Não haverá crescimento até 2018′, diz ex-ministro João Sayad

João Sayad, cada vez mais pessimista: “Faltam líderes”

Deu no Estadão

Houve exageros na política econômica do primeiro governo Dilma Rousseff, mas a crise política é destaque na forte recessão deste ano, segundo o economista e ex-ministro do Planejamento João Sayad. Com o aumento do risco de perda do grau de investimento junto às agências de classificação de risco, após a decisão da Standard & Poor’s (S&P) de colocar a nota do Brasil em perspectiva negativa na terça-feira (28/7) o cenário para a economia fica ainda pior, e não deverá haver crescimento até 2018.

“Fomos colocados em viés de baixa. Quer dizer, o pesadelo está ficando mais real”, diz Sayad, doutor pela Universidade Yale e professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. A principal consequência da perda do grau de investimento, segundo ele, será uma elevação na cotação do dólar, mas sem permitir ganhos para a indústria exportadora, por causa da fraca atividade econômica.

Como não vê, na situação ou na oposição, líderes políticos capazes de aprovar propostas de mudanças e acredita que uma mudança de governo antes das eleições seria ainda pior para a economia, Sayad descarta uma saída no curto prazo.

PESSIMISMO

“O pessimismo é principalmente político. Temos um País sem lideranças, nem na oposição nem na situação”, diz o economista. Há cerca de um mês, o mais recente livro de Sayad, Dinheiro, dinheiro (editora Portfolio Penguin), chegou às livrarias. Na obra, o professor, ex-ministro e ex-secretário municipal e estadual em São Paulo, trata do debate entre “monetaristas” (ou “neoliberais”) e “estruturalistas” (ou “desenvolvimentistas”), na interpretação da economia. Para Sayad, o exagero nos gastos públicos foi um erro do desenvolvimentismo implementado no primeiro governo da presidente Dilma.

Questionado sobre a solução em termos de aparecer algum líder, Sayad afirma que não vê “nem no PT, nem no PSDB, nem no PMDB” um líder, um partido, um conjunto de pessoas, “que consiga reunir apoio suficiente para um plano de governo e uma solução política dentro do Congresso”.

O ex-ministro afirma que vamos conviver com a crise até as eleições de 2018 “com baixíssimo crescimento (da economia)”. E completa, “Eu acredito que a inflação vai cair, o que é ótimo. E vai cair porque está aumentando o desemprego, o excesso de capacidade. A forma pela qual ela vai cair é dolorosa, mas, tendo caído, é ótimo. Agora, o déficit público e a estabilidade do crescimento da dívida não se resolve com essa recessão”.

13 thoughts on “Não haverá crescimento até 2018′, diz ex-ministro João Sayad

  1. http://pmdb.org.br/noticias/camara-retoma-trabalhos-em-clima-de-descontentamento-com-a-economia-diz-cunha/

