Não pode ser mera coincidência: gregos e troianos lamentam o Brasil de hoje

Sandra Starling

Abro consternada os jornais do dia 6 último – data da morte ou do nascimento, não sei mais – de minha avó materna: em todos eles, o anúncio da derrocada da outrora maior empresa do Brasil, a Petrobras. Tive a honra de trabalhar naquela empresa, em meu primeiro emprego formal, no distante ano de 1962.

 

Fruto de memorável campanha pelo “Petróleo é Nosso”, a empresa se transformou em gigante do setor no mundo inteiro. Até ser governada pelo PT. Durante oito anos, a presidente do seu Conselho de Administração foi Dilma Rousseff, considerada a grande revelação em matéria de gestão pública no período Lula, e como tal ou por tal guindada à condição de presidente da República no Brasil. Quando a grande gestora demitiu Sérgio Gabrielli, na rasteira da limpeza de “malfeitos” praticados no governo anterior (dizia-se que só na Bahia, por acaso terra de Gabrielli, tudo quanto foi forró teve o patrocínio da estatal), a primeira mulher a governar o país também decidiu por uma primeira mulher a dirigir a Petrobras.

Graça Forster, contudo, garroteada pela política (ia escrevendo “polícia”) econômica do governo, teve de fazer tudo para tentar quebrar a estatal. Suas ordens eram subsidiar a gasolina, importada a preços mais elevados, para sustentar a tal diretriz da “criação de um mercado interno de consumo de massas”, conforme o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), de autoria do Guido Mantega, em 2003, como ministro do Planejamento, que incluiu preço baixo a fórceps para gasolina, etanol nas nuvens e subsídios para a compra de carros e motos.

LADEIRA ABAIXO

Haja ignorância! Ou irresponsabilidade – o que, no caso, dá na mesma. Agora a estatal vai ladeira abaixo e sua presidente ainda anuncia que o pior ainda está por vir. Durma com um barulho desses.

No mais, por todo lado, artigos de analistas ou de escrevinhadores de opinião, protestando contra tudo: quando é que os brasileiros vão encher uma praça Tahrir?!

Assisti na TV a um debate entre craques, onde todos (de vários partidos e ideologias), citando tudo quanto é fonte, com posições otimistas ou pessimistas, lamentavam os descalabros da política e da sociedade brasileira.

De cabeça, vou relembrando fatos: o presidente da CBF é acusado de dedurar o Herzog, assassinado pela ditadura militar; Dilma pega o helicóptero, agora todos os dias bem cedinho (moro perto do Palácio da Alvorada), e se manda Brasil afora para iniciar sua campanha de reeleição; Lula sai por aí, América Central e África, patrocinando obras de empreiteiras brasileiras; condenados pelo STF continuam votando no Congresso e até um personagem que elogiei outro dia – o ministro Fux – esquece a letra da Constituição Federal e diz que se pode, sim, votar o Orçamento sem votar os vetos, contrariando antiga interpretação do antigo presidente do Congresso Nacional, Humberto Lucena, segundo quem, primeiro vêm os vetos, depois o Orçamento.

Com tantos gregos e tantos troianos reclamando, nem sei mais em que país estou.

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