estão os outros 45 milhões? Numa possível reforma poderiam descobrir onde foram desencaminhados esses 90 milhões de pessoas, que tratam apenas como votos?

Nossa “cultura, hábito, gosto e quase tradição”, é a do voto comprado. Que se era uma taxa alta antes, na medida em que a população aumenta, o voto DESINTERESSADO ou desprezivelmente RECOMPENSADO, aumenta muito mais. O que fazer a não ser valorizando o voto, dando ao cidadão condições de exercer e escolher os seus representantes? Já escrevi muito sobre o assunto, dando prioridade a essa reforma, a mais URGENTE.

*** 

PS – O meu medo agora, e tenho quase certeza de que vai acontecer: “Uma reforma fatiada”, um “pouquinho” de cada vez, favorecendo “as cúpulas”

PS2 – Se continuar nesse espasmo de Poder, sem exercê-lo com rigorosa autoridade, Dona Dilma estará perdendo a chance de 2014. Isso, se chegar até lá.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *