Não haverá impeachment e Bolsonaro ficará no poder, fantasiado de Rainha da Inglaterra

Charge do João Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

Neste momento de gravíssima crise institucional, a responsabilidade do deputado Arthur Lira (PP-AL) é enorme. Como presidente da Mesa da Câmara, cabe a ele, em opção solitária, decidir se deve permitir a tramitação de algum dos pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

O movimento “Vem Pra Rua”, um dos responsáveis pela mobilização popular que tirou o PT do poder, no governo de Dilma Rousseff, entrou sexta-feira com pedido no Supremo para obrigar o presidente da Câmara a aceitar um dos 126 requerimentos.

PROPOSTA INÚTIL – A petição do “Vem Pra Rua” serve politicamente para marcar posição, mas não tem o menor efeito, porque o STF já negou pedido idêntico. No final de julho, a relatora Cármen Lúcia mandou arquivar um requerimento que também pedia ao Supremo que obrigasse Arthur Lira a analisar o pedido de impeachment feito pelo PT no ano passado.

No entanto, não há como obrigar Arthur Lira a cumprir a lei, devido ao princípio jurídico da independência dos Poderes, um do marcos da democracia na visão genial do barão de Montesquieu, expressada há quase três séculos.

“O juízo de conveniência e de oportunidade do processo de impeachment é reserva da autoridade legislativa, após a demonstração da presença de requisitos formais”, determinou Cármen, levantando um muro entre Congresso e Supremo.

OITO INQUÉRITOS – Bolsonaro já responde a oito inquéritos no Supremo e no TSE. Não tem condições de escapar de nenhum deles, pois produziu abundantes provas contra si. Aliás, não faz outra coisa.

A menos de um ano e dois meses das eleições, não se pode contar com o Supremo ou o TSE para provocar processo de impeachment. Portanto, só resta Arthur Lira, uma espécie de juiz singular entre 220 milhões de brasileiros.

Diz ele que seu dedo já está sobre o sinal amarelo do impeachment, mas quem pode acreditar nesse tipo de político? É o Centrão que está no poder, representado por Arthur Lira, Ciro Nogueira e Rodrigo Pacheco, os três mosqueteiros do Planalto.  E quem já está no poder não tem o menor interesse de sair dele. 

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P.S. – Em tradução simultânea, essa novela vai se arrastar até o final de 2022. Enquanto isso, la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

 

13 thoughts on “Não haverá impeachment e Bolsonaro ficará no poder, fantasiado de Rainha da Inglaterra

  1. Não se sabe como sobreviveremos até lá, suprimindo direitos de tudo e de todos, trabalhadores e servidores públicos, privatizando tudo, nas coxas, com o perdão do linguajar, enquanto se propõe o maior calote da história. É muito bandido por toda parte, e ce fini.

  2. Em se tratando de Bolsonalha o mais apropriado seria sua INTERDIÇÃO. (Mas para isso só se ele fizesse o que hildebrando paschoal fez no Acre…

    “SE” houvesse um mínimo de bom senso em cerca de 50 milhões de pessoas que votaram nessa excrescência humana tal estupidez jamais teria acontecido. “SE”. Mas “se” não conta.

    Aliás, a se levar em conta vários comentários, as próximas eleições contarão com candidaturas de igual ou pior nível.

    … E como o eleitorado é o mesmo…

  3. A rainha da Inglaterra não manda muito, mas é respeitada pelos seus súditos. Esse Belzebu que temos em Brasília vai ter um fim triste: viver o resto da vida como ele mesmo!

  4. Para os que quiserem entender melhor o que está acontecendo, realmente, estão corretos ao querer o cumprimento do art. 19 da Lei nº 1079, que tem a seguinte redação, no caso de denúncia contra o presidente da República:
    Art. 19. Recebida a denúncia, será lida no expediente da sessão seguinte e despachada a uma comissão especial eleita, da qual participem, observada a respectiva proporção, representantes de todos os partidos para opinar sobre a mesma.

    Porém, poderiam aproveitar e exigir também o cumprimento do art. 44 da mesma Lei, que tem a seguinte redação, no caso de denúncia contra ministros do STF:
    Art. 44. Recebida a denúncia pela Mesa do Senado, será lida no expediente da sessão seguinte e despachada a uma comissão especial, eleita para opinar sobre a mesma.

    Há diversos pedidos protocolados no Senado, com denúncias contra vários ministros do STF.

    Será que os representantes desse movimento “Vem pra rua” são medrosos e não têm coragem para fazer isso?

    Têm medo de serem acusados de atacar a honra dos ministros do STF e acabarem sendo perseguidos pelo Alexandre de Moraes ?

    • E, relembrando: há no Senado, parada, desde março, uma denúncia, muito bem fundamentada, com 3 milhões de assinaturas, pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

  5. E, relembrando: há no Senado, parado desde setembro passado, prestes a completar um ano, o PL 1,485/20, que trata da duplicidade das penas nos casos de corrupção na pandemia, já votado na Câmara, e aguardando pauta. Devem estar esperando o fim da pandemia e já que a Lei não retroage…

  6. Como a possibilidade de um impeachment é menor do que zero , a chance de reeleição cresce a medida em que a pandemia e enfraquece, com um Bolsa Família turbinado, a economia crescendo e o desemprego diminuindo, o mito já pode parar de delirar. Mas teremos um “segundo reinado” com o mito sentado no trono e sem poder algum.

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