    Câmara retoma trabalhos em clima de descontentamento com a economia, diz Cunha
    Agência Câmara
    31 de julho de 2015
    Brasília (DF) – O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), disse nesta quinta-feira (30) que os deputados voltam na próxima semana depois de tomar contato com o clima de descontentamento com a situação econômica do País. “Os parlamentares estão voltando das suas bases e estão sentindo o clima, como eu também volto. Eu vou voltar no fim de semana, vou e rodo e minha base e vejo efetivamente o problema que dá uma parte da revolta”, afirmou. Segundo ele, há uma “convulsão generalizada” de vários problemas que não gera um clima bom.
    A declaração ocorreu após a reunião da presidente Dilma Rousseff com os 27 governadores de estados e do Distrito Federal, na qual ela pediu cooperação deles, “independentemente das afinidades políticas”, contra projetos em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado que elevam as despesas públicas.
    Apesar de não ter citado claramente as propostas, a presidente quer que os governadores trabalhem com os parlamentares dos seus estados para manter os vetos ao aumento do salário dos servidores do Judiciário e ao reajuste das aposentadorias e pensões do INSS acima do salário mínimo, ambas aprovadas no Congresso.
    Cunha elogiou a decisão de Dilma de vetar o reajuste da aposentadoria. “O veto de ontem foi correto porque a correção dada foi equivocada.”
    O presidente da Câmara acrescentou que “é importante que todos estejam imbuídos [da necessidade de ajuste fiscal] para não colocar despesa para os outros e tentar juntos evitar que seja aumentados gastos em especial em um momento como este.”
    Restos a pagar – Para Cunha, a liberação de cerca de R$ 1 bilhão em restos a pagar de emendas parlamentares de 2014 e anos anteriores pelo governo, às vésperas do retorno dos parlamentares aos trabalhos, foi um ato normal do Executivo. “Se não fizesse isso é que poderia dar uma revolta na base e causar muitos problemas.” Segundo ele, era preciso liberar os recursos das emendas para não perder o empenho de obras já em andamento.
    Contas de governos anteriores – Cunha afirmou que aguarda resposta das assessorias das secretarias-gerais das Mesas da Câmara, do Senado e do Congresso para saber qual deve ser o procedimento de tramitação para rejeição de contas de governo. “Há uma divergência de que se tem um decreto legislativo pela rejeição significa que deva tramitar nas duas Casas? Significa que uma Casa pode alterar o decreto legislativo aprovado em outra e se alterar retorna? Ou a simples rejeição em uma Casa não volta à outra Casa?”
    Um dos projetos de decreto legislativo trata da rejeição das contas do governo Fernando Collor de janeiro a setembro de 1992. Ele foi retirado da pauta do Plenário da próxima semana. As assessorias devem se reunir na segunda-feira (3) para dar um parecer sobre o tema.
    Segundo Cunha, também está sob estudo se as contas de 2014 do governo Dilma Rousseff deveriam ser analisadas primeiro pelo Plenário da Câmara ou do Senado. “A ordem não é por ano, mas por projeto da CMO [Comissão Mista de Orçamento]. A princípio seria o Senado, mas dependendo do tipo de projeto poderia ser a Câmara”, disse.
    Confira a relação da análise de todas as contas de governo desde 1988 e a tramitação de cada uma.
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  2. “O presidente da Câmara acrescentou que “é importante que todos estejam imbuídos [da necessidade de ajuste fiscal] para não colocar despesa para os outros e tentar juntos evitar que seja aumentados gastos em especial em um momento como este.””

    Então o aumento revoltante do fundo partidário e o projeto do “shopping dos deputados” não colocam despesas para os outros?

  3. http://www.congressonacional.leg.br/portal/atividade/contasPresidente

    CONTAS DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
    É competência exclusiva do Congresso Nacional julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo. (CF, art. 49).
    As Contas do Presidente da República recebem parecer prévio do Tribunal de Contas da União (CF, art. 71, I) e parecer da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CF, art. 166, §1º, I), antes de serem enviadas à Mesa do Congresso Nacional, nos termos do art. 116, V, da Resolução nº 1 de 2006-CN.
    Atualmente, são apreciadas separadamente pelos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, segundo ordem estabelecida alternadamente com outros projetos de decreto legislativo, conforme regra geral do art. 142 do Regimento Comum.
    CMO CD SF Situação*
    1988 Sim Sim Sim Aprovadas
    1989 Sim Sim Sim Aprovadas
    1990 Tramitando \ \ Na CMO
    1991 Tramitando \ \ Na CMO
    1992 Sim Tramitando Sim Na Câmara dos Deputados (PDC 373/97 e 384/97)
    1993 Sim Sim Sim Aprovadas
    1994 Sim Sim Sim Aprovadas
    1995 Sim Sim Sim Aprovadas
    1996 Sim Sim Sim Aprovadas com recomendações
    1997 Sim Sim Sim Aprovadas com recomendações
    1998 Sim Sim Sim Aprovadas
    1999 Sim Sim Sim Aprovadas com ressalvas
    2000 Sim Sim Sim Aprovadas
    2001 Sim Sim Sim Aprovadas
    2002 Sim Tramitando \ Na Câmara dos Deputados
    2003 Sim \ Tramitando No Senado Federal
    2004 Sim \ Tramitando No Senado Federal
    2005 Sim \ Tramitando No Senado Federal
    2006 Sim Tramitando \ Na Câmara dos Deputados
    2007 Sim \ Tramitando No Senado Federal
    2008 Sim Tramitando \ Na Câmara dos Deputados
    2009 Tramitando \ \ Na CMO
    2010 Tramitando \ \ Na CMO
    2011 Tramitando \ \ Na CMO
    2012 Tramitando \ \ Na CMO
    2013 Tramitando \ \ Na CMO
    2014 \ \ \ Aguardando Parecer Prévio do TCU
    *Os links levam ao Decreto de aprovação ou à tramitação do projeto, conforme o caso.
    Congresso Nacional
    CONGRESSO NACIONAL – Praça dos Três Poderes – Brasília, DF – CEP 70160-900
    Disque Câmara: 0800 619 619 |Alô Senado: 0800 612 211

