Não pode cair no esquecimento o atentado ao blogueiro Ricardo Gama, que na última quarta-feira foi baleado no Rio de Janeiro com três tiros, nas costas, no pescoço e na cabeça.

Carlos Newton   

Embora o estado de saúde de Ricardo Gama tenha evoluído satisfatoriamente (ele continua na UTI do Hospital Copa D’Or, mas saiu do estado de coma induzido e até prestou depoimento à Polícia), os jornais, rádios e televisões já se esqueceram dele e do bárbaro atentado que sofreu, em Copacabana.

Gama é conhecido por manter um blog de assuntos políticos em que faz críticas duríssimas ao governador Sérgio Cabral e ao prefeito carioca Eduardo Paes, ambos do PMDB. Foi no blog dele que saiu originalmente o vídeo em que o então presidente Lula, com  apoio de Cabral, destratou um menino favelado que é jogador de tênis, mandando que ele fosse praticar outro esporte.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras acredita que se trata de um possível acerto de contas e pediu que a Polícia investigue o caso de um empresário envolvido no tráfico de drogas na favela da Rocinha. “Abordar o crime organizado ainda expõe os jornalistas brasileiros a graves ameaças”, assinalou a Repórteres Sem Fronteiras em comunicado distribuído no Rio, advertindo que, apesar dos avanços em liberdade de expressão, a imprensa brasileira continua exposta a uma forte insegurança em várias regiões do país, ainda sofre abusos por parte de algumas autoridades locais, o que é uma forma de censura que afeta não somente os órgãos tradicionais de comunicação, mas também os blogueiros.

No Congresso, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) fez um requerimento ao presidente Marco Maia, para que a Câmara de Deputados crie uma Comissão Externa destinada a acompanhar o inquérito sobre a tentativa de homicídio de Ricardo Gama. O requerimento foi assinado também pelos deputados fluminenses Miro Teixeira (PDT), Dr. Aloísio (PV), Washington Reis (PMDB) e Walney Rocha (PTB).

“Não interessa se Ricardo Gama é advogado e não jornalista formado. A atividade dele é claramente jornalística. Onde estão a OAB, a ABI, a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o próprio Sindicato dos Jornalistas, mesmo ele não sendo associado, mas que sempre se posicionaram em casos semelhantes? Todo mundo vai continuar ignorando a ameaça que paira sobre o Rio de Janeiro?”, afirmou Garotinho. Realmente, essas organizações não podem se omitir num caso dessa natureza. Pega muito mal.

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