Não se pode aceitar a politização da tragédia da covid-19 nem culpar Bolsonaro

Gilmar Fraga: grande timoneiro | GaúchaZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/ZH)

Percival Puggina

O Estadão deste sábado (08/08/2020) estampa editorial atribuindo ao presidente da República responsabilidade pessoal nas 100 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. No esdrúxulo raciocínio do editorialista, não fosse Bolsonaro, o vírus, por si só, transitaria pelo Brasil sem produzir vítimas.

Diz o jornal, novo queridinho da esquerda brasileira: “Por fim, construiu-se essa tragédia porque falta a muitos cidadãos um espírito de coletividade, o reconhecimento do passado formador comum e a comunhão de aspirações ao futuro. Com tristeza, viu-se que não raras vezes a fruição imediata de alguns se sobrepôs ao recolhimento exigido para o bem de todos. Aí está o resultado.”

ENGENHARIA SOCIAL – Aí está também, num mau português, o sumário da lição de engenharia social proporcionado pelo coronavírus. A aula virtual, em sala global, é cotidianamente oferecida ao mundo, de modo especial ao Ocidente, pela mentalidade totalitária em suas mais recentes roupagens. Aí estão, igualmente, o desprezo à liberdade individual, ao trabalho humano e a politização do vírus.

A propósito, é bom ter em mente que a politização de tudo, a radicalização e o clima de amplo antagonismo não são peculiaridades do tempo presente. Vista de frente, olho no olho, a verdade mostra que até 2018 a radicalização tinha um lado só. A vanguarda do atraso vencia por WO.

Fazer-nos andar na direção dessa engenharia social, exige inibir, coibir, exorcizar a liberdade individual.

HOMENS ABELHAS – Disse-me alguém, certa feita: “Observa a atividade das abelhas em uma colmeia. Não há, ali, individualidades e egoísmos. Todas obedecem a uma ordem espontânea, ditada pela natureza. Por que os seres humanos não podem ser assim? Por que não sonharmos com um homem novo, nascido dessa compreensão?”.

Exasperei-me: “O motivo é muito simples, meu caro. Acontece que, diferentemente do teu delírio coletivista, nós não somos abelhas! Convivem em nós a inteligência, a vontade e a liberdade. Não rebaixes nossa dignidade.

ANTIMILITARISMO – Desde a campanha eleitoral de 2018, plantou-se a ideia de que a vitória de Bolsonaro representaria um retorno dos militares ao poder, para estabelecer um governo fascista, homofóbico, racista, e sei lá mais o quê, com o intuito de extinguir a democracia no Brasil.

Criada a ficção, mesmo em ausência de qualquer sintoma, tanto o Congresso quanto o STF passam o combater o fantasma criado, atacando o Poder Executivo com medidas de viés autoritário, manifesto antagonismo político e real esforço em coibir a liberdade de opinião. Hoje, se há um golpe em curso, ele não se articula em favor do governo, mas contra o governo.

Não é devido ao governo, ou ao governante, mas causado pela aversão à agenda conservadora e liberal que, dada por morta no Brasil, renasceu a partir de 2014, ameaçando décadas de meticuloso trabalho político, sociológico e psicológico de engenharia social.

7 thoughts on “Não se pode aceitar a politização da tragédia da covid-19 nem culpar Bolsonaro

  1. A COVID tornou se assunto político pelas inúmeras trapalhadas de JB. É óbvio que ele não é diretamente responsável, porém sua falta absoluta de percepção do problema tornou o Brasil um país sem comando. Cada governador e tb prefeitos tiveram q tomar iniciativas muitas delas de efeito duvidoso. Salve se quem puder.

  2. Tanta firula no texto, pra dizer e livrar a irresponsabilidade de um governo , que nunca teve projeto para um país, nem em debates foi.
    Um governo que não consegue montar sua própria agenda diária ou semanal, vai no que dá e seja o que Deus quiser.
    Melhor nem se estender muito para preservar a saúde mental….

  3. “Todo es verdad, todo es mentira, depende del color del cristal por donde se mira” Gustavo Adolfo Bécquer, poeta sevilhano.
    Embora haja fundamentos válidos na defesa do Sr Puggina, concordo que extrapolou um pouco.

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