  4. O negócio só tá bom para especuladores e estupradores do Brasil.

    Qualquer rentista com grana desviada se dá bem com juros tão altos, dólar disparando, bolsas em montanha russa…

    Acredito que fizeram tudo de propósito. A intenção era quebrar o Brasil, gerar essa crise interna (pois nossa crise externa mal começou com a queda nas commodities e o esgotamento chinês) e faturar muito com as opções, com balcões de apostas da jogatina. Ganha-se tanto provocando a ruina quanto apostando nela.

    Como diria Carlos Minc em referência ao ex-prefeito Zito do Município de Duque de Caxias: “pra quebrar Caxias tem que ser profissional, não é pra qualquer um não”.

    Imagine o potencial antipatriótico, a capacidade traidora e de enriquecimento pessoal dessa galera que está quebrando o Brasil: economica, politica, tecnica e moralmente.

  5. O Ex-Ministro JOÃO SAYAD que está lançando seu Livro, “Dinheiro, dinheiro” Ed. Portfólio Penguin, está um pouco pessimista, mas dentro da média. Lemos por aí, ” que tudo andando bem”, que o Banco Central, diversos Institutos Econômicos de Bancos, e o próprio FMI, prevê: 2015 Contração de PIB de – 1,7%; 2016 Contração de PIB de – 0,5%; 2017 Expansão do PIB + 0,5%, e crescimento razoável a apartir de 2018. É por aí. Abrs.

  6. O economista entrevistado está sendo otimista demais, esperando que haja crescimento a partir de 2018.

    É só lembrar que a cada ano que Dilma deixa de executar o corte de gastos correntes, promovendo, de fato, o ajuste fiscal, na prática, ela empurra para frente – o correspondente a três exercícios, ou três anos – a possibilidade de recuperação econômica.

    Portanto, como em 2015 a tentativa de obtenção de Superávit Primário já é um fiasco, temos mais três exercícios – 2016, 2017 e 2018, no mínimo – comprometidos com o ajuste, que deve ser perseguido em escala crescente nesse período. Até que se obtenha o montante suficiente para cobrir os juros da dívida.

    E enquanto a inflação não der trégua a taxa básica de juros brasileira não vai cair, induzindo o padrão recessivo por falta de investimento e ampliação do consumo.

    Como além disso, depois da inflação dominada, ainda assim demandará um bom tempo até que a política de rendas dê ao brasileiro condições de retomada no crescimento do consumo, podemos dizer que esperar crescimento para 2018 é sim uma posição muito otimista do Sr. Sayad.

  7. Na verdade o PT já comprometeu a economia por, no mínimo, dez anos, desconsiderando, isso, os primeiros quatro anos de Dilma.

    Todos os fundamentos do equilíbrio econômico deterioraram, e só não estamos pior, porque ainda temos alguma reserva cambial.

    Outra coisa em relação à declaração do Sr. Sayad, a perda do grau de investimento num primeiro momento é de fato a desvalorização cambial (aumento da cotação do dólar) que já está acontecendo mesmo antes da queda da gradação pelas agências de risco.

    Mas, num segundo momento o perigo que está se avizinhando é o esgotamento das nossas reservas e a provável futura necessidade de termos de recorrer ao FMI e nos submeter a um arrocho fiscal e monetário muito maior, a beira do insuportável, como já vivemos no segundo período do governo de FHC, quanto tivemos que suportar um ajuste imposto pelo Fundo Monetário Internacional. E isto para sustentar a nossa moeda recém-criada, o real.

    Só que agora o sacrifício não será por uma causa justa, como a manutenção do equilíbrio monetário, mas, pela irresponsabilidade, pelo amadorismo e mesmo pela maldade de um grupo político que está nos empurrando para o abismo econômico-social.

  8. Perdão: Outra coisa em relação à declaração do Sr. Sayad, uma consequência em relação à perda do grau de investimento num primeiro momento é de fato a desvalorização cambial (aumento da cotação do dólar) que já está acontecendo mesmo antes da queda da gradação pelas agências de risco.

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